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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
qg728017
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia
Paciente do sexo feminino, 39 anos, apresenta diarreia crônica há 2 anos, sem perda de peso ou produtos patológicos. Na história mórbida pregressa, refere tentativa de gestação desde os 20 anos, sem sucesso. Durante a história mórbida familiar, a paciente comenta que a irmã fez diagnóstico recente de intolerância ao glúten. Paciente apresenta hemograma, albumina, vitamina B12 e ferro dentro da normalidade. Sobre esse caso e a sua hipótese diagnóstica, assinale a alternativa correta.
  1. AA relação da infertilidade na doença celíaca está relacionada com deficiência de B12 e ferro, não sendo justificada nessa paciente.
  2. BPara o diagnóstico de doença celíaca, faz-se necessária biópsia duodenal, recomendando-se hoje frascos separados de bulbo e segunda porção duodenal.
  3. CNa suspeita de doença celíaca, em pacientes com deficiência de IgA, recomenda-se a realização de endoscopia pela ausência de outros exames sorológicos disponíveis.
  4. DNa suspeita de doença celíaca, a biópsia duodenal deve ser realizada para corroborar as alterações endoscópicas, sendo dispensável em exame endoscópico normal.
  5. EA dieta isenta de glúten em pacientes celíacos tem benefício na recuperação da mucosa duodenal, não gerando impacto no surgimento de manifestações extraintestinais, por seguirem curso clínico independente.
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GabaritoB — Para o diagnóstico de doença celíaca, faz-se necessária biópsia duodenal, recomendando-se hoje frascos separados de bulbo e segunda porção duodenal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença Celíaca: Diagnóstico e Manifestações Extraintestinais

Gabarito: letra B. A doença celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos, e o diagnóstico definitivo requer a demonstração das alterações histológicas características na mucosa duodenal, obtidas por biópsia endoscópica. As diretrizes atuais recomendam a coleta de múltiplos fragmentos, incluindo o bulbo duodenal e a segunda porção, acondicionados em frascos separados, para aumentar a acurácia diagnóstica, especialmente em casos de atrofia vilosa patchy ou limitada ao bulbo.

A doença celíaca é uma condição sistêmica, e a infertilidade é uma manifestação extraintestinal bem documentada, frequentemente presente mesmo na ausência de sintomas gastrointestinais clássicos ou de deficiências nutricionais evidentes. O mecanismo não se restringe à má absorção de nutrientes como ferro e B12, mas envolve alterações imunológicas e nutricionais que afetam a função reprodutiva. A paciente do caso, com diarreia crônica, história familiar positiva e infertilidade, tem alta suspeita clínica de doença celíaca, mesmo com exames laboratoriais normais, o que reforça a necessidade de investigação diagnóstica adequada.

O diagnóstico da doença celíaca segue um fluxo bem estabelecido, que começa com a suspeita clínica e a solicitação de exames sorológicos. Os anticorpos mais utilizados são a IgA antitransglutaminase tecidual (tTG) e a IgA antiendomísio (EMA), que apresentam alta sensibilidade e especificidade. Em pacientes com deficiência seletiva de IgA, condição mais prevalente em celíacos, a sorologia convencional pode ser falsamente negativa, sendo necessário solicitar a dosagem de IgA total e, se deficiente, realizar a pesquisa de anticorpos IgG (como IgG-tTG ou IgG-DGP) ou proceder diretamente à biópsia duodenal.

A biópsia duodenal permanece como o padrão-ouro para o diagnóstico, sendo essencial para confirmar a doença e excluir outras causas de atrofia vilosa. As diretrizes atuais recomendam a coleta de pelo menos seis fragmentos, sendo dois do bulbo duodenal e quatro da segunda porção, acondicionados em frascos separados e devidamente identificados. Essa recomendação se deve à possibilidade de lesões histológicas serem descontínuas, com acometimento predominante ou exclusivo do bulbo, o que poderia ser perdido se apenas a segunda porção fosse biopsiada. A endoscopia com luz branca pode mostrar alterações como diminuição das pregas, padrão em mosaico ou serrilhamento, mas a ausência desses achados não exclui a doença, sendo a biópsia indicada sempre que houver suspeita clínica e sorológica.

A dieta isenta de glúten é o único tratamento eficaz para a doença celíaca, promovendo a recuperação da mucosa duodenal e a resolução dos sintomas. Além disso, a adesão estrita à dieta é fundamental para prevenir e tratar as manifestações extraintestinais, incluindo a infertilidade, a osteoporose, a anemia e as doenças autoimunes associadas. O curso clínico das manifestações extraintestinais não é independente da atividade da doença intestinal; pelo contrário, elas geralmente melhoram ou se resolvem com a dieta, e a persistência de sintomas extraintestinais pode indicar má adesão ou doença refratária.

A questão explora o conhecimento sobre o diagnóstico e as manifestações da doença celíaca, um tema frequente em provas de gastroenterologia. A alternativa correta destaca um ponto crucial da técnica de biópsia, enquanto as demais apresentam erros conceituais ou informações desatualizadas. Para responder corretamente, é essencial dominar o fluxo diagnóstico, incluindo a importância da biópsia duodenal com múltiplos fragmentos, o manejo da deficiência de IgA e o papel da dieta no tratamento das manifestações sistêmicas.

Doença celíaca
  • 1Diagnóstico
    • Sorologia
      • IgA tTG e EMA
      • Deficiência de IgA → falso-negativo
        • Dosar IgA total
        • Pesquisar IgG (tTG/DGP)
    • Biópsia duodenal (padrão-ouro)
      • Múltiplos fragmentos
        • Bulbo e 2ª porção
        • Frascos separados
      • Endoscopia normal não exclui
  • 2Manifestações extraintestinais
    • Infertilidade
      • Mecanismo multifatorial
      • Melhora com dieta
    • Osteoporose, anemia, autoimunes
  • 3Tratamento
    • Dieta isenta de glúten
      • Recupera mucosa
      • Trata manifestações sistêmicas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A infertilidade na doença celíaca não está relacionada apenas à deficiência de B12 e ferro. Embora a má absorção possa contribuir, o mecanismo é multifatorial, envolvendo desnutrição, alterações hormonais, autoimunidade e deficiência de outros micronutrientes (como zinco e selênio). A paciente do caso tem infertilidade e diarreia crônica, com exames laboratoriais normais, o que não exclui a doença celíaca como causa da infertilidade. A literatura documenta melhora da fertilidade após a instituição da dieta sem glúten, mesmo em pacientes sem deficiências nutricionais evidentes.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta ao destacar que o diagnóstico de doença celíaca requer biópsia duodenal e que a recomendação atual é a coleta de fragmentos do bulbo e da segunda porção duodenal em frascos separados. Essa prática visa aumentar a sensibilidade do exame, pois a atrofia vilosa pode ser descontínua ou limitada ao bulbo, e a separação dos frascos permite ao patologista avaliar cada sítio separadamente, evitando erros de interpretação. As diretrizes da European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition (ESPGHAN) e da American College of Gastroenterology (ACG) recomendam a coleta de pelo menos seis fragmentos, sendo dois do bulbo e quatro da segunda porção, em frascos separados.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Em pacientes com deficiência de IgA, a sorologia convencional (IgA-tTG e IgA-EMA) pode ser falsamente negativa. No entanto, existem outros exames sorológicos disponíveis, como os anticorpos IgG-tTG, IgG-DGP (deamidated gliadin peptide) e IgG-EMA, que devem ser solicitados nesses casos. Portanto, a endoscopia não é a única opção diagnóstica, e a afirmação de que não há outros exames sorológicos é incorreta. A conduta adequada é solicitar a dosagem de IgA total e, se deficiente, realizar a pesquisa de anticorpos IgG ou proceder à biópsia duodenal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A biópsia duodenal não é dispensável em pacientes com endoscopia normal. A endoscopia com luz branca pode ser normal em até 30-50% dos casos de doença celíaca, especialmente em formas leves ou com atrofia vilosa limitada ao bulbo. A biópsia é o padrão-ouro e deve ser realizada sempre que houver suspeita clínica e sorológica, independentemente dos achados endoscópicos. A ausência de alterações endoscópicas não exclui a doença, e a biópsia é essencial para o diagnóstico definitivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dieta isenta de glúten tem impacto direto nas manifestações extraintestinais, que não seguem curso clínico independente. A adesão à dieta promove a recuperação da mucosa duodenal e a resolução ou melhora das manifestações sistêmicas, como infertilidade, osteoporose, anemia, dermatite herpetiforme e sintomas neurológicos. A persistência de manifestações extraintestinais após a instituição da dieta pode indicar má adesão, doença refratária ou outra condição associada. Portanto, a afirmação de que a dieta não gera impacto nas manifestações extraintestinais é incorreta.

Gabarito: letra B

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