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Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg728002
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Clínica Médica
Um homem de 58 anos procura atendimento ambulatorial com queixa de dispneia progressiva há 3 meses, associada a edema de membros inferiores e ganho ponderal. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 150/90 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm, estertores bibasais, turgência jugular e hepatomegalia dolorosa. Considerando os princípios da semiologia e do raciocínio clínico, qual representação inicial do problema favorece um raciocínio diagnóstico adequado?
  1. APaciente hipertenso com dispneia crônica e edema periférico, permitindo o diagnóstico clínico imediato de insuficiência cardíaca congestiva.
  2. BHomem de meia-idade com sintomas respiratórios e sistêmicos, possivelmente relacionados a doença pulmonar crônica descompensada.
  3. CQuadro de dispneia progressiva com sinais clínicos de congestão sistêmica e pulmonar, compatível com síndrome de insuficiência cardíaca.
  4. DPaciente com edema e dispneia associados a sobrecarga volêmica secundária à disfunção renal crônica.
  5. EIndivíduo com múltiplos fatores de risco cardiovasculares e sintomas compatíveis com doença coronariana estável.
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GabaritoC — Quadro de dispneia progressiva com sinais clínicos de congestão sistêmica e pulmonar, compatível com síndrome de insuficiência cardíaca.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Semiologia da dispneia e raciocínio clínico: síndrome de insuficiência cardíaca

Gabarito: letra C. A representação inicial do problema deve descrever a síndrome clínica — o conjunto de sinais e sintomas que se agrupam de forma coerente — e não fechar prematuramente um diagnóstico etiológico. O quadro de dispneia progressiva, edema de membros inferiores, ganho ponderal, estertores bibasais, turgência jugular e hepatomegalia dolorosa configura a síndrome de insuficiência cardíaca (IC), com congestão pulmonar e sistêmica. A alternativa C é a única que nomeia a síndrome sem afirmar uma causa específica, respeitando o princípio de que o raciocínio clínico parte da síndrome para as hipóteses etiológicas.

A semiologia médica ensina que o raciocínio diagnóstico segue uma hierarquia: primeiro, o médico identifica os sinais e sintomas; depois, agrupa-os em uma síndrome (conjunto de manifestações que ocorrem juntas e sugerem um mecanismo fisiopatológico comum); e só então formula hipóteses diagnósticas (as doenças específicas que podem causar aquela síndrome). Essa sequência evita dois erros clássicos: o diagnóstico prematuro (fechar uma causa antes de considerar o quadro como um todo) e a lista desorganizada de hipóteses (sem um fio condutor).

No caso apresentado, os achados se encaixam perfeitamente na síndrome de IC:

  • Congestão pulmonar: dispneia progressiva, estertores bibasais (edema intersticial/alveolar).

  • Congestão sistêmica (IC direita): edema de membros inferiores, turgência jugular (elevação da pressão venosa central), hepatomegalia dolorosa (congestão hepática aguda).

  • Mecanismo: o coração não consegue bombear o sangue de forma adequada, levando ao acúmulo retrógrado de sangue — primeiro nos pulmões (IC esquerda), depois na circulação sistêmica (IC direita).

A turgência jugular é um dado semiológico de alta acurácia para predizer elevação da pressão venosa central, sendo um dos sinais mais específicos de congestão. A hepatomegalia dolorosa, por sua vez, reflete a distensão aguda da cápsula hepática pela congestão venosa sistêmica — um comemorativo tardio, mas clássico, da IC direita.

A alternativa C é a representação sindrômica correta: ela descreve o que o paciente tem (dispneia progressiva + sinais de congestão sistêmica e pulmonar) e nomeia a síndrome (insuficiência cardíaca), sem afirmar a etiologia. As demais alternativas cometem o erro de fechar um diagnóstico etiológico (hipertensão, doença pulmonar, doença renal, doença coronariana) sem que os dados permitam essa conclusão — ou seja, pulam a etapa sindrômica e vão direto para a causa, o que é um vício de raciocínio clínico.

Guarde a fronteira: síndrome é o conjunto de sinais e sintomas que se agrupam; doença é a causa específica. A questão cobra exatamente essa distinção — a representação inicial do problema deve ser sindrômica, não etiológica.

Raciocínio clínico
  • 1Etapas
    • Sinais e sintomas
    • Síndrome (agrupamento)
    • Hipóteses etiológicas
  • 2Erros clássicos
    • Diagnóstico prematuro
    • Lista desorganizada de hipóteses
  • 3Síndrome de IC
    • Congestão pulmonar
      • Dispneia progressiva
      • Esteriores bibasais
    • Congestão sistêmica
      • Edema de MMII
      • Turgência jugular
      • Hepatomegalia dolorosa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o quadro permite o diagnóstico clínico imediato de insuficiência cardíaca congestiva. O erro está em duas frentes: (1) o diagnóstico de IC é clínico, mas não "imediato" — exige a integração de anamnese, exame físico e, idealmente, exames complementares (ECG, radiografia de tórax, ecocardiograma, BNP); (2) a alternativa reduz o problema a "paciente hipertenso", quando a hipertensão é apenas um fator de risco ou comorbidade, não a explicação do quadro. A representação correta é sindrômica, não etiológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sugere que o quadro é "possivelmente relacionado a doença pulmonar crônica descompensada". O erro é a lateralização para causa pulmonar sem base: os sinais de congestão sistêmica (turgência jugular, hepatomegalia, edema) não são explicados por doença pulmonar primária. A dispneia progressiva com estertores bibasais pode até lembrar DPOC, mas a presença de congestão sistêmica aponta fortemente para IC. A alternativa ignora a síndrome congestiva sistêmica, que é o dado decisivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve o quadro como "dispneia progressiva com sinais clínicos de congestão sistêmica e pulmonar, compatível com síndrome de insuficiência cardíaca". Esta é a representação sindrômica ideal: nomeia os dois eixos de congestão (pulmonar e sistêmica), que são exatamente o que o exame físico demonstra, e conclui pela síndrome de IC — sem afirmar a causa. É o raciocínio clínico adequado: primeiro a síndrome, depois as hipóteses etiológicas (hipertensiva, isquêmica, valvar, etc.).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Atribui o edema e a dispneia a "sobrecarga volêmica secundária à disfunção renal crônica". O erro é a causa única e específica sem dados que a sustentem: não há informação sobre função renal, e a disfunção renal crônica não explica a turgência jugular e a hepatomegalia congestiva com a mesma coerência que a IC. A alternativa pula a etapa sindrômica e afirma uma etiologia que não é a mais provável nem a única possível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fala em "múltiplos fatores de risco cardiovasculares e sintomas compatíveis com doença coronariana estável". O erro é duplo: (1) o quadro é de insuficiência cardíaca descompensada, não de doença coronariana estável — a dispneia progressiva com congestão é um quadro agudo/subagudo de IC, não angina estável; (2) a alternativa não nomeia a síndrome, apenas cita fatores de risco e um diagnóstico etiológico (doença coronariana) que não é o mais imediato. A doença coronariana é uma causa possível de IC, mas não é a representação inicial do problema.

Gabarito: letra C — a representação sindrômica é o primeiro passo do raciocínio clínico; a etiologia vem depois, com exames complementares.

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