Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg727966
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
No contexto do Sistema Único de Saúde, a telemedicina e a atenção domiciliar têm sido utilizadas como estratégias complementares para ampliar o acesso, garantir continuidade do cuidado e otimizar recursos assistenciais. Considerando os princípios técnicos, éticos e organizacionais atualmente adotados no SUS, qual situação é mais adequada para utilização de telemedicina como modalidade principal de acompanhamento, em vez de atendimento presencial?
AAvaliação inicial de paciente com dor torácica aguda e instabilidade hemodinâmica.
BSeguimento de paciente crônico estável, com diagnóstico definido e plano terapêutico estabelecido.
CAtendimento de urgência neurológica com déficit focal de início súbito.
DInvestigação diagnóstica inicial de quadro abdominal agudo.
ESituação clínica em que o exame físico é indispensável para decisão terapêutica imediata.
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GabaritoB — Seguimento de paciente crônico estável, com diagnóstico definido e plano terapêutico estabelecido.
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Telemedicina no SUS: quando é a modalidade principal de acompanhamento
Gabarito: letra B. A telemedicina é mais adequada como modalidade principal de acompanhamento no seguimento de paciente crônico estável, com diagnóstico definido e plano terapêutico estabelecido, pois nesse cenário a anamnese de qualidade, a ectoscopia e os sinais vitais são suficientes para a continuidade do cuidado, sem necessidade de exame físico presencial para decisão imediata. Essa é a situação que melhor se alinha aos princípios técnicos e organizacionais atualmente adotados no SUS, que priorizam a telemedicina como ferramenta de ampliação de acesso e coordenação assistencial, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS).
A telemedicina, no contexto do SUS, é uma estratégia complementar que utiliza tecnologias de informação e comunicação para prestar assistência à distância, com o objetivo de ampliar o acesso, garantir a continuidade do cuidado e otimizar recursos. Seu uso é regulado por princípios éticos e técnicos que definem quando a modalidade é apropriada. O ponto central é que a telemedicina não substitui o atendimento presencial em situações de urgência, emergência ou quando o exame físico é indispensável para a decisão terapêutica imediata. Ela é mais eficaz no acompanhamento de pacientes já conhecidos pelo médico, especialmente portadores de condições crônicas, pois a longitudinalidade e o vínculo estabelecido permitem que a anamnese e a ectoscopia sejam suficientes para o manejo clínico.
Na prática, um paciente hipertenso ou diabético, estável, com medicações ajustadas e consultas de rotina, pode ser acompanhado por teleconsulta, com a possibilidade de agendamento de consulta presencial se houver qualquer sinal de alerta. Por outro lado, um paciente com dor torácica aguda, instabilidade hemodinâmica, déficit neurológico focal ou abdome agudo exige avaliação presencial imediata, pois o exame físico e a propedêutica armada são essenciais para o diagnóstico e a conduta. A telemedicina pode até auxiliar na triagem ou na regulação, mas nunca como modalidade principal nesses casos.
A distinção fundamental é entre acompanhamento de condições crônicas estáveis (onde a telemedicina é adequada) e situações agudas ou que exigem exame físico para decisão imediata (onde o atendimento presencial é obrigatório). A banca explora exatamente essa fronteira: as alternativas incorretas descrevem cenários de urgência ou de necessidade de exame físico, enquanto a correta descreve o seguimento de paciente crônico estável. Guarde esse critério: telemedicina como modalidade principal = paciente conhecido, estável, com plano terapêutico definido e sem necessidade de exame físico presencial para decisão imediata.
Telemedicina como modalidade principal
1Adequada
Paciente crônico estável
Diagnóstico definido
Plano terapêutico estabelecido
Anamnese + ectoscopia + sinais vitais suficientes
2Inadequada
Urgência/emergência
Exame físico indispensável
Decisão terapêutica imediata
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Avaliação inicial de paciente com dor torácica aguda e instabilidade hemodinâmica é uma emergência médica que exige atendimento presencial imediato, com monitorização, exame físico e propedêutica armada (ECG, marcadores de necrose, etc.). A telemedicina não é adequada como modalidade principal nesse cenário, pois a decisão terapêutica é urgente e depende de avaliação presencial. A banca troca o contexto de urgência pelo de acompanhamento crônico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Seguimento de paciente crônico estável, com diagnóstico definido e plano terapêutico estabelecido, é a situação ideal para telemedicina como modalidade principal. Nesse caso, a anamnese, a ectoscopia e os sinais vitais são suficientes para avaliar a evolução, ajustar medicações e garantir a continuidade do cuidado, sem necessidade de exame físico presencial para decisão imediata. Isso está alinhado com a longitudinalidade da APS e com a otimização de recursos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atendimento de urgência neurológica com déficit focal de início súbito é uma emergência (provável AVC) que exige avaliação presencial imediata, com exame neurológico completo, neuroimagem e decisão terapêutica em tempo hábil (trombólise, por exemplo). A telemedicina pode auxiliar na teleneurologia para triagem e suporte, mas não como modalidade principal de acompanhamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Investigação diagnóstica inicial de quadro abdominal agudo exige exame físico presencial (inspeção, palpação, percussão, ausculta) e propedêutica complementar (exames de imagem, laboratoriais) para definir a conduta. A telemedicina não é adequada para essa investigação inicial, pois o exame físico é indispensável para o raciocínio diagnóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Situação clínica em que o exame físico é indispensável para decisão terapêutica imediata é, por definição, uma contraindicação à telemedicina como modalidade principal. A telemedicina não permite a realização de exame físico completo, e quando esse exame é essencial para a conduta, o atendimento presencial é obrigatório. A alternativa descreve exatamente o oposto da situação adequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre telemedicina como ferramenta de triagem/regulação (que pode ser usada em urgências) e telemedicina como modalidade principal de acompanhamento (que só é adequada em situações estáveis). Nas alternativas A, C e D, a telemedicina até poderia auxiliar na triagem, mas a questão pede a situação em que ela é a modalidade principal — e isso só ocorre no seguimento de crônicos estáveis. Fique atento a essa distinção: se a alternativa descreve urgência ou necessidade de exame físico para decisão imediata, ela está incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões sobre telemedicina, pergunte-se: o paciente precisa de exame físico presencial para decisão imediata? Se sim, a telemedicina não é a modalidade principal. Se não, e o paciente é crônico estável com plano terapêutico definido, a telemedicina é adequada. Essa é a régua que separa as alternativas corretas das incorretas.