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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
qg728016
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia
Acerca dos achados endoscópicos nas doenças sistêmicas e de suas implicações diagnósticas, assinale a alternativa correta.
  1. ANa esclerose sistêmica, o achado mais comum é a presença de esofagite, muitas vezes intensa.
  2. BEm pacientes com asma e uso crônico de corticoides inalatórios, na presença de disfagia, o achado endoscópico mais comum são úlceras esofágicas por herpes simples.
  3. CEm pacientes com doença de Crohn, são necessárias avaliação colônica e intubação ileal; com o exame completo, utiliza-se o escore de Mayo para classificar os achados.
  4. DEm pacientes com retocolite ulcerativa, pode-se encontrar úlceras e estenoses gastroduodenais, relacionadas à atividade da doença.
  5. EA descrição endoscópica de estômago em melancia pode estar presente em pacientes com cirrose, cujo tratamento de eleição atualmente é a fulguração com plasma de argônio.
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GabaritoA — Na esclerose sistêmica, o achado mais comum é a presença de esofagite, muitas vezes intensa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Achados endoscópicos nas doenças sistêmicas

Gabarito: letra A. Na esclerose sistêmica, o acometimento esofágico é a manifestação gastrointestinal mais frequente, e a esofagite de refluxo — muitas vezes intensa — é o achado endoscópico mais comum, decorrente da hipomotilidade do esôfago distal e da incompetência do esfíncter esofágico inferior. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a asma com corticoides inalatórios não cursa com úlceras por herpes simples; na doença de Crohn o escore utilizado é o de Crohn, não o de Mayo; a retocolite ulcerativa não acomete tipicamente o estômago e o duodeno; e o estômago em melancia tem como tratamento de eleição a terapia endoscópica com plasma de argônio, mas a alternativa erra ao afirmar que a fulguração é o tratamento de eleição na cirrose.

A esclerose sistêmica (esclerodermia) é uma doença autoimune do tecido conjuntivo caracterizada por fibrose cutânea e visceral e por vasculopatia. O trato gastrointestinal é o segundo sítio mais acometido, atrás apenas da pele, e o esôfago é o órgão mais frequentemente envolvido. A fisiopatologia do acometimento esofágico envolve a atrofia da camada muscular lisa e a fibrose, que comprometem o peristaltismo do corpo esofágico (especialmente os dois terços distais) e reduzem a pressão do esfíncter esofágico inferior. Essa combinação — hipomotilidade + esfíncter incompetente — favorece o refluxo gastroesofágico intenso e prolongado, levando à esofagite de refluxo, que pode ser grave, erosiva e até complicar com estenose péptica ou esôfago de Barrett. Por isso, a alternativa A está correta: a esofagite, muitas vezes intensa, é o achado endoscópico mais comum na esclerose sistêmica.

A alternativa B mistura conceitos de imunossupressão. A esofagite por herpes simples (HSV) ocorre tipicamente em imunossuprimidos — transplantados, HIV/aids, quimioterápicos — e, mais raramente, em adultos saudáveis. O uso crônico de corticoides inalatórios na asma não causa imunossupressão sistêmica relevante e não é fator de risco para esofagite herpética. Na verdade, o achado endoscópico mais comum em pacientes com asma e disfagia, especialmente com uso de corticoides inalatórios, é a candidíase esofágica, decorrente da imunossupressão local pela ação do corticoide tópico na orofaringe e esôfago. A esofagite por HSV, quando ocorre, manifesta-se endoscopicamente como múltiplas úlceras pequenas e superficiais na porção distal do esôfago, podendo evoluir para úlceras confluentes em casos avançados.

A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, com predileção pelo íleo terminal e cólon. O diagnóstico endoscópico exige colonoscopia completa com intubação ileal e biópsias de múltiplos sítios, incluindo o íleo. Para classificar a atividade endoscópica da doença de Crohn, utiliza-se o Índice de Atividade Endoscópica da Doença de Crohn (CDEIS) ou o Índice Endoscópico de Gravidade da Doença de Crohn (SES-CD). O escore de Mayo é utilizado para avaliar a atividade da retocolite ulcerativa, não da doença de Crohn. A alternativa C, portanto, troca os escores de atividade endoscópica entre as duas doenças inflamatórias intestinais.

A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal que acomete tipicamente o cólon e o reto, de forma contínua e ascendente a partir do reto. O acometimento gastroduodenal não faz parte do espectro da RCU; úlceras e estenoses gastroduodenais são mais características da doença de Crohn, que pode acometer o trato gastrointestinal superior. A alternativa D, portanto, atribui à RCU um achado que pertence à doença de Crohn.

O estômago em melancia (ectasia vascular antral gástrica — GAVE) é uma causa de sangramento gastrointestinal crônico, caracterizada endoscopicamente por ectasias vasculares lineares e eritematosas no antro gástrico, que se irradiam em direção ao piloro, lembrando as listras de uma melancia. A GAVE está associada a cirrose, mas também a outras condições, como doença renal crônica e esclerodermia. O tratamento de eleição é a terapia endoscópica, sendo a ablação com plasma de argônio a modalidade mais utilizada. A alternativa E, no entanto, afirma que a fulguração com plasma de argônio é o tratamento de eleição "em pacientes com cirrose", o que é impreciso: a GAVE pode ocorrer em pacientes cirróticos, mas o tratamento de eleição é para a GAVE em si, independentemente da presença de cirrose. Além disso, a alternativa não menciona que outras terapias endoscópicas (como laser, crioterapia) e medidas clínicas (como reposição de ferro e, em casos refratários, antrectomia) podem ser necessárias. O erro central é a generalização indevida: a fulguração com plasma de argônio é o tratamento de eleição da GAVE, não da cirrose.

A pegadinha da banca nesta questão é a associação incorreta entre doenças sistêmicas e achados endoscópicos específicos, explorando o conhecimento de que o aluno precisa dominar as manifestações gastrointestinais de cada doença. A alternativa A é a única que descreve corretamente uma associação clássica e bem estabelecida.

1Esclerose sistêmica
Esofagite de refluxo intensa (mais comum)
Hipomotilidade + EEI incompetente
2Asma + corticoide inalatório
Candidíase esofágica (mais comum)
Herpes simples (imunossuprimidos)
3Doença de Crohn
Colonoscopia + intubação ileal
Escore: CDEIS ou SES-CD
Escore de Mayo (é da RCU)
4Retocolite ulcerativa
Acomete cólon e reto
Úlceras gastroduodenais (são da Crohn)
5Estômago em melancia (GAVE)
Associada à cirrose
Tratamento: plasma de argônio (na GAVE)
Achados endoscópicos em doenças sistêmicas
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Achados endoscópicos em doenças sistêmicas: Esclerose sistêmica (Esofagite de refluxo intensa (mais comum), Hipomotilidade + EEI incompetente); Asma + corticoide inalatório (Candidíase esofágica (mais comum), Herpes simples (imunossuprimidos)); Doença de Crohn (Colonoscopia + intubação ileal, Escore: CDEIS ou SES-CD, Escore de Mayo (é da RCU)); Retocolite ulcerativa (Acomete cólon e reto, Úlceras gastroduodenais (são da Crohn)); Estômago em melancia (GAVE) (Associada à cirrose, Tratamento: plasma de argônio (na GAVE))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A esclerose sistêmica acomete o esôfago em até 90% dos pacientes, sendo a esofagite de refluxo o achado endoscópico mais comum. A hipomotilidade esofágica e a incompetência do esfíncter esofágico inferior levam a refluxo gastroesofágico intenso, com esofagite erosiva, muitas vezes grave. A alternativa está correta ao afirmar que a esofagite é o achado mais comum e que pode ser intensa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A esofagite por herpes simples é uma infecção oportunista, típica de imunossupressão grave (transplante, HIV/aids, quimioterapia). O uso crônico de corticoides inalatórios na asma não causa imunossupressão sistêmica e não é fator de risco para esofagite herpética. O achado endoscópico mais comum em pacientes com asma e disfagia, especialmente com uso de corticoides inalatórios, é a candidíase esofágica, pela imunossupressão local. A alternativa troca a etiologia infecciosa: herpes simples por candidíase.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença de Crohn exige colonoscopia completa com intubação ileal e biópsias de múltiplos sítios, incluindo o íleo. No entanto, o escore utilizado para classificar a atividade endoscópica da doença de Crohn é o CDEIS ou o SES-CD, não o escore de Mayo. O escore de Mayo é utilizado para avaliar a atividade da retocolite ulcerativa. A alternativa troca os escores de atividade endoscópica entre as duas doenças inflamatórias intestinais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A retocolite ulcerativa acomete tipicamente o cólon e o reto, de forma contínua e ascendente a partir do reto. Úlceras e estenoses gastroduodenais são características da doença de Crohn, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, incluindo o estômago e o duodeno. A alternativa atribui à RCU um achado que pertence à doença de Crohn.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O estômago em melancia (ectasia vascular antral gástrica — GAVE) é uma causa de sangramento gastrointestinal crônico, associada à cirrose, mas também a outras condições. O tratamento de eleição da GAVE é a terapia endoscópica, sendo a ablação com plasma de argônio a modalidade mais utilizada. A alternativa erra ao afirmar que a fulguração com plasma de argônio é o tratamento de eleição "em pacientes com cirrose": o tratamento é para a GAVE, não para a cirrose. A cirrose é uma condição associada, mas o tratamento de eleição da GAVE é independente da presença de cirrose.

Gabarito: letra A

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