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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg727969
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Paciente de 59 anos, em hemodiálise irregular, é trazido ao pronto-socorro após colapso súbito em domicílio. Encontra-se em parada cardiorrespiratória em assistolia. Durante a reanimação, gasometria arterial revela pH 7,05 e potássio sérico estimado de 7,2 mEq/L. Além das manobras-padrão de reanimação cardiopulmonar, qual intervenção tem maior racional fisiopatológico imediato nesse cenário?
  1. AAdministração rotineira de bicarbonato de sódio em bólus.
  2. BInfusão imediata de gluconato de cálcio intravenoso.
  3. CDiálise peritoneal durante a ressuscitação.
  4. DAdministração de antiarrítmico classe III.
  5. EVentilação com hiperventilação agressiva.
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GabaritoB — Infusão imediata de gluconato de cálcio intravenoso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipercalemia grave em parada cardiorrespiratória: o papel do cálcio

Gabarito: letra B. Em paciente em PCR com assistolia e hipercalemia grave (K⁺ 7,2 mEq/L), a intervenção com maior racional fisiopatológico imediato é a infusão de gluconato de cálcio intravenoso, pois o cálcio antagoniza diretamente os efeitos da hipercalemia na membrana celular, estabilizando o miocárdio e reduzindo o risco de arritmias fatais — efeito que ocorre em minutos, independentemente da correção do potássio sérico. Essa conduta é recomendada pelas diretrizes de suporte avançado de vida em cardiologia (SBC 2019) e pela literatura de emergências.

A hipercalemia é uma das causas reversíveis mais importantes de parada cardiorrespiratória, especialmente em pacientes com doença renal crônica em hemodiálise irregular, como o caso descrito. O potássio elevado despolariza parcialmente a membrana celular, tornando o potencial de repouso menos negativo e aproximando-o do limiar de excitabilidade. Isso deixa as células cardíacas hiperexcitáveis inicialmente, mas, com a progressão, leva à diminuição da excitabilidade, lentificação da condução e, finalmente, à assistolia. O eletrocardiograma típico evolui com ondas T apiculadas, alargamento do QRS, desaparecimento da onda P e, por fim, padrão sinusoidal que precede a parada.

O racional do cálcio intravenoso nesse cenário é puramente eletrofisiológico: o íon cálcio aumenta o limiar de excitabilidade da membrana, antagonizando diretamente o efeito do potássio. Ele não reduz o potássio sérico, mas protege o coração dos efeitos letais da hipercalemia enquanto as medidas definitivas de remoção de potássio (como hemodiálise) são instituídas. O efeito é rápido, ocorrendo em 1 a 3 minutos, e por isso é a primeira medida farmacológica indicada na hipercalemia grave com instabilidade elétrica ou PCR. A dose usual é de 10 mL de gluconato de cálcio a 10% (ou cloreto de cálcio) em infusão lenta, podendo ser repetida se necessário.

As demais alternativas representam condutas que, embora possam ter algum papel em contextos específicos, não são a prioridade imediata neste cenário. O bicarbonato de sódio pode ser considerado na acidose grave, mas seu efeito na hipercalemia é lento e incerto, e não é recomendado rotineiramente na PCR. A diálise peritoneal é ineficaz e impraticável durante a ressuscitação. Antiarrítmicos classe III não têm papel na assistolia por hipercalemia. A hiperventilação agressiva pode até piorar o quadro por reduzir o potássio intracelular de forma inadequada e causar alcalose respiratória, que pode agravar a hipocalemia relativa.

A distinção crucial que a banca explora é entre o tratamento da causa (remoção de potássio) e o tratamento do efeito (estabilização da membrana). O cálcio trata o efeito imediatamente, ganhando tempo para que a causa seja abordada. É exatamente essa hierarquia de prioridades que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Cálcio IV (estabiliza membrana)
  2. 2Insulina + glicose (desloca p/ célula)
  3. 3Bicarbonato (acidose associada)
  4. 4Hemodiálise (remove potássio)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O bicarbonato de sódio em bólus não é recomendado rotineiramente na PCR, mesmo com acidose grave. Seu efeito na hipercalemia é controverso e lento, e pode causar alcalose paradoxal, hipernatremia e piora da acidose intracelular. Na hipercalemia, o bicarbonato pode ser considerado em casos selecionados (acidose metabólica associada), mas não é a intervenção de primeira linha na PCR com assistolia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O gluconato de cálcio intravenoso é a medida imediata de maior racional fisiopatológico na hipercalemia grave com PCR. Ele antagoniza diretamente os efeitos do potássio na membrana celular, estabilizando o miocárdio e prevenindo arritmias fatais. O efeito é rápido (1-3 minutos) e não depende da correção do potássio sérico, sendo a primeira medida farmacológica indicada nesse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A diálise peritoneal é um método de remoção de potássio, mas é lenta, ineficaz e impraticável durante a ressuscitação cardiopulmonar. A hemodiálise é o método de escolha para remoção rápida de potássio, mas não é viável no momento imediato da PCR. A prioridade é estabilizar a membrana com cálcio, não tentar remover potássio durante a reanimação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Antiarrítmicos classe III (como amiodarona) não têm papel na assistolia por hipercalemia. A assistolia é um ritmo de parada que não responde a antiarrítmicos; o tratamento é a RCP de alta qualidade, adrenalina e correção das causas reversíveis, incluindo a hipercalemia. O uso de antiarrítmicos na assistolia é inócuo e pode até piorar o quadro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hiperventilação agressiva não é indicada na PCR e pode ser prejudicial. Ela aumenta a pressão intratorácica, reduz o retorno venoso e o débito cardíaco, e pode causar alcalose respiratória, que agrava a hipocalemia relativa e piora a excitabilidade neuronal. Na hipercalemia, a ventilação deve ser adequada, mas não agressiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tratar a causa (remover potássio) e tratar o efeito (estabilizar a membrana). O candidato pode ser tentado a escolher a diálise (C) ou o bicarbonato (A) por pensar em corrigir a hipercalemia, mas na PCR o que salva o paciente imediatamente é o cálcio, que antagoniza o potássio na membrana em minutos. Lembre-se: primeiro estabiliza, depois remove.

PEGA ESSA DICA!

Na hipercalemia grave com instabilidade elétrica ou PCR, a sequência mental é: Cálcio primeiro (estabiliza a membrana), depois insulina + glicose e bicarbonato (deslocam o potássio para dentro da célula), e por fim hemodiálise (remove o potássio do corpo). Memorize essa ordem e você acerta qualquer questão sobre o tema.

Gabarito: letra B — infusão imediata de gluconato de cálcio intravenoso.

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