Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Neurologia
Código
qg727999
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Mulher de 58 anos, hipertensa há longa data, procura emergência com cefaleia intensa, confusão mental e visão borrada há 48 horas. Apresenta pressão arterial de 236/132 mmHg. Fundoscopia revela papiledema e hemorragias em “chama de vela”. Tomografia de crânio exclui hemorragia, mas sugere edema subcortical parieto-occipital bilateral. A conduta inicial mais adequada é
Areduzir rapidamente a pressão arterial para valores normais nas primeiras horas.
Biniciar tratamento oral com captopril e observar em enfermaria.
Cadmitir em unidade de terapia intensiva e iniciar anti-hipertensivo intravenoso com redução gradual da pressão.
Dpriorizar diurético de alça intravenoso como monoterapia inicial.
Epostergar tratamento anti-hipertensivo até exclusão completa de doença cerebrovascular isquêmica.
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GabaritoC — admitir em unidade de terapia intensiva e iniciar anti-hipertensivo intravenoso com redução gradual da pressão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Emergência hipertensiva: encefalopatia hipertensiva e conduta inicial
Gabarito: letra C. O quadro descrito — PA de 236/132 mmHg, cefaleia intensa, confusão mental, visão borrada, papiledema e hemorragias retinianas em "chama de vela", com edema subcortical parieto-occipital bilateral na TC — configura emergência hipertensiva com lesão de órgão-alvo (encefalopatia hipertensiva). A conduta correta é admitir em UTI e iniciar anti-hipertensivo intravenoso com redução gradual da PA, conforme as diretrizes de hipertensão arterial (Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025). A redução deve ser lenta e controlada, pois quedas abruptas podem causar hipoperfusão cerebral.
A emergência hipertensiva é definida como elevação acentuada da pressão arterial (PA ≥ 180/110 mmHg) associada a lesão aguda e progressiva de órgão-alvo (LOA). No caso, a LOA é neurológica: a encefalopatia hipertensiva. Ela ocorre quando a PA ultrapassa o limite da autorregulação cerebral, causando lesão endotelial, vasodilatação e extravasamento de plasma, resultando em edema cerebral difuso — daí os sintomas de cefaleia, confusão, alterações visuais e o achado de edema parieto-occipital bilateral (que lembra a síndrome de encefalopatia posterior reversível, PRES). O diagnóstico é de exclusão, e a TC afasta hemorragia, mas não exclui o edema.
O tratamento da emergência hipertensiva exige internação em UTI, uso de anti-hipertensivos intravenosos (como nitroprussiato de sódio, nitroglicerina, esmolol) e monitorização contínua da PA. A meta é reduzir a PA de forma gradual: até 25% na primeira hora, depois para 160/100 mmHg em 2 a 6 horas, e para níveis normais em 24 a 48 horas. Reduções rápidas e agressivas são proibidas, pois podem provocar isquemia cerebral, infarto do miocárdio ou lesão renal — exatamente o erro da alternativa A.
A distinção central é entre emergência hipertensiva (com LOA aguda, exige UTI e droga IV) e elevação importante da PA sem LOA (antes chamada de urgência hipertensiva, tratada com anti-hipertensivo oral e reavaliação ambulatorial em 1 a 7 dias). A alternativa B confunde esses dois cenários: captopril oral e enfermaria são para o caso sem LOA. A alternativa D erra ao priorizar diurético de alça como monoterapia inicial — ele não é a primeira escolha na encefalopatia hipertensiva, e seu uso isolado não trata a causa. A alternativa E é perigosa: postergar o tratamento até excluir doença cerebrovascular isquêmica atrasa a terapêutica e piora o prognóstico, pois a TC já afastou hemorragia e o quadro é de emergência.
Guarde a fronteira: emergência hipertensiva = UTI + droga IV + redução gradual; elevação importante sem LOA = via oral + observação. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Emergência hipertensiva
1Definição
PA ≥ 180/110 mmHg
Lesão aguda de órgão-alvo
2Encefalopatia hipertensiva
Falha da autorregulação cerebral
Edema cerebral difuso
Sintomas: cefaleia, confusão, visão borrada
3Conduta correta
UTI
Anti-hipertensivo IV
Redução gradual (25% na 1ª hora)
4Erros comuns
Redução rápida para valores normais
Via oral em enfermaria
Diurético de alça isolado
Postergar tratamento
5Elevação sem LOA (urgência)
Anti-hipertensivo oral
Observação ambulatorial
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Reduzir rapidamente a PA para valores normais nas primeiras horas é proibido nas emergências hipertensivas. A redução abrupta e excessiva pode causar hipoperfusão cerebral (pois a autorregulação está comprometida), levando a isquemia e infarto. A diretriz recomenda redução de até 25% na primeira hora, não para valores normais imediatamente. O erro está na palavra "rapidamente" e na meta "valores normais nas primeiras horas".
Alternativa B — ❌ Incorreta
Iniciar captopril oral e observar em enfermaria é conduta para elevação importante da PA sem LOA aguda (urgência hipertensiva), não para emergência hipertensiva com encefalopatia. A paciente tem LOA neurológica evidente (papiledema, confusão, edema cerebral), o que exige UTI e medicação intravenosa. A via oral tem início de ação lento e não permite o controle fino e imediato necessário.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta. A emergência hipertensiva com encefalopatia exige admissão em UTI, anti-hipertensivo intravenoso (nitroprussiato, nitroglicerina, esmolol) e redução gradual da PA (até 25% na 1ª hora, 160/100 mmHg em 2-6 h, normal em 24-48 h). A monitorização contínua permite ajustar a infusão e evitar hipoperfusão. A diretriz brasileira de hipertensão recomenda fortemente essa conduta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diurético de alça intravenoso como monoterapia inicial não é a primeira escolha na encefalopatia hipertensiva. Ele é útil no edema agudo de pulmão associado à emergência hipertensiva, mas não trata diretamente a vasoconstrição e o edema cerebral. Além disso, pode causar hipovolemia e piorar a perfusão cerebral. A base do tratamento são vasodilatadores intravenosos (nitroprussiato, nitroglicerina) ou betabloqueadores.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Postergar o tratamento anti-hipertensivo até excluir completamente doença cerebrovascular isquêmica é perigoso e incorreto. A TC já afastou hemorragia, e o quadro clínico (cefaleia, confusão, papiledema, edema parieto-occipital) é compatível com encefalopatia hipertensiva. Atraso no tratamento aumenta o risco de dano cerebral irreversível. A investigação de AVC isquêmico não impede o início imediato da terapia anti-hipertensiva intravenosa na emergência hipertensiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre emergência hipertensiva (com LOA, exige UTI + droga IV + redução gradual) e elevação importante da PA sem LOA (tratada com via oral e observação). A alternativa B parece razoável, mas a presença de papiledema e edema cerebral muda tudo: é emergência, não urgência. Fique atento aos sinais de LOA — eles decidem a conduta.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, identifique primeiro se há lesão de órgão-alvo aguda (neurológica, cardíaca, renal, vascular). Se houver → UTI + droga IV + redução gradual (até 25% na 1ª h). Se não houver → via oral + reavaliação ambulatorial. Memorize os alvos de redução: 25% na 1ª hora, 160/100 em 2-6 h, normal em 24-48 h.