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Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaAngiologia
Código
qg727935
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Paciente feminina de 58 anos, com hipertensão sistêmica mal controlada há mais de 10 anos, apresenta, em terço inferior da perna esquerda, ulceração única dolorosa, profunda, de bordas irregulares e fundo necrótico. Refere dor desproporcional ao tamanho da lesão e dificuldade crescente na cicatrização, mesmo com tratamento tópico prévio. Ao exame, pulsos distais palpáveis e ausência de sinais clínicos de insuficiência venosa.A conduta terapêutica inicial mais adequada para essa paciente é
  1. Aotimizar controle pressórico com bloqueadores de canais de cálcio e IECA e instituir tratamento multidisciplinar local.
  2. Busar betabloqueadores seletivos, controlar pressão, realizar ressecção cirúrgica da úlcera e aplicar antibióticos tópicos.
  3. Cprescrever anticoagulação oral com antagonistas de vitamina K, compressão constante e corticoterapia tópica para manejo local, com orientação multiprofissional.
  4. Delevar pressão com vasopressores e analgesia oral para alívio da dor associada à úlcera.
  5. Eindicar imobilização com antibioticoterapia ampla para prevenir infecção secundária na ferida.
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GabaritoA — otimizar controle pressórico com bloqueadores de canais de cálcio e IECA e instituir tratamento multidisciplinar local.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlcera hipertensiva de membro inferior (úlcera de Martorell)

Gabarito: letra A. A paciente apresenta úlcera hipertensiva (de Martorell), caracterizada por dor desproporcional, bordas irregulares, fundo necrótico, pulsos distais palpáveis e ausência de sinais de insuficiência venosa, em contexto de hipertensão mal controlada. A conduta inicial é otimizar o controle pressórico com bloqueadores de canais de cálcio e IECA, além de instituir tratamento multidisciplinar local — a base do manejo é o controle rigoroso da pressão arterial, não a intervenção cirúrgica ou anticoagulação.

A úlcera hipertensiva, também chamada de úlcera de Martorell, é uma lesão isquêmica focal causada por arteriolosclerose das pequenas artérias da derme, secundária à hipertensão arterial sistêmica crônica e mal controlada. Diferentemente da úlcera arterial clássica (por doença obstrutiva de grandes vasos), os pulsos distais permanecem palpáveis, pois a obstrução ocorre em nível arteriolar. A dor é intensa e desproporcional ao tamanho da lesão, e a localização típica é o terço distal da perna, na face posterolateral — exatamente o quadro descrito no enunciado.

O diagnóstico diferencial das úlceras de membros inferiores é essencial, pois cada tipo tem conduta específica. A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Tipo

Causa

Localização

Dor

Pulsos

Conduta inicial

Hipertensiva (Martorell)

Arteriolosclerose por HAS

Terço distal, face posterolateral

Intensa, desproporcional

Palpáveis

Controle pressórico rigoroso + cuidados locais

Isquêmica (arterial)

Aterosclerose de grandes vasos

Dedos, pé, calcâneo

Intensa

Diminuídos/ausentes

Revascularização + controle de fatores de risco

Venosa

Estase venosa

Perimaleolar medial

Leve

Palpáveis

Compressão + elevação do membro

Neurotrófica

Neuropatia + trauma

Áreas de pressão plantar

Ausente

Palpáveis

Descarga de peso + cuidados com o pé

A base do tratamento da úlcera hipertensiva é o controle rigoroso da pressão arterial, pois a lesão é consequência direta da arteriolosclerose hipertensiva. Os medicamentos de escolha são os bloqueadores de canais de cálcio e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), que têm efeito vasodilatador e protegem a microcirculação. Além disso, o tratamento local deve ser multidisciplinar, com limpeza adequada da ferida, desbridamento quando necessário, curativos apropriados e controle da dor. A ressecção cirúrgica precoce não é indicada como primeira linha; a anticoagulação e a corticoterapia tópica não têm papel no manejo dessa condição.

A pegadinha central desta questão é confundir a úlcera hipertensiva com a úlcera arterial clássica ou com a úlcera venosa. Na úlcera arterial, os pulsos estariam diminuídos ou ausentes e a localização seria mais distal (dedos, pé); na venosa, haveria sinais de insuficiência venosa (varizes, edema, dermatite ocre) e a dor seria leve. A presença de pulsos palpáveis e a ausência de sinais venosos, somadas à dor intensa e desproporcional, apontam diretamente para a úlcera hipertensiva.

Guarde a tríade que decide esta questão: dor desproporcional + pulsos palpáveis + HAS mal controlada = úlcera hipertensiva → controle pressórico é a prioridade. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta inicial mais adequada é otimizar o controle pressórico com bloqueadores de canais de cálcio e IECA, associada a tratamento multidisciplinar local. O controle rigoroso da pressão arterial é a base do tratamento da úlcera hipertensiva, pois a lesão é consequência da arteriolosclerose hipertensiva. Os bloqueadores de canais de cálcio e os IECA são as classes preferenciais por seu efeito vasodilatador e proteção da microcirculação. O tratamento local multidisciplinar inclui limpeza adequada, desbridamento quando necessário, curativos apropriados e controle da dor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ressecção cirúrgica da úlcera não é a conduta inicial para úlcera hipertensiva. O tratamento cirúrgico (como enxerto de pele) pode ser considerado em casos selecionados, após o controle pressórico adequado, mas não como primeira linha. Além disso, antibióticos tópicos não são indicados rotineiramente, a menos que haja sinais claros de infecção. O uso de betabloqueadores seletivos não é a classe preferencial nesse contexto, sendo os bloqueadores de canais de cálcio e IECA as opções de primeira linha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A anticoagulação oral com antagonistas da vitamina K não tem indicação no tratamento da úlcera hipertensiva. A compressão constante é contraindicada, pois pode piorar a isquemia local — a compressão é indicada para úlceras venosas, não para úlceras isquêmicas. A corticoterapia tópica também não é indicada, pois pode retardar a cicatrização e aumentar o risco de infecção. O manejo correto envolve controle pressórico e cuidados locais, não anticoagulação ou corticoides.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Elevar a pressão com vasopressores é um erro grave, pois a hipertensão já é o problema de base — aumentar ainda mais a pressão arterial pioraria a arteriolosclerose e a lesão. A analgesia oral pode ser útil para o controle da dor, mas não é a conduta principal. O foco deve ser o controle pressórico, não a elevação da pressão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A imobilização com antibioticoterapia ampla não é indicada como conduta inicial. A imobilização não trata a causa da úlcera (hipertensão) e pode favorecer complicações como trombose venosa. A antibioticoterapia ampla só é indicada quando há sinais claros de infecção, não como profilaxia rotineira. O tratamento deve focar no controle pressórico e nos cuidados locais da ferida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os tipos de úlcera de membros inferiores. A presença de pulsos palpáveis e a ausência de sinais venosos podem levar o candidato a pensar em úlcera venosa ou arterial, mas a dor desproporcional e a HAS mal controlada apontam para a úlcera hipertensiva. Lembre-se: na úlcera hipertensiva, o tratamento é clínico (controle pressórico), não cirúrgico nem com anticoagulação.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as úlceras de membros inferiores, use a tríade: localização + dor + pulsos. Úlcera venosa: perimaleolar medial, dor leve, pulsos presentes. Úlcera arterial: dedos/pé, dor intensa, pulsos ausentes. Úlcera hipertensiva: terço distal posterolateral, dor desproporcional, pulsos presentes. Essa distinção é a chave para acertar questões sobre o tema.

Gabarito: letra A

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