Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg727936
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Paciente masculino, 72 anos, hipertenso e diabético com relato de claudicação intermitente progressiva e lesão ulcerada em pé direito. Seu exame físico revela pulsos diminuídos e alteração trófica distal. A conduta terapêutica mais apropriada para o manejo desse paciente é
Ainiciar monoterapia com cilostazol associada à otimização do controle glicêmico com análogos do GLP1, cessação do tabagismo e orientação de caminhada programada.
Brealizar angioplastia endovascular do segmento femoropoplíteo antes de qualquer ajuste medicamentoso.
Cimplementar terapia combinada com antiagregantes plaquetários, estatinas e avaliação hemodinâmica para orientar o tratamento cirúrgico.
Dcontrolar fatores de risco e aguardar evolução clínica antes de decisões invasivas.
Eexclusivamente iniciar anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular.
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GabaritoC — implementar terapia combinada com antiagregantes plaquetários, estatinas e avaliação hemodinâmica para orientar o tratamento cirúrgico.
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Doença Arterial Obstrutiva Periférica: manejo da claudicação com isquemia crítica
Gabarito: letra C. O paciente apresenta claudicação intermitente progressiva com lesão ulcerada em pé — quadro compatível com isquemia crítica do membro, que exige abordagem combinada: otimização do controle de fatores de risco (antiagregante, estatina, controle glicêmico e pressórico, cessação do tabagismo) e avaliação hemodinâmica para definir a estratégia de revascularização (cirúrgica ou endovascular). A alternativa C é a única que contempla simultaneamente a terapia medicamentosa de prevenção cardiovascular e a avaliação para tratamento invasivo, que é o manejo apropriado nesse cenário.
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é a manifestação aterosclerótica nos membros inferiores, caracterizada por obstrução arterial que reduz o fluxo sanguíneo. O quadro clínico evolui em espectro: inicialmente assintomático, depois claudicação intermitente (dor muscular ao esforço que alivia com repouso), e, nos casos mais graves, isquemia crítica — dor isquêmica em repouso e/ou lesões tróficas (ulcerações, gangrena). O paciente do enunciado, com 72 anos, hipertenso, diabético e com lesão ulcerada em pé, já está no estágio de isquemia crítica, que tem prognóstico muito pior que a claudicação simples: após 1 ano, apenas cerca de 50% dos pacientes estão vivos ou sem amputação maior.
O tratamento da DAOP tem dois pilares que atuam em conjunto. O primeiro é a terapia medicamentosa e modificação de fatores de risco, que não melhora diretamente a claudicação, mas é essencial para prevenir eventos cardiovasculares maiores (infarto, AVC) e reduzir mortalidade — inclui antiagregante plaquetário (AAS), estatina para todos os pacientes, controle rigoroso de diabetes, hipertensão e dislipidemia, e cessação do tabagismo. O segundo pilar é a revascularização, indicada quando há claudicação limitante ou isquemia crítica. A escolha entre cirurgia aberta (bypass) e técnica endovascular (angioplastia com stent) depende da anatomia da lesão, da comorbidade do paciente e da avaliação hemodinâmica — por isso, antes de decidir o procedimento, é fundamental realizar avaliação com exames de imagem e hemodinâmica (índice tornozelo-braço, duplex scan, angiotomografia ou angiografia).
A pegadinha central desta questão é a hierarquia terapêutica: em isquemia crítica, não se pode apenas "controlar fatores de risco e aguardar" (alternativa D), pois o risco de amputação é alto e a revascularização é urgente; mas também não se deve partir direto para angioplastia sem a avaliação adequada (alternativa B), nem tratar com monoterapia isolada (alternativa A) ou anticoagulação plena (alternativa E). A conduta correta é a abordagem integrada: terapia medicamentosa otimizada e avaliação hemodinâmica para planejar a revascularização. Guarde esse binômio — tratamento clínico + avaliação para intervenção — pois é exatamente ele que separa a alternativa correta das demais.
DAOP: estágios e conduta
1Claudicação não limitante
Tratamento clínico
Caminhada programada
Cilostazol
Controle de fatores de risco
2Claudicação limitante
Avaliação para revascularização
3Isquemia crítica (úlcera, dor em repouso)
Revascularização urgente
Terapia medicamentosa otimizada
Antiagregante (AAS)
Estatina
Controle glicêmico/pressórico
Cessação do tabagismo
Avaliação hemodinâmica
Índice tornozelo-braço
Duplex scan
Angiotomografia/angiografia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A monoterapia com cilostazol é insuficiente. O cilostazol (inibidor da fosfodiesterase 3, 50–100 mg 12/12h) é útil para aumentar a distância de marcha na claudicação intermitente, mas o paciente já tem isquemia crítica com lesão ulcerada — estágio em que a revascularização é necessária e a monoterapia não é suficiente. Além disso, a alternativa ignora a necessidade de antiagregante plaquetário e estatina, que são recomendados para todos os pacientes com DAOP, independentemente do sintoma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Realizar angioplastia endovascular antes de qualquer ajuste medicamentoso inverte a ordem correta. A revascularização é indicada, mas deve ser precedida de avaliação hemodinâmica/anatômica para definir a melhor estratégia (endovascular vs. cirúrgica) e de otimização clínica. A angioplastia não é o primeiro passo isolado — ela é uma das opções dentro de um plano que inclui terapia medicamentosa e avaliação prévia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa sintetiza o manejo correto da isquemia crítica: terapia combinada com antiagregantes plaquetários e estatinas (prevenção cardiovascular obrigatória em todo paciente com DAOP) e avaliação hemodinâmica para orientar o tratamento cirúrgico (revascularização). O paciente tem lesão ulcerada, o que configura isquemia crítica com indicação de revascularização — mas a decisão entre cirurgia aberta e endovascular depende da avaliação hemodinâmica e anatômica. É exatamente essa combinação de tratamento clínico + planejamento invasivo que a alternativa C expressa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Controlar fatores de risco e aguardar evolução clínica" é conduta aceitável apenas para claudicação intermitente não limitante, sem isquemia crítica. No paciente com lesão ulcerada (isquemia crítica), aguardar é perigoso: o risco de amputação é alto e a revascularização é urgente. A alternativa confunde o manejo da claudicação estável com o da isquemia crítica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular não é tratamento da DAOP. A anticoagulação não tem papel no manejo da doença aterosclerótica obstrutiva periférica — o que se usa é antiagregação plaquetária (AAS) para prevenção de eventos cardiovasculares. A alternativa troca o antiagregante pelo anticoagulante, um erro conceitual grave.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os estágios da DAOP. Na claudicação intermitente não limitante, a conduta é clínica (caminhada programada, cilostazol, controle de fatores de risco). Mas o paciente do enunciado tem lesão ulcerada = isquemia crítica, que muda completamente a urgência: exige revascularização. As alternativas A e D descrevem o manejo da claudicação estável, enquanto B e E erram ao escolher um único procedimento ou droga isolados. A chave é identificar o estágio pelo dado clínico (úlcera) e lembrar que isquemia crítica = tratamento clínico + avaliação para cirurgia.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando o enunciado trouxer "lesão ulcerada", "dor em repouso" ou "gangrena", pense imediatamente em isquemia crítica — e a resposta correta quase sempre envolverá revascularização + otimização clínica. Monte o esquema mental: claudicação não limitante → clínico; claudicação limitante ou isquemia crítica → avaliação cirúrgica + clínico. Essa distinção resolve a maioria das questões de DAOP.