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Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg727975
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Homem de 71 anos, agricultor, fototipo II, apresenta lesão em dorso nasal há 8 meses, progressivamente aumentada, com bordas elevadas, aspecto perolado e telangiectasias superficiais. Refere sangramentos ocasionais ao trauma local. Quais são a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial adequada?
  1. AMelanoma nodular — excisão imediata na atenção primária.
  2. BCarcinoma basocelular — encaminhamento para avaliação especializada.
  3. CCarcinoma espinocelular — tratamento tópico com corticosteroide.
  4. DCeratose seborreica — observação clínica sem necessidade de seguimento.
  5. ELeishmaniose tegumentar — tratamento empírico com antimoniato.
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GabaritoB — Carcinoma basocelular — encaminhamento para avaliação especializada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma basocelular: diagnóstico e conduta na atenção primária

Gabarito: letra B. A lesão descrita — nódulo de bordas elevadas, aspecto perolado e telangiectasias superficiais, em área fotoexposta de paciente idoso de fototipo claro — é a apresentação clássica do carcinoma basocelular (CBC), o câncer de pele mais frequente. A conduta inicial adequada na atenção primária é o encaminhamento para avaliação especializada (dermatologia), pois o tratamento definitivo (cirurgia, em geral) é de competência do especialista.

O carcinoma basocelular é uma neoplasia maligna de origem epitelial, derivada das células basais da epiderme e dos anexos cutâneos. É o tumor maligno mais comum da pele, correspondendo a cerca de 75% das neoplasias cutâneas. Acomete preferencialmente indivíduos de pele clara (fototipos I e II), com idade avançada e história de exposição solar crônica e sem proteção — exatamente o perfil do paciente do enunciado: agricultor, 71 anos, fototipo II, com lesão no dorso nasal (área de alta fotoexposição).

A apresentação clínica típica é a do CBC nodular: pápula ou nódulo róseo-perláceo, com bordas elevadas e brilhantes, telangiectasias superficiais e, com a evolução, ulceração central com crosta que sangra ao trauma. O crescimento é lento e progressivo, como os 8 meses de evolução descritos. O aspecto perolado e as telangiectasias são os achados semiológicos mais característicos e que permitem o diagnóstico clínico com alta acurácia.

A conduta na atenção primária diante da suspeita de CBC é o encaminhamento ao dermatologista para confirmação diagnóstica (dermatoscopia e, se necessário, biópsia) e tratamento. O tratamento de escolha é a excisão cirúrgica com margens adequadas, procedimento realizado pelo especialista. Não se deve realizar excisão imediata na atenção primária sem treinamento específico, nem tratamentos tópicos, que não são eficazes para lesões invasivas.

O diagnóstico diferencial inclui outras lesões que podem ocorrer na face de idosos, como o carcinoma espinocelular (CEC), a ceratose seborreica, o ceratoacantoma e a leishmaniose tegumentar. A distinção é feita pela morfologia: o CEC costuma ser uma lesão verrucosa, endurecida, que evolui para nódulo com ulceração central, frequentemente sobre cicatrizes ou lesões pré-existentes; a ceratose seborreica é uma pápula verrucosa, graxenta, com aspecto "colado" à pele; o ceratoacantoma tem crescimento rápido e cratera central com queratina; a leishmaniose é uma úlcera com bordas infiltradas e fundo granuloso, em área exposta, mas sem o aspecto perolado.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o aspecto perolado + telangiectasias + bordas elevadas é patognomônico do CBC, e não do melanoma ou do CEC. Além disso, a conduta correta não é a excisão imediata na atenção primária, mas o encaminhamento especializado. Guarde essa tríade clínica: perolado + telangiectasias + bordas elevadas = CBC — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O melanoma nodular é uma lesão pigmentada, geralmente nodular, de crescimento rápido, que pode ulcerar e sangrar, mas não apresenta aspecto perolado nem telangiectasias superficiais como achados principais. Além disso, a conduta de "excisão imediata na atenção primária" não é a recomendada para lesões suspeitas de malignidade — o correto é o encaminhamento ao especialista para avaliação e biópsia/excisão com margens adequadas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A descrição clínica é clássica de carcinoma basocelular nodular: bordas elevadas, aspecto perolado, telangiectasias superficiais, em área fotoexposta de paciente idoso de fototipo claro. A conduta inicial na atenção primária é o encaminhamento para avaliação especializada (dermatologia), pois o tratamento definitivo (excisão cirúrgica, cirurgia micrográfica, etc.) é de competência do especialista.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O carcinoma espinocelular (CEC) é uma possibilidade diagnóstica, mas a morfologia descrita (perolado, telangiectasias) é mais típica do CBC. Além disso, o tratamento do CEC nunca é tópico com corticosteroide — corticoides não têm ação antitumoral e podem até mascarar a evolução. O tratamento do CEC é cirúrgico (excisão com margens), e lesões suspeitas devem ser encaminhadas ao especialista.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ceratose seborreica é um tumor epitelial benigno, que se apresenta como pápulas verrucosas, aveludadas ou graxentas, com aspecto "colado" à pele, geralmente múltiplas. Não apresenta aspecto perolado nem telangiectasias. Embora seja benigna e não exija tratamento (apenas por estética), a lesão descrita tem características de malignidade e não pode ser simplesmente observada — exige investigação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A leishmaniose tegumentar é uma doença infecciosa causada por protozoário do gênero Leishmania, transmitida por flebotomíneos. A lesão típica é uma úlcera com bordas infiltradas e fundo granuloso, geralmente única, em área exposta, sem aspecto perolado. O tratamento empírico com antimoniato não é indicado sem confirmação diagnóstica (exame direto, histopatológico ou sorológico), e a lesão descrita não é compatível com essa hipótese.

Gabarito: letra B

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