Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg727984
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Homem de 28 anos procura atendimento com febre, faringite, linfadenopatia generalizada e exantema maculopapular. Relata relação sexual desprotegida há cerca de 3 semanas. O teste rápido para HIV é negativo. Qual é a melhor conduta diagnóstica neste momento?
  1. ARepetir o teste rápido em 30 dias.
  2. BSolicitar sorologia convencional (ELISA) imediatamente.
  3. CSolicitar teste de quarta geração ou pesquisa de RNA do HIV.
  4. DDescartar infecção pelo HIV diante do teste rápido negativo.
  5. EIniciar tratamento antirretroviral apenas se a sorologia converter.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Solicitar teste de quarta geração ou pesquisa de RNA do HIV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome retroviral aguda e janela diagnóstica do HIV

Gabarito: letra C. Diante de quadro clínico altamente sugestivo de infecção aguda pelo HIV (febre, faringite, linfadenopatia generalizada e exantema maculopapular, com exposição de risco há 3 semanas) e teste rápido negativo, a conduta correta é solicitar teste de quarta geração (antígeno/anticorpo) ou pesquisa de RNA do HIV, pois o teste rápido (terceira geração, detecta apenas anticorpos) pode estar negativo na janela imunológica, enquanto o RNA viral já é detectável cerca de 10 a 14 dias após a infecção.

A infecção aguda pelo HIV, também chamada de síndrome retroviral aguda (SRA), é a fase inicial da infecção, que ocorre entre a segunda e a quarta semana após a exposição de risco. Nessa fase, o vírus se replica intensamente e o paciente pode apresentar sintomas inespecíficos, como febre, faringite, linfadenopatia, exantema maculopapular, mialgia, cefaleia e mal-estar — um quadro que lembra mononucleose ou uma síndrome gripal. O problema é que, nesse período, os testes sorológicos convencionais (que detectam anticorpos) podem ainda ser negativos, pois o organismo ainda não produziu anticorpos em quantidade suficiente para ser detectada — é a chamada janela imunológica.

Os testes rápidos (TR) e os testes de terceira geração (ELISA convencional) detectam apenas anticorpos anti-HIV. A janela imunológica para esses testes é de aproximadamente 30 dias (podendo chegar a 90 dias em casos raros). Já os testes de quarta geração detectam simultaneamente o antígeno p24 (proteína do capsídeo viral, que aparece precocemente) e os anticorpos anti-HIV, reduzindo a janela para cerca de 15 a 20 dias. A pesquisa de RNA do HIV (carga viral) detecta o material genético do vírus e é o método mais precoce, com janela de aproximadamente 10 a 14 dias. Por isso, na suspeita de infecção aguda, a conduta é solicitar um desses testes mais sensíveis, e não repetir o teste rápido ou aguardar a soroconversão.

Na prática, o Ministério da Saúde recomenda que, na suspeita clínica de infecção aguda pelo HIV, com ausência de marcadores imunológicos (teste rápido ou sorologia negativos), deve-se realizar o exame de carga viral do HIV (RNA) para reduzir o período de janela diagnóstica. O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar a terapia antirretroviral (TARV) o quanto antes, o que melhora o prognóstico e reduz a transmissão. Além disso, é importante lembrar que um teste rápido negativo não exclui a infecção, especialmente em situações de exposição recente e sintomas compatíveis.

A pegadinha desta questão está em confundir a conduta correta na suspeita de infecção aguda com a conduta de rotina. Em uma triagem de rotina, um teste rápido negativo é suficiente para afastar a infecção (fora da janela). Mas, diante de sintomas sugestivos de SRA e exposição recente, o teste negativo não exclui o diagnóstico — é necessário um teste mais sensível. A alternativa que manda "repetir o teste rápido em 30 dias" ou "aguardar a soroconversão" atrasa o diagnóstico e o tratamento, o que é inaceitável na prática clínica. A alternativa que "descarta a infecção" é um erro grave, pois ignora a janela diagnóstica. E a alternativa que pede "sorologia convencional imediatamente" também não é a melhor, pois o ELISA de terceira geração tem a mesma limitação do teste rápido (detecta apenas anticorpos) e pode estar negativo na fase aguda.

Guarde a distinção central: na suspeita de infecção aguda, o teste de escolha é o que detecta o vírus ou seus componentes precocemente (RNA ou antígeno p24), não o que detecta apenas anticorpos. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Teste rápido negativo
  2. 2Solicitar RNA ou 4ª geração
  3. 3Confirmar e iniciar TARV
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Repetir o teste rápido em 30 dias não é a melhor conduta, pois atrasa o diagnóstico em um paciente com alta suspeita de infecção aguda. O teste rápido (terceira geração) detecta apenas anticorpos e pode permanecer negativo por até 30 dias ou mais após a infecção. Repetir o mesmo teste não resolve o problema da janela imunológica — seria necessário um teste mais sensível (RNA ou antígeno p24) para confirmar ou excluir a infecção precocemente. Além disso, o atraso no diagnóstico impede o início oportuno da TARV, o que piora o prognóstico e aumenta o risco de transmissão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar sorologia convencional (ELISA) imediatamente também não é a melhor conduta, pois o ELISA de terceira geração tem a mesma limitação do teste rápido: detecta apenas anticorpos anti-HIV. Na fase aguda da infecção (2 a 4 semanas após a exposição), os anticorpos podem ainda não ter sido produzidos em quantidade detectável, resultando em resultado falso-negativo. O ELISA de quarta geração (que detecta antígeno p24 + anticorpos) seria uma opção, mas a alternativa não especifica a geração, e a pesquisa de RNA é ainda mais precoce. Portanto, a sorologia convencional não é a melhor escolha neste cenário.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Solicitar teste de quarta geração ou pesquisa de RNA do HIV é a conduta correta. O teste de quarta geração detecta o antígeno p24 (presente precocemente na infecção) e os anticorpos anti-HIV, reduzindo a janela diagnóstica para cerca de 15 a 20 dias. A pesquisa de RNA do HIV (carga viral) detecta o material genético do vírus, com janela de aproximadamente 10 a 14 dias, sendo o método mais precoce disponível. Diante de um quadro clínico altamente sugestivo de síndrome retroviral aguda e teste rápido negativo, esses testes são capazes de detectar a infecção antes da soroconversão, permitindo o diagnóstico e o tratamento precoces.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descartar a infecção pelo HIV diante do teste rápido negativo é um erro grave. O teste rápido detecta apenas anticorpos e pode estar negativo na janela imunológica, que dura cerca de 30 dias (podendo ser maior). Em um paciente com exposição de risco recente (3 semanas) e sintomas altamente sugestivos de infecção aguda, um teste negativo não exclui o diagnóstico. Descartar a infecção sem investigação adicional pode levar à perda do diagnóstico precoce, ao atraso no tratamento e ao aumento do risco de transmissão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar tratamento antirretroviral apenas se a sorologia converter também não é a melhor conduta, pois condiciona o tratamento à soroconversão, que pode demorar semanas. Na suspeita de infecção aguda, o diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível com testes sensíveis (RNA ou antígeno p24), e o tratamento deve ser iniciado assim que o diagnóstico for confirmado, independentemente da soroconversão. Aguardar a soroconversão para iniciar a TARV atrasa o tratamento e pode permitir a progressão da doença e a transmissão do vírus.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a conduta de rotina (teste rápido negativo = exclui infecção) e a conduta na suspeita de infecção aguda (teste rápido negativo = não exclui, precisa de teste mais sensível). O candidato que não conhece a janela imunológica tende a marcar a alternativa A (repetir em 30 dias) ou a D (descartar), mas ambas atrasam o diagnóstico. Lembre-se: na SRA, o que resolve é o RNA ou o antígeno p24.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de HIV, decore a janela diagnóstica de cada teste: teste rápido/ELISA 3ª geração (anticorpos) ≈ 30 dias; teste 4ª geração (antígeno p24 + anticorpos) ≈ 15-20 dias; RNA viral (carga viral) ≈ 10-14 dias. Na suspeita de infecção aguda, o teste mais precoce é sempre o RNA.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg727984