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Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaAngiologia
Código
qg727934
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Paciente masculino, 54 anos, apresenta púrpura palpável e isquemia digital com dor intensa em dedos das mãos, além de úlceras distais. Seus exames laboratoriais mostram ANCA positivo e elevação de VHS. A angiografia revela irregularidades segmentares no leito arterial digital.No manejo cirúrgico e clínico, qual é a conduta inicial mais adequada?
  1. AProceder imediatamente à amputação dos dedos acometidos e indicar antibioticoterapia de amplo espectro para evitar infecção sistêmica.
  2. BRealizar fasciotomia emergencial para evitar síndrome compartimental.
  3. CIniciar antibioticoterapia empírica e livre de corticosteroides.
  4. DIniciar corticoterapia em altas doses e avaliar indicação de vasodilatadores, planejando desbridamento das áreas necróticas.
  5. EPrescrever antiagregantes plaquetários e repouso estrito do membro.
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GabaritoD — Iniciar corticoterapia em altas doses e avaliar indicação de vasodilatadores, planejando desbridamento das áreas necróticas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vasculite ANCA-positiva com isquemia digital: conduta inicial

Gabarito: letra D. O quadro — púrpura palpável, isquemia digital, ANCA positivo e VHS elevado — é de vasculite sistêmica com acometimento de pequenos vasos, e a conduta inicial é corticoterapia em altas doses para controlar a inflamação, associada à avaliação de vasodilatadores para melhorar a perfusão e ao planejamento do desbridamento das áreas necróticas, evitando amputação imediata. A base é o tratamento da doença de base (imunossupressão) antes da abordagem cirúrgica, conforme o manejo clássico das vasculites.

A vasculite é uma inflamação da parede dos vasos sanguíneos, que leva a isquemia, necrose e manifestações como púrpura palpável (inflamação de vênulas e arteríolas da derme) e isquemia digital (comprometimento de artérias de pequeno calibre). O ANCA positivo aponta fortemente para vasculites associadas a ANCA, como a granulomatose com poliangiite (GPA), a poliangiite microscópica (PAM) e a granulomatose eosinofílica com poliangiite (GEPA). A elevação do VHS confirma o estado inflamatório sistêmico. A angiografia mostrando irregularidades segmentares no leito arterial digital é o reflexo do processo inflamatório nas artérias de pequeno e médio calibre.

O tratamento inicial das vasculites sistêmicas ativas, especialmente com isquemia de extremidades, é a imunossupressão agressiva, sendo a corticoterapia em altas doses (pulso de metilprednisolona ou prednisona 1 mg/kg/dia) a pedra angular. O objetivo é controlar rapidamente a inflamação e evitar a progressão da necrose. Vasodilatadores (como bloqueadores de canal de cálcio, prostaciclinas ou inibidores da fosfodiesterase-5) podem ser adicionados para aliviar o vasoespasmo e melhorar a perfusão distal. O desbridamento das áreas necróticas é planejado, mas não é a conduta imediata — primeiro se controla a doença de base, e a amputação só é considerada se houver necrose irreversível e demarcada, após falha do tratamento clínico.

A conduta cirúrgica imediata (amputação, fasciotomia) é contraindicada na fase aguda da vasculite, pois a inflamação ativa compromete a cicatrização e pode levar a complicações. Antibioticoterapia empírica não é indicada sem sinais de infecção, e o uso de corticosteroides não é contraindicado — pelo contrário, é essencial. Antiagregantes plaquetários e repouso são medidas adjuvantes, mas não tratam a causa inflamatória.

A pegadinha da banca está em confundir a isquemia digital da vasculite com uma oclusão arterial aguda (OAA) embólica ou trombótica, em que a conduta seria revascularização de urgência. Aqui, a presença de púrpura palpável e ANCA positivo muda completamente o diagnóstico e o tratamento: o foco é a doença inflamatória sistêmica, não a obstrução mecânica. Guarde essa distinção: vasculite = imunossupressão; OAA = revascularização.

1Diagnóstico
Púrpura palpável
ANCA positivo
VHS elevado
Irregularidades segmentares na angiografia
2Conduta inicial
Corticoterapia em altas doses
Avaliar vasodilatadores
Planejar desbridamento (não imediato)
3Condutas contraindicadas
Amputação imediata
Fasciotomia (sem síndrome compartimental)
Antibiótico empírico (sem infecção)
Evitar corticoides
Vasculite ANCA+ com isquemia digital
LEVELsoulevel.com.br
Vasculite ANCA+ com isquemia digital: Diagnóstico (Púrpura palpável, ANCA positivo, VHS elevado, Irregularidades segmentares na angiografia); Conduta inicial (Corticoterapia em altas doses, Avaliar vasodilatadores, Planejar desbridamento (não imediato)); Condutas contraindicadas (Amputação imediata, Fasciotomia (sem síndrome compartimental), Antibiótico empírico (sem infecção), Evitar corticoides)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Amputação imediata é contraindicada na fase aguda da vasculite. A necrose ainda não está demarcada, e a amputação precoce pode ressecar tecido viável, além de o processo inflamatório ativo prejudicar a cicatrização. Antibioticoterapia de amplo espectro não é indicada sem sinais de infecção (febre, secreção purulenta, celulite). O correto é controlar a inflamação com corticoides e planejar o desbridamento após a demarcação da necrose.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Fasciotomia é indicada para síndrome compartimental, que ocorre por aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial (geralmente após trauma ou reperfusão). Na vasculite com isquemia digital, não há síndrome compartimental — o problema é a inflamação vascular, não a pressão tecidual. A fasciotomia não trata a causa e expõe o paciente a riscos cirúrgicos desnecessários.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Antibioticoterapia empírica não é indicada sem foco infeccioso. A isquemia digital e a púrpura são manifestações da vasculite, não de infecção. Além disso, a alternativa diz "livre de corticosteroides", o que é exatamente o oposto do tratamento correto: a corticoterapia em altas doses é a base do manejo da vasculite ativa. Suspender ou evitar corticoides agravaria a inflamação e a isquemia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta inicial é corticoterapia em altas doses para imunossupressão rápida e controle da inflamação, avaliar vasodilatadores para melhorar a perfusão distal e aliviar o vasoespasmo, e planejar o desbridamento das áreas necróticas — mas não imediatamente, e sim após controle da doença e demarcação da necrose. Essa abordagem trata a causa (vasculite) e preserva tecido viável, reduzindo a necessidade de amputações maiores.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Antiagregantes plaquetários e repouso são medidas adjuvantes, mas não tratam a inflamação da vasculite. Sem imunossupressão, a doença progride e a isquemia piora. O repouso estrito não melhora a perfusão digital e pode até favorecer complicações tromboembólicas. A conduta principal é a corticoterapia, não apenas antiagregação.

Gabarito: letra D — corticoterapia em altas doses, avaliação de vasodilatadores e planejamento do desbridamento.

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