Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg727949
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Qual condição pode alterar a medida das velocidades de fluxo na artéria carótida?
AHipotensão.
BTaquicardia sinusal.
CBradicardia sinusal.
DBifurcação carotídea alta.
EValvopatias aórticas (estenose ou insuficiência).
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GabaritoE — Valvopatias aórticas (estenose ou insuficiência).
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Doppler de carótidas: fatores que alteram a velocidade de fluxo
Gabarito: letra E. As valvopatias aórticas (estenose ou insuficiência) alteram diretamente a hemodinâmica central — a estenose reduz o pico sistólico e a insuficiência aumenta a pressão de pulso —, modificando o padrão de fluxo na artéria carótida e, por consequência, as velocidades medidas ao Doppler. As demais alternativas (hipotensão, taquicardia, bradicardia e bifurcação alta) não alteram de forma relevante a velocidade de fluxo carotídeo, sendo a bifurcação alta apenas uma variação anatômica.
O exame Doppler das artérias carótidas mede a velocidade do fluxo sanguíneo para estimar o grau de estenose. A velocidade é determinada pela equação de Bernoulli e pela continuidade do fluxo: em um ponto de estreitamento, a velocidade aumenta para manter o débito. Por isso, qualquer condição que altere a hemodinâmica central — o débito cardíaco, a pressão arterial ou o padrão de ejeção — pode modificar as velocidades medidas, mesmo sem doença carotídea local.
As valvopatias aórticas são o exemplo clássico. Na estenose aórtica, a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo gera um jato de alta velocidade na aorta ascendente e um pico sistólico tardio, com redução da amplitude do pulso carotídeo (pulso anacrótico). Na insuficiência aórtica, o refluxo diastólico aumenta a pressão de pulso e produz um pulso carotídeo de grande amplitude e colapso rápido (pulso de Corrigan). Ambos os padrões alteram as velocidades sistólicas e diastólicas medidas no Doppler carotídeo, podendo levar a erros de interpretação se não forem reconhecidos.
A hipotensão (alternativa A) reduz a pressão de perfusão, mas o fluxo cerebral é mantido por autorregulação, e a velocidade carotídea não se altera de forma significativa. A taquicardia (B) encurta o tempo de enchimento diastólico, mas o efeito sobre a velocidade carotídea é mínimo. A bradicardia (C) aumenta o tempo diastólico, mas também não altera a velocidade de forma relevante. A bifurcação carotídea alta (D) é uma variação anatômica que pode dificultar o exame, mas não altera a velocidade do fluxo em si.
A pegadinha desta questão está em distinguir as condições que alteram a hemodinâmica central (valvopatias) daquelas que apenas afetam a pressão arterial periférica ou a anatomia local. A banca explora a associação automática entre hipotensão e fluxo, mas a autorregulação cerebral mantém o fluxo carotídeo relativamente constante. O critério decisivo é: a condição altera o padrão de ejeção ventricular ou a pressão de pulso? Se sim, altera a velocidade carotídea; se não, não altera.
Fatores que alteram a velocidade no Doppler carotídeo
1Alteram (hemodinâmica central)
Estenose aórtica (pulso anacrótico)
Insuficiência aórtica (pulso de Corrigan)
2Não alteram
Hipotensão (autorregulação cerebral)
Taquicardia sinusal
Bradicardia sinusal
Bifurcação alta (variação anatômica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipotensão reduz a pressão de perfusão, mas o fluxo cerebral é mantido por autorregulação. A velocidade carotídea não se altera de forma significativa em quadros de hipotensão, pois o organismo compensa para manter o fluxo cerebral constante. A banca explora a associação automática entre pressão baixa e fluxo baixo, mas a autorregulação cerebral impede essa relação direta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A taquicardia sinusal encurta o tempo de enchimento diastólico, mas o efeito sobre a velocidade carotídea é mínimo. O débito cardíaco pode até aumentar, mas a velocidade de fluxo na carótida não se altera de forma relevante. A taquicardia pode diminuir a amplitude do pulso, mas não altera a velocidade medida ao Doppler de forma significativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A bradicardia sinusal aumenta o tempo diastólico, mas também não altera a velocidade carotídea de forma relevante. O fluxo cerebral é mantido por autorregulação, e a velocidade na carótida permanece relativamente constante. A bradicardia isolada não é uma condição que altere as velocidades de fluxo carotídeo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A bifurcação carotídea alta é uma variação anatômica que pode dificultar o exame Doppler, mas não altera a velocidade do fluxo em si. A velocidade é determinada pela hemodinâmica, não pela posição anatômica da bifurcação. A banca explora a confusão entre dificuldade técnica e alteração fisiológica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As valvopatias aórticas (estenose ou insuficiência) alteram diretamente a hemodinâmica central. Na estenose, o pico sistólico é tardio e a amplitude do pulso é reduzida (pulso anacrótico). Na insuficiência, a pressão de pulso aumenta e o pulso carotídeo é de grande amplitude e colapso rápido (pulso de Corrigan). Ambos os padrões alteram as velocidades sistólicas e diastólicas medidas no Doppler carotídeo, podendo levar a erros de interpretação se não forem reconhecidos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as valvopatias aórticas (que alteram a hemodinâmica central e, portanto, a velocidade carotídea) por condições periféricas como hipotensão ou arritmias. A hipotensão parece intuitiva, mas a autorregulação cerebral mantém o fluxo carotídeo constante. A bifurcação alta é apenas uma variação anatômica que dificulta o exame, não altera a velocidade. O critério é: a condição altera o padrão de ejeção ventricular ou a pressão de pulso? Se sim, altera a velocidade carotídea.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre Doppler de carótidas, foque nas condições que alteram a hemodinâmica central: valvopatias aórticas, insuficiência cardíaca, hipertireoidismo (alto débito). Condições periféricas como hipotensão ou arritmias isoladas não alteram a velocidade carotídea de forma relevante. Memorize os padrões de pulso: anacrótico (estenose aórtica), Corrigan (insuficiência aórtica), bisfério (insuficiência aórtica pura ou cardiomiopatia hipertrófica).