Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg727933
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Paciente feminina de 47 anos, com linfedema crônico em membro inferior esquerdo pós-trombose venosa profunda extensa, apresenta fibrose cutânea progressiva e episódios recorrentes de celulite. No manejo clínico e cirúrgico, qual das alternativas a seguir apresenta a melhor abordagem para redução do linfedema e prevenção de complicações?
ATerapia com drenagem linfática manual associada à compressão elástica intermitente e profilaxia antibiótica secundária.
BRealizar linfoadenectomia como tratamento primário e, após a recuperação, iniciar flebotônicos como terapia adjuvante.
CSuspender o uso de qualquer compressão para avaliar alergias.
DUso contínuo de diuréticos para diminuição da retenção hídrica.
EIsolar o membro e prescrever corticosteroides tópicos de alta potência para diminuir o risco de rachaduras na pele espessada.
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GabaritoA — Terapia com drenagem linfática manual associada à compressão elástica intermitente e profilaxia antibiótica secundária.
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Linfedema crônico: manejo clínico e prevenção de complicações
Gabarito: letra A. No linfedema crônico, a abordagem de primeira linha é a terapia descongestiva complexa, que combina drenagem linfática manual, compressão elástica (intermitente e/ou contínua) e cuidados com a pele; a profilaxia antibiótica secundária é indicada em casos de celulites de repetição, como no quadro apresentado. As demais alternativas propõem condutas inadequadas ou até prejudiciais, como linfoadenectomia primária, suspensão da compressão, uso de diuréticos ou corticosteroides tópicos.
O linfedema é o acúmulo intersticial de fluido linfático por desequilíbrio entre produção e transporte, podendo ser primário (malformação congênita) ou secundário (obstrução, como após trombose venosa profunda extensa). No caso, a paciente apresenta linfedema secundário pós-trombótico, com fibrose cutânea progressiva e episódios recorrentes de celulite — um cenário clássico em que a terapia descongestiva complexa é o pilar do tratamento. A drenagem linfática manual auxilia na diminuição do edema, e a compressão elástica (intermitente ou por vestimenta) é essencial para manter o resultado e prevenir a progressão. A profilaxia antibiótica secundária (ex.: penicilina benzatina) reduz a recorrência de celulite, complicação frequente e temida no linfedema.
A fisiopatologia explica por que as outras opções são incorretas: a linfoadenectomia removeria ainda mais linfonodos, agravando o déficit de drenagem; a suspensão da compressão permitiria o acúmulo de fluido e a progressão da fibrose; os diuréticos não têm papel no linfedema, pois o edema é por falha de transporte linfático, não por retenção hidrossalina; e os corticosteroides tópicos não tratam a causa e podem fragilizar a pele, aumentando o risco de infecção. A educação do paciente e a integridade da pele são fundamentais, pois não há tratamento farmacológico eficaz para o linfedema em si.
A pegadinha central é a tentação de tratar o edema como se fosse de origem venosa ou cardíaca (diuréticos) ou de tratar a pele como se fosse uma dermatite inflamatória (corticoides). O linfedema exige abordagem física (drenagem + compressão) e, quando há infecções de repetição, profilaxia antibiótica. Guarde esse tripé: drenagem linfática manual + compressão elástica + profilaxia antibiótica secundária — é exatamente o que a alternativa A descreve.
Linfedema crônico
1Fisiopatologia
Acúmulo intersticial de linfa
Falha de transporte linfático
2Tipos
Primário (malformação congênita)
Secundário (obstrução, pós-trombótico)
3Tratamento (terapia descongestiva complexa)
Drenagem linfática manual
Compressão elástica
Profilaxia antibiótica (celulites de repetição)
4Condutas inadequadas
Linfoadenectomia (agrava déficit)
Suspender compressão
Diuréticos (não tratam causa)
Corticoides tópicos (fragilizam a pele)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa reúne os três pilares do manejo do linfedema crônico com celulites de repetição: drenagem linfática manual (reduz o edema), compressão elástica intermitente (mantém o controle volumétrico e previne a progressão) e profilaxia antibiótica secundária (previne novos episódios de celulite, complicação frequente no linfedema). A terapia descongestiva complexa é o tratamento de primeira linha, e a profilaxia antibiótica é recomendada em casos de infecções recorrentes, como no quadro apresentado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A linfoadenectomia (remoção de linfonodos) agravaria o linfedema, pois reduziria ainda mais a capacidade de drenagem linfática — é justamente a remoção de linfonodos que causa linfedema secundário em cirurgias oncológicas. Não é tratamento primário; a cirurgia no linfedema (ex.: anastomoses linfático-venosas, lipoaspiração) é reservada a casos selecionados e refratários à terapia clínica. Os flebotônicos têm papel adjuvante limitado e não substituem a terapia física.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Suspender a compressão é contraindicado no linfedema: a compressão elástica é um dos pilares do tratamento, pois impede o reacúmulo de fluido e a progressão da fibrose. A preocupação com alergia justificaria trocar o material da compressão, nunca suspendê-la por completo. A conduta correta seria avaliar o tipo de tecido e ajustar a prescrição, mantendo a compressão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os diuréticos não têm indicação no linfedema, pois o edema é causado por falha de transporte linfático, não por retenção hidrossalina. O uso contínuo de diuréticos não reduz o linfedema e expõe a paciente a riscos (distúrbios hidroeletrolíticos, hipovolemia, lesão renal). O tratamento é físico (drenagem + compressão), não farmacológico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Isolar o membro e usar corticosteroides tópicos de alta potência é inadequado e potencialmente prejudicial: os corticosteroides tópicos não tratam o linfedema, podem causar atrofia cutânea e fragilizar a pele, aumentando o risco de fissuras e infecções — exatamente o que se quer evitar. O cuidado com a pele no linfedema envolve hidratação, higiene e prevenção de traumas, não corticoterapia tópica.