Questão de Medicina — Medicina Preventiva — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Medicina Preventiva
Código
qg727972
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Homem de 52 anos, assintomático, sem antecedentes pessoais ou familiares de câncer colorretal, procura a unidade básica de saúde para consulta de rotina. Não apresenta comorbidades relevantes. De acordo com as recomendações atuais para detecção precoce do câncer colorretal em indivíduos de risco habitual, a conduta mais adequada nesse caso é
Ainiciar rastreamento a partir dos 45 anos com método validado.
Bsolicitar colonoscopia diagnóstica imediata como exame único.
Ciniciar rastreamento apenas aos 60 anos com colonoscopia.
Dsolicitar pesquisa de sangue oculto nas fezes apenas se houver sintomas.
Enão indicar rastreamento na ausência de história familiar positiva.
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GabaritoA — iniciar rastreamento a partir dos 45 anos com método validado.
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Rastreamento do câncer colorretal em risco habitual
Gabarito: letra A. Para homens de 52 anos, assintomáticos e sem fatores de risco, a conduta correta é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos com método validado — conforme as diretrizes atuais (USPSTF 2021 e INCA), que reduziram a idade de início de 50 para 45 anos. O paciente não tem indicação de colonoscopia diagnóstica imediata (é assintomático), nem de aguardar os 60 anos, e o rastreamento não deve ser negado pela ausência de história familiar.
O rastreamento do câncer colorretal (CCR) é uma das estratégias de prevenção secundária mais eficazes em oncologia, pois a doença tem uma história natural longa — o adenoma leva em média 10 anos para evoluir a carcinoma —, o que abre uma janela de oportunidade para detecção e remoção de lesões precursoras. Em indivíduos de risco habitual (sem história pessoal ou familiar de CCR, sem doença inflamatória intestinal, sem síndromes hereditárias), o objetivo não é diagnosticar sintomas, mas detectar lesões pré-clínicas em população assintomática.
A recomendação atual mais aceita internacionalmente é a da US Preventive Services Task Force (USPSTF), atualizada em 2021: iniciar o rastreamento aos 45 anos e mantê-lo até os 75 anos, com periodicidade definida pelo método escolhido. Essa mudança de 50 para 45 anos foi motivada pelo aumento da incidência de CCR em adultos jovens e por modelos de custo-efetividade que mostraram benefício líquido na nova faixa etária. No Brasil, o INCA e o Ministério da Saúde historicamente recomendam o início aos 50 anos, mas as provas de residência e concursos têm adotado a diretriz americana mais recente — e é exatamente isso que a alternativa A reflete.
Os métodos validados para rastreamento são: teste imunoquímico fecal (FIT) anual, sangue oculto nas fezes (gFOBT) anual ou bienal, sigmoidoscopia flexível a cada 5 anos, colonoscopia a cada 10 anos, e colonografia por TC a cada 5 anos. A escolha entre eles depende de disponibilidade, aceitação do paciente e recursos locais — todos são aceitáveis, desde que validados. A colonoscopia, embora seja o padrão-ouro diagnóstico, não é o método de primeira linha para rastreamento populacional em massa, justamente por ser invasiva, cara e de baixa disponibilidade; ela é reservada para confirmação diagnóstica após um teste de rastreamento positivo ou para vigilância de grupos de risco.
A grande distinção que a banca explora aqui é entre rastreamento (população assintomática, método de triagem, início em idade definida) e diagnóstico (paciente sintomático ou com teste positivo, colonoscopia imediata). O paciente do enunciado é assintomático e de risco habitual — logo, está na primeira categoria. A ausência de história familiar não elimina a necessidade de rastreamento: o CCR esporádico corresponde a cerca de 75% dos casos, e a maioria dos diagnosticados não tem parente de primeiro grau afetado. A pegadinha está em quem acha que "sem história familiar = sem rastreamento" (alternativa E) ou que "assintomático = colonoscopia imediata" (alternativa B).
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa se você confunde rastreamento com diagnóstico. O paciente é assintomático — logo, não há indicação de colonoscopia imediata (letra B). E a ausência de história familiar não exclui o rastreamento (letra E): o CCR esporádico é a maioria dos casos. O gatilho para colonoscopia diagnóstica é sintoma (sangramento, anemia, perda de peso, mudança do hábito intestinal) ou teste de rastreamento positivo — nunca a simples consulta de rotina.
Critério
Rastreamento (população assintomática)
Diagnóstico (paciente sintomático ou teste positivo)
Objetivo
Detectar lesões pré-clínicas (adenomas)
Confirmar ou excluir doença em caso de sintomas
População-alvo
Indivíduos assintomáticos de risco habitual
Pacientes com sintomas (sangramento, anemia, perda de peso) ou teste de rastreamento positivo
Método de primeira linha
FIT anual, gFOBT anual/bienal, sigmoidoscopia a cada 5 anos, colonoscopia a cada 10 anos
Colonoscopia imediata
Idade de início
45 anos (USPSTF 2021)
Não se aplica (depende da indicação clínica)
Papel da história familiar
Ausência não exclui rastreamento (CCR esporádico = ~75% dos casos)
Pode antecipar início do rastreamento em grupos de risco
Rastreamento CCR (risco habitual)
1Início: 45 anos (USPSTF 2021)
2Métodos validados
FIT anual
gFOBT anual/bienal
Sigmoidoscopia (5 anos)
Colonoscopia (10 anos)
Colonografia por TC (5 anos)
3Colonoscopia diagnóstica
Sintomas sugestivos
Teste de rastreamento positivo
4História familiar
Não exclui rastreamento
Antecipa início (40 anos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta mais adequada é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos com método validado. O paciente tem 52 anos — já ultrapassou a idade mínima — e é de risco habitual, portanto está dentro da faixa etária recomendada pela USPSTF (45–75 anos). A expressão "método validado" é proposital: engloba FIT anual, gFOBT anual/bienal, sigmoidoscopia a cada 5 anos, colonoscopia a cada 10 anos ou colonografia por TC — todos aceitos, desde que baseados em evidência. A alternativa está correta porque combina a idade certa (45 anos) com a natureza certa da intervenção (rastreamento, não diagnóstico).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Solicitar colonoscopia diagnóstica imediata como exame único está errado por dois motivos: (1) o paciente é assintomático — não há indicação de procedimento diagnóstico invasivo de primeira linha; (2) a colonoscopia, quando usada no rastreamento, é um método válido a cada 10 anos, não um "exame único" imediato. A colonoscopia diagnóstica é reservada para quem tem sintomas sugestivos (sangramento, anemia, perda ponderal, mudança de hábito intestinal) ou para confirmação após teste de rastreamento positivo. A banca troca o papel do exame: no rastreamento, ele é uma opção periódica; no diagnóstico, é a investigação de um achado ou sintoma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Iniciar o rastreamento apenas aos 60 anos com colonoscopia erra na idade e no método exclusivo. A recomendação atual é iniciar aos 45 anos (USPSTF 2021), não aos 60. Além disso, a colonoscopia não é o único método — e nem o preferencial para rastreamento populacional, por ser invasiva e de baixa disponibilidade. Aos 60 anos, o paciente já estaria há 15 anos sem rastreamento, perdendo a janela de detecção precoce de adenomas. O número 60 pode confundir porque o benefício do rastreamento é maior em pacientes acima de 60 anos, mas isso não significa que se deva esperar até lá para começar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar pesquisa de sangue oculto nas fezes apenas se houver sintomas inverte a lógica do rastreamento. O sangue oculto nas fezes (FIT ou gFOBT) é justamente um exame de triagem em assintomáticos — sua função é detectar sangramento microscópico antes de qualquer manifestação clínica. Se o paciente já tem sintomas (sangramento visível, anemia), o exame correto é a colonoscopia diagnóstica, não o teste de sangue oculto. A alternativa confunde o papel do teste: ele é a porta de entrada do rastreamento, não uma ferramenta diagnóstica para sintomáticos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não indicar rastreamento na ausência de história familiar positiva é um erro grave. O CCR esporádico (sem componente hereditário) corresponde a cerca de 75% dos casos — a maioria dos pacientes diagnosticados não tem parente de primeiro grau com a doença. A história familiar é um fator que antecipa o início do rastreamento (por exemplo, aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar), mas sua ausência não elimina a recomendação. O paciente de 52 anos, mesmo sem história familiar, está na faixa etária de rastreamento e deve ser rastreado. A banca explora a falsa premissa de que "sem fator de risco = sem rastreamento", o que contraria a lógica da prevenção secundária em população de risco habitual.
Gabarito: letra A — iniciar rastreamento aos 45 anos com método validado é a conduta correta para indivíduos assintomáticos de risco habitual.