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Questão de Medicina — Hematologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaHematologia
Código
qg727981
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Paciente de 68 anos apresenta poliartrite simétrica de início recente, perda ponderal, sudorese noturna e anemia normocítica progressiva. Autoanticorpos reumatológicos são negativos e há resposta inicial parcial ao uso de corticosteroide, seguida de rápida recidiva dos sintomas. Qual dos seguintes achados sugere que o quadro reumatológico pode representar manifestação de uma neoplasia hematológica subjacente?
  1. AElevação isolada da proteína C reativa.
  2. BPresença de fator reumatoide em baixo título.
  3. CAnemia progressiva associada a sintomas constitucionais.
  4. DRigidez matinal superior a uma hora.
  5. EMelhora transitória com corticosteroide.
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GabaritoC — Anemia progressiva associada a sintomas constitucionais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes paraneoplásicas reumatológicas: quando a artrite é um linfoma

Gabarito: letra C. A anemia normocítica progressiva, associada a sintomas constitucionais (perda ponderal, sudorese noturna) e a um quadro articular soronegativo que recidiva após corticosteroide, é o conjunto de achados que mais fortemente sugere uma neoplasia hematológica subjacente — como linfoma, leucemia ou mielodisplasia. O contexto clínico é decisivo: autoanticorpos negativos, resposta parcial e fugaz ao corticoide e sintomas B apontam para uma doença sistêmica paraneoplásica, não para uma artrite reumatoide clássica.

O conceito central aqui é o de manifestação paraneoplásica reumatológica: uma neoplasia maligna (especialmente hematológica) pode se apresentar com sintomas musculoesqueléticos que mimetizam doenças reumáticas, como artrite, miosite, vasculite ou síndrome semelhante ao lúpus. Essas manifestações podem preceder ou acompanhar o diagnóstico do câncer. No caso descrito, a poliartrite simétrica de início recente em paciente idoso, com sorologias negativas e resposta apenas parcial e transitória ao corticoide, é um padrão clássico de artrite paraneoplásica — diferentemente da artrite reumatoide, que costuma ser soropositiva (fator reumatoide e anti-CCP) e responder de forma mais sustentada à terapia anti-inflamatória.

A anemia normocítica progressiva é um achado-chave. Ela pode ser a anemia de doença crônica (inflamação) ou, mais preocupantemente, refletir a infiltração da medula óssea pela neoplasia (leucemia, linfoma, mielodisplasia) ou a supressão da hematopoese por mecanismos paraneoplásicos. Quando associada a sintomas constitucionais como perda ponderal e sudorese noturna — os chamados "sintomas B" —, a suspeita de malignidade hematológica se fortalece enormemente. A sudorese noturna e a perda de peso são sinais de alarme que não fazem parte do quadro típico da artrite reumatoide isolada, embora sintomas gerais leves (fadiga, mal-estar) possam ocorrer.

A resposta ao corticosteroide também é um dado semiológico importante. Doenças reumáticas inflamatórias costumam responder bem e de forma sustentada a corticosteroides. Uma resposta apenas parcial, seguida de rápida recidiva, é um padrão que deve levantar a suspeita de que o processo inflamatório é secundário a uma condição subjacente não controlada — como uma neoplasia. Esse comportamento "atípico" é um dos gatilhos para a investigação oncológica.

A distinção que importa é entre artrite reumatoide soropositiva (FR e anti-CCP positivos, rigidez matinal prolongada, erosões típicas) e artrite paraneoplásica (soronegativa, início tardio, sintomas constitucionais proeminentes, resposta terapêutica atípica). A tabela abaixo resume os contrastes:

Critério

Artrite reumatoide clássica

Artrite paraneoplásica (neoplasia hematológica)

Autoanticorpos

FR e/ou anti-CCP positivos (75-85%)

Soronegativa (FR e anti-CCP negativos)

Sintomas constitucionais

Leves (fadiga, mal-estar)

Proeminentes (perda ponderal, sudorese noturna, febre)

Anemia

Anemia de doença crônica, leve

Normocítica progressiva, pode ser grave

Resposta ao corticoide

Boa e sustentada

Parcial e fugaz (recidiva rápida)

Idade de início

Pico entre 30-50 anos

Mais comum em idosos

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que são achados típicos da artrite reumatoide (rigidez matinal, fator reumatoide, elevação de PCR) ou que são inespecíficos (melhora com corticoide), desviando a atenção do conjunto de sinais que realmente aponta para malignidade. O candidato que reconhece o padrão paraneoplásico — anemia progressiva + sintomas B + soronegatividade + resposta atípica — identifica a letra C como a resposta correta.

Guarde o critério decisivo: a combinação de anemia progressiva com sintomas constitucionais (perda de peso, sudorese noturna) em um quadro articular soronegativo e refratário é o sinal de alerta para neoplasia hematológica. É exatamente esse conjunto que as alternativas tentam diluir.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A elevação isolada da proteína C reativa (PCR) é um marcador inespecífico de inflamação, presente em inúmeras condições — infecções, doenças autoimunes, neoplasias e até em processos inflamatórios benignos. Não é um achado que, isoladamente, sugira neoplasia hematológica. Na artrite reumatoide, a PCR costuma estar elevada como reflexo da atividade inflamatória, mas sua presença isolada não diferencia AR de uma artrite paraneoplásica nem aponta especificamente para malignidade. O erro da alternativa é atribuir valor diagnóstico específico a um marcador que é apenas um sinal inespecífico de inflamação sistêmica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A presença de fator reumatoide em baixo título é um achado de baixa especificidade. O FR pode estar presente em até 5% da população saudável e em diversas condições não reumáticas, incluindo infecções crônicas, neoplasias e doenças que cursam com hiperglobulinemia. No contexto do enunciado, em que os autoanticorpos são negativos, a presença de FR em baixo título não é um achado que sugira neoplasia — pelo contrário, um FR em baixo título é um achado inespecífico que não ajuda a diferenciar AR de artrite paraneoplásica. A alternativa erra ao sugerir que um FR de baixo título seria um marcador de malignidade, quando na verdade é um achado inespecífico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A anemia normocítica progressiva associada a sintomas constitucionais (perda ponderal, sudorese noturna) é o conjunto de achados que mais fortemente sugere neoplasia hematológica subjacente. A anemia normocítica pode ser a anemia de doença crônica, mas quando é progressiva e acompanhada de sintomas B, levanta a suspeita de infiltração medular por leucemia, linfoma ou mielodisplasia, ou de supressão da hematopoese por mecanismos paraneoplásicos. A associação com o quadro articular soronegativo e refratário ao corticoide completa o cenário de síndrome paraneoplásica. Este é o achado que, no contexto clínico descrito, deve disparar a investigação oncológica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A rigidez matinal superior a uma hora é um achado clássico e característico da artrite reumatoide, refletindo a inflamação articular inflamatória. É um critério diagnóstico da AR (rigidez matinal prolongada > 1 hora), mas não é um sinal de malignidade. Na verdade, a presença de rigidez matinal prolongada reforçaria o diagnóstico de AR, não de neoplasia. A alternativa erra ao apresentar um achado típico de AR como se fosse um indicador de neoplasia hematológica — é justamente o oposto: é um achado que aponta para a doença reumática inflamatória clássica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A melhora transitória com corticosteroide é um achado inespecífico. Muitas condições inflamatórias, incluindo artrites paraneoplásicas, podem apresentar melhora inicial com corticoide, mas a recidiva rápida é justamente o que sugere que a causa subjacente não está sendo tratada. No entanto, a melhora transitória isolada não é um achado que sugira neoplasia — ela é um padrão de resposta que pode ocorrer em diversas doenças. O que importa é o conjunto: melhora parcial + recidiva + anemia progressiva + sintomas B. A alternativa erra ao isolar um achado inespecífico e apresentá-lo como indicador de malignidade, quando ele só ganha significado no contexto dos demais achados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os achados típicos da artrite reumatoide (rigidez matinal, FR positivo, PCR elevada) e os sinais de alarme para malignidade (anemia progressiva, sintomas B, soronegatividade, resposta atípica). O candidato que memoriza os critérios da AR sem pensar no diagnóstico diferencial com síndromes paraneoplásicas tende a marcar a alternativa D (rigidez matinal) ou B (FR), que são achados clássicos da AR, mas não indicam neoplasia. A chave é reconhecer que o quadro descrito — idoso, soronegativo, refratário, com sintomas constitucionais — foge do padrão típico da AR e aponta para uma condição sistêmica subjacente. Com treino, você aprende a enxergar esses padrões de alarme de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Em questões de manifestações paraneoplásicas, procure sempre o conjunto de sinais de alarme: início tardio (> 60 anos), sintomas constitucionais (perda de peso, febre, sudorese noturna), soronegatividade, anemia progressiva e resposta atípica ao tratamento. Se a alternativa isolar um único achado (como PCR elevada ou rigidez matinal), desconfie: o que decide é a combinação de fatores, não um achado isolado. Monte mentalmente a tabela comparativa entre AR clássica e artrite paraneoplásica — ela resolve a maioria das questões desse tema.

Gabarito: letra C — a anemia progressiva associada a sintomas constitucionais é o achado que sugere neoplasia hematológica subjacente.

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