Questão de Medicina — Angiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Angiologia
Código
qg727956
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Cirurgia Vascular
Qual exame é prioritariamente utilizado para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário e auxiliar na avaliação de casos de esclerose sistêmica?
ACapilaroscopia periungueal.
BFotopletismografia.
CUltrassonografia com Doppler.
DOximetria cutânea.
EArteriografia.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Capilaroscopia periungueal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Capilaroscopia periungueal no diagnóstico diferencial do fenômeno de Raynaud
Gabarito: letra A. A capilaroscopia periungueal é o exame prioritário para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário, pois permite visualizar diretamente as alterações dos capilares do leito ungueal — megacapilares, hemorragias, neovascularização e áreas avasculares — que são características da esclerose sistêmica e de outras doenças do tecido conjuntivo, estando ausentes no Raynaud primário. Essa distinção é fundamental na avaliação de pacientes com suspeita de esclerose sistêmica, conforme destacado na literatura médica sobre o tema.
O fenômeno de Raynaud é uma resposta vascular exagerada ao frio ou ao estresse emocional, caracterizada por alterações simétricas na coloração das extremidades, geralmente das mãos, em três fases: palidez (vasoconstrição), cianose (estase capilar) e hiperemia (vasodilatação compensatória). Quando essa manifestação ocorre de forma isolada, sem associação com outras doenças, é chamada de doença de Raynaud ou fenômeno de Raynaud primário. Já o fenômeno de Raynaud secundário ocorre quando a manifestação está associada a uma doença sistêmica, como esclerose sistêmica (esclerodermia), lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, doença arterial obstrutiva, doença ocupacional (traumas vibracionais), uso de medicamentos (derivados do ergot, bloqueadores β-adrenérgicos) ou neoplasias.
A importância da capilaroscopia periungueal reside na sua capacidade de identificar alterações microvasculares específicas que indicam a presença de uma doença do tecido conjuntivo subjacente. Na esclerose sistêmica, por exemplo, os capilares ungueais apresentam padrões anormais, como megacapilares (capilares dilatados), hemorragias, neovascularização (formação de novos capilares) e áreas avasculares (regiões sem capilares). Essas alterações são consideradas um dos critérios de classificação da esclerose sistêmica, conforme os critérios ACR/EULAR de 2013, que atribuem 2 pontos à capilaroscopia periungueal alterada. No fenômeno de Raynaud primário, essas alterações capilares estão ausentes, o que torna a capilaroscopia um exame decisivo para o diagnóstico diferencial.
Na prática clínica, a capilaroscopia periungueal é um exame não invasivo, de baixo custo e amplamente disponível, que consiste na observação dos capilares do leito ungueal com auxílio de um dermatoscópio ou de um microscópio específico. O exame é realizado com a aplicação de uma gota de óleo de imersão na pele próxima à cutícula e a observação dos capilares com aumento de 10 a 50 vezes. As alterações capilares podem ser classificadas em padrões, como o padrão "scleroderma" (SD), que é característico da esclerose sistêmica e se associa a um pior prognóstico. A presença desse padrão, juntamente com a positividade para anticorpos antinucleares (ANA) e a perda de tecido nas pontas dos dedos, identifica pacientes com fenômeno de Raynaud que apresentam ou podem desenvolver esclerose sistêmica ou outra doença do tecido conjuntivo.
A distinção entre o fenômeno de Raynaud primário e o secundário é crucial, pois o manejo e o prognóstico são diferentes. No primário, o tratamento é baseado em medidas gerais, como proteção contra o frio, cessação do tabagismo e, se necessário, uso de bloqueadores dos canais de cálcio (como nifedipino) ou simpaticolíticos (como prazosina). No secundário, o tratamento deve ser direcionado ao controle da doença básica, e o uso de vasodilatadores pode ser necessário, especialmente em casos de úlceras digitais associadas à esclerose sistêmica. A capilaroscopia periungueal, portanto, não apenas auxilia no diagnóstico diferencial, mas também orienta a conduta terapêutica e o acompanhamento do paciente.
A banca explora a confusão entre os exames que avaliam a circulação arterial e aqueles que avaliam a microcirculação. Enquanto a capilaroscopia periungueal é específica para a avaliação dos capilares do leito ungueal, os demais exames listados — fotopletismografia, ultrassonografia com Doppler, oximetria cutânea e arteriografia — são métodos que avaliam a circulação arterial em diferentes níveis, mas não são capazes de identificar as alterações capilares características das doenças do tecido conjuntivo. Guarde essa distinção: a capilaroscopia periungueal é o exame de escolha para a avaliação da microcirculação e o diagnóstico diferencial do fenômeno de Raynaud, enquanto os outros exames são mais úteis para a avaliação de doenças arteriais obstrutivas.
Fenômeno de Raynaud: Primário (doença de Raynaud) (Sem doença associada, Capilaroscopia normal); Secundário (Esclerose sistêmica, Lúpus eritematoso sistêmico, Artrite reumatoide, Doença ocupacional (vibração), Medicamentos (β-bloqueadores)); Capilaroscopia periungueal (Megacapilares, Hemorragias, Neovascularização, Áreas avasculares)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A capilaroscopia periungueal é o exame prioritário para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário, pois permite a visualização direta dos capilares do leito ungueal. As alterações capilares, como megacapilares, hemorragias, neovascularização e áreas avasculares, são características da esclerose sistêmica e de outras doenças do tecido conjuntivo, estando ausentes no Raynaud primário. Essas alterações são um dos critérios de classificação da esclerose sistêmica (ACR/EULAR 2013), o que reforça a importância do exame na avaliação de casos suspeitos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A fotopletismografia é um exame que avalia o fluxo sanguíneo periférico por meio da variação do volume sanguíneo nos tecidos, sendo útil na avaliação de doenças arteriais obstrutivas, como a doença arterial periférica. No entanto, não é capaz de identificar as alterações capilares específicas das doenças do tecido conjuntivo, como a esclerose sistêmica, e, portanto, não é o exame prioritário para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ultrassonografia com Doppler é um exame de imagem não invasivo que avalia o fluxo sanguíneo em artérias e veias, sendo útil na avaliação de doenças arteriais obstrutivas, como a doença arterial periférica e a oclusão arterial aguda. No entanto, não é capaz de avaliar a microcirculação capilar do leito ungueal, sendo, portanto, inadequada para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A oximetria cutânea é um exame que mede a saturação de oxigênio no sangue periférico, sendo útil na avaliação da perfusão tecidual. No entanto, não é capaz de identificar as alterações capilares características das doenças do tecido conjuntivo, como a esclerose sistêmica, e, portanto, não é o exame prioritário para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A arteriografia é um exame invasivo que avalia a anatomia arterial, sendo considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de doenças arteriais obstrutivas, como a oclusão arterial aguda. No entanto, não é capaz de avaliar a microcirculação capilar do leito ungueal, sendo, portanto, inadequada para diferenciar o fenômeno de Raynaud primário do secundário. Além disso, por ser um exame invasivo, não é utilizado rotineiramente para essa finalidade.