Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg727990
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Mulher de 68 anos é internada por confusão mental e astenia. Apresenta sódio sérico de 122 mEq/L, osmolaridade plasmática reduzida, potássio normal e estado clínico aparentemente euvolêmico. Não utiliza drogas anti-hipertensivas. Não há sinais de insuficiência cardíaca ou hepática. Qual investigação endócrina deve ser obrigatoriamente realizada antes de concluir síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético?
ADosagem de peptídeo natriurético tipo B.
BAvaliação de cortisol sérico e função adrenal.
CPesquisa de proteinúria de 24 horas.
DDosagem isolada de hormônio antidiurético.
ETomografia computadorizada de tórax.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Avaliação de cortisol sérico e função adrenal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hiponatremia euvolêmica: diagnóstico diferencial antes de fechar SIADH
Gabarito: letra B. Em paciente euvolêmico com hiponatremia hipotônica, a investigação endócrina obrigatória antes de concluir síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH) é a avaliação de cortisol sérico e função adrenal, pois a insuficiência adrenal (deficiência de glicocorticoide) mimetiza exatamente o quadro de SIADH — ambos cursam com sódio urinário elevado e osmolaridade urinária inapropriadamente alta. A exclusão dessa endocrinopatia é etapa diagnóstica obrigatória, conforme o raciocínio clínico estabelecido para hiponatremia euvolêmica.
A hiponatremia é o distúrbio eletrolítico mais comum na prática clínica e sua abordagem exige, em primeiro lugar, a classificação quanto ao volume extracelular: hipovolêmica, euvolêmica ou hipervolêmica. No caso apresentado, a paciente está euvolêmica (sem sinais de edema, insuficiência cardíaca ou hepática, sem uso de diuréticos), com osmolaridade plasmática reduzida — o que configura hiponatremia hipotônica verdadeira. Nesse cenário, os dois exames que orientam o diagnóstico etiológico são o sódio urinário e a osmolaridade urinária.
Quando o sódio urinário está elevado (> 40 mEq/L) e a osmolaridade urinária é inapropriadamente alta (> 100 mOsm/L), o ADH está sendo secretado de forma inadequada. Antes de rotular esse quadro como SIADH, é obrigatório afastar duas causas que cursam com o mesmo padrão laboratorial: a deficiência de glicocorticoide (insuficiência adrenal) e o hipotireoidismo. A insuficiência adrenal é particularmente traiçoeira porque, na forma secundária (deficiência de ACTH), o potássio pode estar normal e o paciente pode não apresentar hiperpigmentação — exatamente como na paciente do enunciado, que tem potássio normal. Por isso, a dosagem de cortisol sérico matinal e a avaliação da função adrenal (idealmente com teste de estimulação com ACTH, se o cortisol basal for indeterminado) são etapas diagnósticas inegociáveis antes de concluir SIADH.
A lógica por trás dessa exigência é fisiológica: o cortisol tem papel permissivo na excreção renal de água livre. Na deficiência de glicocorticoide, há aumento da secreção de ADH e redução da capacidade de excretar água, gerando hiponatremia euvolêmica com sódio urinário elevado — um quadro laboratorialmente indistinguível da SIADH. O tratamento é completamente diferente (reposição de glicocorticoide versus restrição hídrica), o que torna o diagnóstico diferencial crucial. Somente após afastar insuficiência adrenal e hipotireoidismo é que se pode firmar o diagnóstico de SIADH, que é um diagnóstico de exclusão.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a SIADH é um diagnóstico de exclusão: o enunciado já fornece os critérios clínicos (euvolêmia, osmolaridade reduzida, potássio normal), mas a alternativa correta cobra exatamente o passo que precede a conclusão diagnóstica — a investigação das endocrinopatias que mimetizam a síndrome. Guarde a sequência: hiponatremia euvolêmica → sódio urinário e osmolaridade urinária → se padrão de ADH inapropriado → excluir insuficiência adrenal e hipotireoidismo → só então pensar em SIADH.
Condição
Sódio urinário
Osmolaridade urinária
Volume extracelular
Tratamento
SIADH
Elevado (> 40 mEq/L)
Inapropriadamente alta (> 100 mOsm/L)
Euvolêmico
Restrição hídrica
Insuficiência adrenal (deficiência de glicocorticoide)
Elevado (> 40 mEq/L)
Inapropriadamente alta (> 100 mOsm/L)
Euvolêmico
Reposição de glicocorticoide
1Classificar volemia
2Sódio e osmolaridade urinários
3Excluir insuficiência adrenal
4Excluir hipotireoidismo
5Fechar SIADH
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A dosagem de peptídeo natriurético tipo B (BNP) é útil na avaliação de insuficiência cardíaca, uma causa de hiponatremia hipervolêmica. A paciente do enunciado é euvolêmica e não apresenta sinais de insuficiência cardíaca, portanto o BNP não é a investigação endócrina obrigatória antes de concluir SIADH. O BNP auxilia a diferenciar causas cardíacas de dispneia, não faz parte do algoritmo diagnóstico da hiponatremia euvolêmica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A avaliação de cortisol sérico e função adrenal é a investigação endócrina obrigatória antes de concluir SIADH. A insuficiência adrenal (deficiência de glicocorticoide) cursa com hiponatremia euvolêmica, sódio urinário elevado e osmolaridade urinária inapropriadamente alta — o mesmo padrão da SIADH. Como o tratamento difere radicalmente (reposição hormonal versus restrição hídrica), a exclusão dessa endocrinopatia é etapa diagnóstica inegociável. A dosagem de cortisol sérico matinal, com teste de estimulação com ACTH quando necessário, é o exame que afasta ou confirma o diagnóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A pesquisa de proteinúria de 24 horas é utilizada na investigação de síndrome nefrótica, uma causa de hiponatremia hipervolêmica por redução do volume arterial efetivo. A paciente é euvolêmica e não apresenta edema ou outras manifestações de síndrome nefrótica. A proteinúria de 24 horas não faz parte do algoritmo diagnóstico da hiponatremia euvolêmica e não é a investigação endócrina obrigatória antes de concluir SIADH.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dosagem isolada de hormônio antidiurético (ADH) não é recomendada na prática clínica para o diagnóstico de SIADH. Os níveis de ADH são difíceis de interpretar, têm grande variabilidade e não são necessários para o diagnóstico, que é clínico e laboratorial (hiponatremia hipotônica, euvolêmia, sódio urinário elevado, osmolaridade urinária inapropriadamente alta, com função renal, adrenal e tireoidiana normais). Além disso, a dosagem isolada de ADH não exclui as endocrinopatias que mimetizam a SIADH, como a insuficiência adrenal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de tórax é útil na investigação de causas secundárias de SIADH, como neoplasias pulmonares (especialmente carcinoma de pequenas células) e doenças pulmonares. Porém, ela só deve ser realizada após o diagnóstico de SIADH ter sido firmado, ou seja, após a exclusão das endocrinopatias (insuficiência adrenal e hipotireoidismo). No caso apresentado, a investigação endócrina obrigatória antes de concluir SIADH é a avaliação da função adrenal, não a tomografia de tórax.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o diagnóstico de SIADH e a investigação de suas causas. A tomografia de tórax (alternativa E) é um passo posterior ao diagnóstico — ela busca a etiologia da SIADH já confirmada. A alternativa correta cobra o passo anterior: excluir as endocrinopatias que mimetizam a síndrome. Lembre-se: SIADH é diagnóstico de exclusão, e a insuficiência adrenal é o grande mímico — sempre avalie cortisol e função adrenal antes de fechar o diagnóstico.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hiponatremia, monte o algoritmo mental: 1) classifique o volume (hipo/eu/hipervolêmica); 2) se euvolêmica, peça sódio urinário e osmolaridade urinária; 3) se padrão de ADH inapropriado, exclua insuficiência adrenal (cortisol) e hipotireoidismo (TSH); 4) só então pense em SIADH e investigue causas (medicações, neoplasias, pneumopatias, doenças neurológicas). Esse fluxo resolve a maioria das questões sobre o tema.
Gabarito: letra B — a avaliação de cortisol sérico e função adrenal é a investigação endócrina obrigatória antes de concluir síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético.