Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg728023
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia
Quanto ao câncer gástrico precoce e ao seu rastreamento endoscópico, assinale a alternativa correta.
ASe familiar de primeiro grau com câncer gástrico, recomenda-se endoscopia aos 45 anos ou 10 anos antes da idade de diagnóstico do familiar.
BRecomenda-se manter o rastreamento para câncer gástrico até os 85 anos.
CEm pacientes com pangastrite atrófica e com lesões passíveis de ressecção sem sinais de alarme, recomenda-se realização de ecoendoscopia antes da ressecção.
DRecomendam-se 2 frascos para avaliação de atrofia e metaplasia: antro e corpo; biópsias adicionais da incisura são obrigatórias nesse contexto.
ECarcinoma gástrico intramucoso, menor ou igual a 35 mm ulcerado, é passível de ressecção via dissecção endoscópica de submucosa.
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GabaritoA — Se familiar de primeiro grau com câncer gástrico, recomenda-se endoscopia aos 45 anos ou 10 anos antes da idade de diagnóstico do familiar.
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Câncer gástrico precoce: rastreamento e ressecção endoscópica
Gabarito: letra A. Para familiares de primeiro grau de pacientes com câncer gástrico, recomenda-se endoscopia digestiva alta aos 45 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar, o que ocorrer primeiro — critério de rastreamento em populações de alto risco, conforme diretrizes de gastroenterologia. As demais alternativas contêm erros técnicos: o rastreamento não se mantém até os 85 anos, a ecoendoscopia não é obrigatória antes de toda ressecção de lesões sem sinais de alarme, as biópsias da incisura não são obrigatórias no protocolo de atrofia/metaplasia, e o carcinoma intramucoso ulcerado > 30 mm não é elegível para dissecção endoscópica.
O câncer gástrico precoce é definido como a neoplasia confinada à mucosa ou submucosa, independentemente da presença de linfonodos metastáticos. O rastreamento endoscópico é recomendado em países de alta incidência (como Japão e Coreia) e em grupos de alto risco, incluindo familiares de primeiro grau de portadores da doença. A diretriz do American College of Gastroenterology (ACG) estabelece que, para esses familiares, a endoscopia deve ser iniciada aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar afetado, o que ocorrer primeiro — a alternativa A espelha esse critério, ainda que com a idade de 45 anos, que é a recomendação de outras sociedades (como a European Society of Gastrointestinal Endoscopy). A lógica é antecipar o diagnóstico em um grupo com risco aumentado, permitindo a detecção de lesões precoces passíveis de tratamento curativo endoscópico.
A ressecção endoscópica (mucosectomia ou dissecção endoscópica de submucosa — DES) é o tratamento de escolha para o câncer gástrico precoce com risco linfonodal muito baixo. Os critérios clássicos de elegibilidade para DES incluem: carcinoma intramucoso bem diferenciado, sem ulceração, com tamanho ≤ 2 cm; ou carcinoma intramucoso bem diferenciado, ulcerado, com tamanho ≤ 3 cm; ou carcinoma intramucoso indiferenciado, sem ulceração, com tamanho ≤ 2 cm. A alternativa E erra ao afirmar que um carcinoma intramucoso ulcerado de até 35 mm seria elegível — o limite para lesões ulceradas é 30 mm. A ecoendoscopia (USE) é útil para estadiamento local (profundidade de invasão e linfonodos), mas não é obrigatória antes da ressecção de lesões sem sinais de alarme, quando a endoscopia convencional com cromoendoscopia já permite avaliar os critérios de elegibilidade.
O protocolo de biópsias para avaliação de atrofia e metaplasia gástrica (escala de Sydney) recomenda a coleta de 5 fragmentos: 2 do antro (pequena e grande curvatura), 2 do corpo (pequena e grande curvatura) e 1 da incisura angular. A alternativa D afirma que as biópsias da incisura são obrigatórias, o que está correto, mas o erro está em dizer que são recomendados apenas 2 frascos (antro e corpo) — o protocolo exige 5 biópsias em 5 sítios distintos, e a incisura é um deles. A alternativa C sugere ecoendoscopia antes da ressecção de lesões sem sinais de alarme, o que não é recomendado — a USE é reservada para casos de dúvida quanto à profundidade ou para estadiamento de lesões avançadas. A alternativa B erra ao manter o rastreamento até os 85 anos, pois as diretrizes recomendam descontinuar o rastreamento em pacientes com expectativa de vida limitada ou idade avançada, geralmente acima de 75-80 anos, considerando o risco-benefício e a capacidade de tolerar o tratamento.
A pegadinha central desta questão é a combinação de critérios de elegibilidade para ressecção endoscópica: o candidato precisa memorizar os limites de tamanho, ulceração e diferenciação histológica. A banca explora a confusão entre os critérios para lesões ulceradas (≤ 30 mm) e não ulceradas (≤ 20 mm), além de inverter a recomendação de idade para rastreamento em familiares.
Critério
Elegível para DES
Não elegível para DES
Diferenciação histológica
Bem diferenciado
Indiferenciado (fora dos critérios)
Ulceração
Ausente (≤ 2 cm) ou presente (≤ 3 cm)
Ulcerado > 3 cm
Tamanho máximo
2 cm (sem ulceração) ou 3 cm (ulcerado)
> 2 cm (sem ulceração) ou > 3 cm (ulcerado)
Câncer gástrico precoce
1Rastreamento (familiares de 1º grau)
Endoscopia aos 45 anos
Ou 10 anos antes do diagnóstico do familiar
2Elegibilidade para ressecção endoscópica
Intramucoso bem diferenciado
Sem ulceração ≤ 2 cm
Com ulceração ≤ 3 cm
Intramucoso indiferenciado
Sem ulceração ≤ 2 cm
3Protocolo de biópsias (Sydney)
2 antro
2 corpo
1 incisura
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao estabelecer que, para familiares de primeiro grau de pacientes com câncer gástrico, recomenda-se endoscopia aos 45 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar, o que ocorrer primeiro. Esse é o critério de rastreamento em populações de alto risco, conforme diretrizes de gastroenterologia (ACG e ESGE). A lógica é antecipar o diagnóstico em um grupo com risco aumentado, permitindo a detecção de lesões precoces passíveis de tratamento curativo endoscópico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o rastreamento deve ser mantido até os 85 anos. As diretrizes recomendam descontinuar o rastreamento em pacientes com idade avançada ou expectativa de vida limitada, geralmente acima de 75-80 anos, considerando o risco-benefício e a capacidade de tolerar o tratamento. Manter o rastreamento até os 85 anos não é recomendado, pois o benefício potencial é reduzido e os riscos do procedimento aumentam com a idade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao recomendar ecoendoscopia antes da ressecção de lesões sem sinais de alarme. A USE é útil para estadiamento local (profundidade de invasão e linfonodos), mas não é obrigatória antes da ressecção de lesões sem sinais de alarme, quando a endoscopia convencional com cromoendoscopia já permite avaliar os critérios de elegibilidade. A USE é reservada para casos de dúvida quanto à profundidade ou para estadiamento de lesões avançadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que são recomendados apenas 2 frascos para avaliação de atrofia e metaplasia (antro e corpo). O protocolo de Sydney recomenda a coleta de 5 fragmentos: 2 do antro (pequena e grande curvatura), 2 do corpo (pequena e grande curvatura) e 1 da incisura angular. A incisura é um sítio obrigatório, mas o erro está em dizer que apenas 2 frascos são suficientes — o protocolo exige 5 biópsias em 5 sítios distintos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que carcinoma gástrico intramucoso ulcerado de até 35 mm é passível de ressecção via DES. Os critérios de elegibilidade para DES incluem: carcinoma intramucoso bem diferenciado, sem ulceração, com tamanho ≤ 2 cm; ou carcinoma intramucoso bem diferenciado, ulcerado, com tamanho ≤ 3 cm; ou carcinoma intramucoso indiferenciado, sem ulceração, com tamanho ≤ 2 cm. O limite para lesões ulceradas é 30 mm, não 35 mm.