Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg727983
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Paciente de 52 anos, residente em área endêmica, apresenta placas hipocrômicas mal delimitadas em tronco e membros, associadas a hipoestesia térmica local. Não há baciloscopia disponível no momento. Segundo recomendações vigentes, o critério suficiente para o diagnóstico clínico de hanseníase é
Aconfirmação histopatológica obrigatória.
Bbaciloscopia positiva em qualquer sítio.
Clesão cutânea com alteração de sensibilidade característica.
Dsorologia positiva para Mycobacterium leprae.
Epresença exclusiva de neuropatia periférica simétrica.
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GabaritoC — lesão cutânea com alteração de sensibilidade característica.
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Diagnóstico clínico da hanseníase
Gabarito: letra C. O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, e o critério suficiente para o diagnóstico é a presença de lesão cutânea com alteração de sensibilidade característica (térmica, dolorosa ou tátil), conforme os sinais cardinais definidos pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hanseníase do Ministério da Saúde. A baciloscopia, a histopatologia e a sorologia são exames complementares que não são obrigatórios nem suficientes isoladamente para o diagnóstico.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente que afeta primariamente a pele e os nervos periféricos. O diagnóstico é fundamentalmente clínico porque o bacilo não é cultivável in vitro e nem sempre é encontrado nos exames bacterioscópicos, especialmente nas formas paucibacilares. Por isso, o Ministério da Saúde define caso de hanseníase pela presença de pelo menos um dos três sinais cardinais: (1) lesão(ões) e/ou área(s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil; (2) espessamento de nervo periférico associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; (3) presença do M. leprae confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biópsia de pele.
O enunciado descreve exatamente o quadro clássico: placas hipocrômicas mal delimitadas em tronco e membros com hipoestesia térmica local. Essa combinação — lesão de pele + alteração de sensibilidade — preenche o primeiro sinal cardinal e é suficiente para o diagnóstico clínico, mesmo sem baciloscopia disponível. A baciloscopia negativa não afasta o diagnóstico, e a confirmação histopatológica não é obrigatória. A sorologia para M. leprae não é um critério diagnóstico estabelecido, e a neuropatia periférica isolada, sem lesão cutânea, não é o quadro típico descrito.
A banca explora a confusão entre o que é suficiente para o diagnóstico (critério clínico) e o que é complementar (exames laboratoriais). O candidato que memoriza que "baciloscopia positiva confirma" pode marcar a alternativa B, mas o PCDT é claro: o diagnóstico é clínico, e a baciloscopia é um exame complementar, indicado em casos de dúvida, para classificação operacional e para suspeita de recidiva. A chave da questão é reconhecer que a lesão cutânea com alteração de sensibilidade é, por si só, um sinal cardinal suficiente.
PCDT Hanseníase (Ministério da Saúde, 2022):
"O Ministério da Saúde define um caso de hanseníase pela presença de pelo menos um ou mais dos seguintes critérios, conhecidos como sinais cardinais da hanseníase: 1) Lesão(ões) e/ou áreas(s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil; 2) Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; 3) Presença do M. leprae, confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biópsia de pele."
Guarde a hierarquia: o diagnóstico é clínico (sinais cardinais), e os exames complementares (baciloscopia, histopatologia, PCR, sorologia) são auxiliares — nunca obrigatórios nem suficientes isoladamente. É exatamente essa distinção que separa as alternativas.
Sinais cardinais da hanseníase (PCDT/MS)
11º: Lesão de pele com alteração de sensibilidade
Suficiente para diagnóstico clínico
22º: Espessamento de nervo periférico
Com alterações sensitivas/motoras/autonômicas
33º: Presença do M. leprae
Baciloscopia ou biópsia
4Exames complementares
Não obrigatórios
Não suficientes isoladamente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A confirmação histopatológica não é obrigatória para o diagnóstico de hanseníase. O diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico, e a biópsia de pele é um exame complementar, útil em casos de dúvida ou para diagnóstico diferencial, mas não é um critério suficiente nem obrigatório. A banca tenta fazer o candidato acreditar que sem biópsia não há diagnóstico, o que contraria o PCDT.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A baciloscopia positiva é um dos sinais cardinais e, quando presente, confirma o diagnóstico e classifica o paciente como multibacilar. Porém, ela não é obrigatória e não é o critério suficiente para o diagnóstico clínico, pois tem baixa sensibilidade e é negativa nos casos paucibacilares. A baciloscopia negativa não exclui o diagnóstico. A alternativa erra ao tornar a baciloscopia um requisito para o diagnóstico, quando na verdade o diagnóstico é clínico e a baciloscopia é complementar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lesão cutânea com alteração de sensibilidade característica (térmica, dolorosa ou tátil) é o primeiro sinal cardinal da hanseníase e, por si só, é suficiente para o diagnóstico clínico. O enunciado descreve exatamente esse quadro: placas hipocrômicas mal delimitadas com hipoestesia térmica local. Mesmo sem baciloscopia disponível, o diagnóstico é fechado clinicamente. Esta é a alternativa que espelha a definição de caso do PCDT.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sorologia positiva para Mycobacterium lepraenão é um critério diagnóstico estabelecido para hanseníase. Não há teste sorológico com sensibilidade e especificidade adequadas para uso diagnóstico na prática clínica. A sorologia não consta entre os sinais cardinais e não é suficiente para o diagnóstico. A banca insere essa alternativa para confundir com outras doenças infecciosas em que a sorologia é o padrão diagnóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A neuropatia periférica simétrica não é o quadro típico da hanseníase e não é critério suficiente isoladamente. Na hanseníase, a neuropatia é assimétrica e periférica, e o espessamento de nervo periférico deve estar associado a alterações sensitivas, motoras ou autonômicas (segundo sinal cardinal). Além disso, o enunciado descreve lesões cutâneas, o que torna a alternativa E incompatível com o caso. A banca troca a característica assimétrica da neuropatia hansênica por "simétrica", que é mais típica de outras neuropatias periféricas (ex.: diabética).
Gabarito: letra C — a lesão cutânea com alteração de sensibilidade é o critério clínico suficiente para o diagnóstico de hanseníase, conforme os sinais cardinais do PCDT do Ministério da Saúde.