Homem de 67 anos, hipertenso e diabético, chega ao pronto atendimento com início súbito de hemiparesia direita e afasia há 2 horas. A tomografia computadorizada de crânio sem contraste não evidencia sangramento intracraniano. Considerando a abordagem inicial do acidente vascular cerebral isquêmico, qual conduta é mais adequada neste momento?
AIniciar antiagregação plaquetária imediatamente antes de qualquer outra medida.
BSolicitar ressonância magnética antes de qualquer decisão terapêutica.
CAvaliar critérios para trombólise intravenosa.
DIndicar anticoagulação plena pela suspeita de etiologia cardioembólica.
EAguardar evolução clínica para definir tratamento definitivo.
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GabaritoC — Avaliar critérios para trombólise intravenosa.
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Abordagem inicial do AVC isquêmico agudo
Gabarito: letra C. Em paciente com AVC isquêmico agudo dentro da janela terapêutica (até 4,5 horas do início dos sintomas), a conduta mais adequada é avaliar os critérios de elegibilidade para trombólise intravenosa — o tratamento de reperfusão mais eficaz nessa fase. A conduta é guiada pelo princípio "tempo é cérebro": quanto antes a reperfusão, maior a chance de salvar a penumbra isquêmica e melhor o prognóstico funcional. A alternativa C é a única que reflete essa prioridade, pois todas as demais ou atrasam o tratamento, ou indicam terapias inadequadas para a fase aguda.
O acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) é a obstrução aguda de uma artéria cerebral, levando à isquemia de uma área do cérebro. O conceito central da abordagem aguda é a penumbra isquêmica: uma zona de tecido cerebral que, embora hipoperfundida, ainda é viável e pode ser salva se o fluxo sanguíneo for restabelecido rapidamente. É essa janela de oportunidade que justifica a urgência máxima no atendimento.
A diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2019) estabelece que, na suspeita de AVC agudo, a tomografia de crânio sem contraste deve ser realizada de urgência (Classe I, Nível de Evidência A) para diferenciar AVC isquêmico de hemorrágico. No caso do enunciado, a TC já foi realizada e não evidenciou sangramento, o que confirma o diagnóstico de AVC isquêmico. A partir desse momento, o foco deve ser a reperfusão cerebral.
A trombólise intravenosa com alteplase (rt-PA) é o tratamento de primeira linha para AVCi dentro da janela de 4,5 horas do início dos sintomas (ou do último momento em que o paciente foi visto bem). Os critérios de inclusão incluem: AVC isquêmico confirmado, início dos sintomas há menos de 4,5 horas, TC sem hemorragia e idade superior a 18 anos. Os critérios de exclusão incluem: uso de anticoagulantes orais, cirurgia de grande porte nos últimos 14 dias, PA sistólica ≥ 185 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg refratária ao tratamento, entre outros. A avaliação desses critérios é exatamente o que a alternativa C propõe.
A conduta correta, portanto, é avaliar rapidamente se o paciente é elegível para trombólise, verificando contraindicações, aferindo PA e glicemia, e questionando sobre uso de anticoagulantes. Essa avaliação deve ser feita de forma ágil, pois "tempo é cérebro" — cada minuto de atraso representa perda de neurônios.
A pegadinha central desta questão é a inversão da prioridade terapêutica: o candidato pode ser tentado a iniciar antiagregação plaquetária (A) ou anticoagulação (D) imediatamente, mas essas terapias são para profilaxia secundária (prevenção de novos eventos), não para o tratamento da fase aguda. Na fase aguda, dentro da janela, a prioridade é a reperfusão com trombolítico. Além disso, a alternativa B (RM antes de qualquer decisão) e a E (aguardar evolução) atrasam o tratamento, o que é prejudicial.
Guarde a fronteira entre tratamento de reperfusão na fase aguda (trombólise/trombectomia) e profilaxia secundária (antiagregação/anticoagulação): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
1TC sem sangramento
2Dentro da janela (<4,5h)
3Avaliar critérios de trombólise
4[+] Elegível → trombolisar
5[-] Não elegível → trombectomia/AAS
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar antiagregação plaquetária imediatamente é errado na fase aguda dentro da janela de trombólise. O ácido acetilsalicílico (AAS) é indicado nas primeiras 24-48 horas do AVCi apenas quando a trombólise não é realizada ou após sua conclusão, como profilaxia secundária. Iniciar AAS antes da decisão sobre trombólise pode aumentar o risco de hemorragia se o trombolítico for administrado, e não há evidência de benefício na reperfusão aguda. A conduta correta é primeiro avaliar a elegibilidade para trombólise; a antiagregação fica para depois, se indicada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Solicitar ressonância magnética antes de qualquer decisão terapêutica atrasa o tratamento e contraria a recomendação de que a TC de crânio sem contraste é o exame de escolha na fase aguda (Classe I, Nível de Evidência A). A RM pode ser alternativa à TC, mas não deve atrasar a decisão de trombólise quando a TC já foi realizada e não mostra sangramento. O enunciado já fornece a TC sem hemorragia — a RM adicional não é necessária para decidir a conduta imediata e só consumiria tempo precioso.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Avaliar critérios para trombólise intravenosa é a conduta mais adequada. O paciente tem AVCi confirmado (TC sem sangramento), está dentro da janela de 4,5 horas (2 horas de sintomas) e apresenta déficit neurológico (hemiparesia e afasia). A trombólise com alteplase é o tratamento de reperfusão de primeira linha nesse cenário. A avaliação deve incluir: verificação de contraindicações (uso de anticoagulantes, PA elevada refratária, cirurgia recente, etc.), aferição de glicemia e PA, e cálculo do NIHSS. Essa é a conduta que maximiza a chance de recuperação funcional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Indicar anticoagulação plena pela suspeita de etiologia cardioembólica é inadequado na fase aguda. A anticoagulação plena (ex.: heparina) não é recomendada no AVCi agudo, mesmo quando se suspeita de cardioembolia (ex.: fibrilação atrial), pois aumenta o risco de transformação hemorrágica sem benefício comprovado na reperfusão. A anticoagulação é indicada para profilaxia secundária a longo prazo, geralmente iniciada após 48 horas a 14 dias do evento, dependendo do tamanho do infarto. Na fase aguda, a prioridade é a trombólise, não a anticoagulação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Aguardar evolução clínica para definir tratamento definitivo é totalmente contrário ao princípio "tempo é cérebro". O AVCi é uma emergência médica; cada minuto de atraso na reperfusão resulta em perda de aproximadamente 1,9 milhão de neurônios. Aguardar a evolução clínica sem intervenção priva o paciente da chance de salvar a penumbra isquêmica e piora o prognóstico funcional. A conduta correta é agir imediatamente, avaliando a elegibilidade para trombólise.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tratamento da fase aguda (reperfusão com trombólise) e profilaxia secundária (antiagregação/anticoagulação). O candidato que inicia AAS (A) ou anticoagulação (D) imediatamente está aplicando a terapia errada no momento errado. Lembre-se: na fase aguda, dentro da janela, a prioridade é a reperfusão; a profilaxia secundária vem depois. Com treino, você identifica essa troca de fase rapidamente 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de AVC agudo, monte um fluxo mental rápido: 1) Confirmar AVCi (TC sem sangramento); 2) Verificar janela de tempo (< 4,5h); 3) Avaliar critérios de trombólise (inclusão/exclusão); 4) Se elegível, trombolisar; 5) Se não elegível, considerar trombectomia mecânica (até 24h) ou antiagregação. Esse fluxo resolve a maioria das questões de conduta.
Gabarito: letra C — avaliar critérios para trombólise intravenosa é a conduta mais adequada no AVC isquêmico agudo dentro da janela terapêutica.