Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg727937
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Paciente do sexo feminino de 29 anos, com diagnóstico confirmado de síndrome de KlippelTrenaunay, apresenta piora progressiva de edema, dor e úlceras recorrentes no membro inferior esquerdo, acometido por hipertrofia óssea, grandes varizes e malformações venosas de baixo fluxo. Após avaliação clínica e exames de imagem, o médico vascular deve definir o manejo terapêutico mais apropriado para controle dos sintomas e prevenção de complicações.Qual das condutas a seguir representa o tratamento mais adequado para o manejo clínico e intervencionista dessa paciente?
AUso exclusivo de meias compressivas e analgesia, com acompanhamento ambulatorial de rotina.
BLigadura cirúrgica ampla das veias superficiais varicosas e ressecção do segmento ósseo hipertrofiado, associado ao decúbito horizontal e à elevação intermitente do membro afetado, para diminuir o edema.
CAbordagem multidisciplinar com terapêutica combinada: controle do edema com compressão elástica, analgesia, tratamento endovascular das malformações venosas e, se indicado, intervenção cirúrgica seletiva.
DAnticoagulação plena de forma contínua, com suspensão do uso de terapia compressiva.
EUso prolongado de corticosteroides sistêmicos para controle da inflamação e regressão das malformações, com terapia linfática de compressão pneumática intermitente no membro acometido pela malformação.
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GabaritoC — Abordagem multidisciplinar com terapêutica combinada: controle do edema com compressão elástica, analgesia, tratamento endovascular das malformações venosas e, se indicado, intervenção cirúrgica seletiva.
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Síndrome de Klippel-Trenaunay: manejo terapêutico
Gabarito: letra C. A síndrome de Klippel-Trenaunay (SKT) é uma angiodisplasia complexa caracterizada pela tríade clássica de malformações venosas de baixo fluxo, varizes atípicas e hipertrofia óssea/tecidual do membro afetado. O manejo adequado exige abordagem multidisciplinar e terapêutica combinada — controle do edema com compressão elástica, analgesia, tratamento endovascular das malformações venosas e, quando indicado, cirurgia seletiva — pois não existe tratamento único e curativo, e a conduta deve ser individualizada conforme a sintomatologia e as complicações.
A síndrome de Klippel-Trenaunay é uma malformação vascular congênita rara, de baixo fluxo, que acomete tipicamente um membro inferior, causando hipertrofia óssea e de partes moles, varizes atípicas (frequentemente não sistematizadas, como descrito no material de apoio) e manchas vinho do porto. O diagnóstico é clínico, confirmado por exames de imagem (ultrassonografia com Doppler, ressonância magnética, flebografia), e o tratamento visa o controle sintomático e a prevenção de complicações como úlceras, sangramentos, trombose e deformidades.
A base do tratamento clínico é a compressão elástica (meias de compressão graduada), que reduz o edema, melhora o retorno venoso e protege a pele de lesões tróficas. A analgesia é importante para o controle da dor, frequentemente causada pela congestão venosa e pela distensão das varizes. O tratamento endovascular (escleroterapia, embolização, laser) é indicado para o tratamento das malformações venosas e varizes sintomáticas, especialmente quando há dor, ulceração ou risco de trombose. A cirurgia é reservada para casos selecionados, como ressecção de varizes volumosas, correção de malformações acessíveis ou quando há complicações específicas — sempre de forma seletiva e individualizada.
A abordagem deve ser multidisciplinar, envolvendo cirurgião vascular, dermatologista, ortopedista, fisioterapeuta e outros especialistas, pois a doença afeta múltiplos sistemas e o plano terapêutico precisa ser coordenado. Não há tratamento curativo; o objetivo é o controle dos sintomas, a prevenção de complicações e a melhora da qualidade de vida. A decisão entre tratamento clínico, endovascular e cirúrgico depende da extensão das malformações, da gravidade dos sintomas, da presença de complicações e da resposta ao tratamento conservador.
A pegadinha central desta questão é a tentação de escolher uma conduta única e radical (como a ligadura ampla de varizes ou a anticoagulação plena), quando a realidade é que a SKT exige uma combinação de medidas, adaptadas ao caso. A banca explora a confusão entre o tratamento de varizes primárias (que pode ser cirúrgico) e o tratamento das malformações venosas complexas (que raramente é exclusivamente cirúrgico e exige abordagem multimodal). Guarde o princípio: na SKT, o tratamento é combinado, individualizado e multidisciplinar — é exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.
Síndrome de Klippel-Trenaunay
1Tríade clássica
Malformações venosas de baixo fluxo
Varizes atípicas
Hipertrofia óssea/tecidual
2Tratamento
Abordagem multidisciplinar
Terapêutica combinada
Compressão elástica (edema)
Analgesia (dor)
Endovascular (malformações)
Cirurgia seletiva (casos específicos)
Conduta única e radical
Ligadura ampla de varizes
Anticoagulação plena contínua
Corticosteroides sistêmicos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso exclusivo de meias compressivas e analgesia, com acompanhamento ambulatorial de rotina, é insuficiente para o caso descrito. A paciente apresenta piora progressiva de edema, dor e úlceras recorrentes, o que indica necessidade de intervenção adicional, não apenas medidas conservadoras. Embora a compressão elástica e a analgesia sejam parte do tratamento, a abordagem exclusivamente clínica não aborda as malformações venosas subjacentes, que podem ser tratadas por via endovascular, e não previne adequadamente a recorrência de úlceras. A alternativa ignora a necessidade de tratamento intervencionista diante da gravidade do quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ligadura cirúrgica ampla das veias superficiais varicosas e a ressecção do segmento ósseo hipertrofiado são condutas inadequadas e potencialmente danosas. Na SKT, as varizes são frequentemente atípicas, difusas e associadas a malformações venosas profundas; a ligadura ampla pode comprometer vias de drenagem colaterais importantes e agravar o edema e a estase venosa. A ressecção óssea não é indicada para hipertrofia óssea na SKT, pois não trata a causa e pode causar deformidades e complicações. O decúbito horizontal e a elevação intermitente do membro são medidas adjuvantes, mas não substituem o tratamento específico das malformações. A conduta cirúrgica deve ser seletiva, não ampla e indiscriminada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A abordagem multidisciplinar com terapêutica combinada é a conduta mais adequada para o manejo da SKT. O controle do edema com compressão elástica é a base do tratamento clínico, reduzindo a estase venosa e prevenindo lesões tróficas. A analgesia é essencial para o controle da dor. O tratamento endovascular das malformações venosas (escleroterapia, embolização) é indicado para reduzir o volume das malformações, aliviar sintomas e prevenir complicações. A intervenção cirúrgica seletiva pode ser necessária em casos específicos, como ressecção de varizes volumosas ou correção de malformações acessíveis. Essa combinação de medidas, coordenada por uma equipe multidisciplinar, é o padrão de tratamento recomendado para a SKT, pois aborda os múltiplos aspectos da doença de forma individualizada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A anticoagulação plena de forma contínua, com suspensão do uso de terapia compressiva, é uma conduta inadequada e perigosa. A anticoagulação não é indicada como tratamento de rotina na SKT, pois a doença é caracterizada por malformações venosas de baixo fluxo, e o risco de sangramento (especialmente de malformações e varizes) supera o benefício antitrombótico. Além disso, a suspensão da terapia compressiva é contraproducente, pois a compressão é fundamental para o controle do edema e a prevenção de complicações. A anticoagulação pode ser considerada em situações específicas, como trombose venosa profunda associada, mas não como tratamento contínuo e isolado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso prolongado de corticosteroides sistêmicos para controle da inflamação e regressão das malformações não é indicado na SKT. As malformações venosas são lesões estruturais, não processos inflamatórios que respondam a corticosteroides; o uso sistêmico prolongado causa efeitos adversos significativos (imunossupressão, osteoporose, hiperglicemia) sem benefício comprovado. A terapia linfática com compressão pneumática intermitente pode ser útil para o controle do edema, mas não é o tratamento principal das malformações venosas e não substitui a abordagem combinada. A alternativa propõe uma conduta sem fundamento científico e potencialmente prejudicial.
Gabarito: letra C — a abordagem multidisciplinar com terapêutica combinada (compressão elástica, analgesia, tratamento endovascular e cirurgia seletiva) é o manejo mais adequado para a síndrome de Klippel-Trenaunay.