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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
qg728029
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia
Paciente de 20 anos vai ao pronto atendimento referindo ter diarreia há um dia, náuseas e vômitos persistentes e dor abdominal. Afirma que, na última vez que vomitou, viu raias de sangue. A respeito desse quadro, assinale a alternativa correta.
  1. ASe o paciente tiver escore de Glasgow-Blatchford 2, ele pode ser liberado para seguimento ambulatorial.
  2. BPara cálculo de escore de Glasgow-Blatchford, deve-se solicitar laboratorialmente hemoglobina e ureia.
  3. CSe o paciente utilizar aspirina para profilaxia secundária, ela deve ser interrompida na vigência de hemorragia digestiva alta.
  4. DA endoscopia deve ser realizada em até 12 horas, pois há mudança de desfecho.
  5. EA laceração na junção entre o esôfago e o estômago em decorrência de vômitos, também chamada Dieulafoy, é uma possível causa do sangramento desse paciente.
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GabaritoB — Para cálculo de escore de Glasgow-Blatchford, deve-se solicitar laboratorialmente hemoglobina e ureia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia digestiva alta: escore de Glasgow-Blatchford e conduta

Gabarito: letra B. O escore de Glasgow-Blatchford é um instrumento de estratificação de risco pré-endoscopia para hemorragia digestiva alta (HDA), e seu cálculo exige, obrigatoriamente, dados laboratoriais de hemoglobina e ureia — além de parâmetros clínicos como idade, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica, presença de melena, síncope, comorbidades e sangramento ativo. É exatamente essa composição que a alternativa correta descreve.

O escore de Glasgow-Blatchford (GBS) foi desenvolvido para identificar, na admissão, pacientes com HDA que apresentam baixo risco de necessidade de intervenção (transfusão, endoscopia terapêutica ou cirurgia) e que, portanto, poderiam ser manejados ambulatorialmente. Ele é calculado antes da endoscopia, com base em variáveis clínicas e laboratoriais. O escore varia de 0 a 23 pontos, e um valor de 0 é o ponto de corte clássico para considerar o paciente de baixo risco e candidato a alta com seguimento ambulatorial. Valores de 1 ou 2 já indicam risco aumentado e necessidade de internação para observação e investigação. A alternativa A, portanto, está incorreta ao afirmar que um escore de 2 permitiria liberação ambulatorial — o ponto de corte para baixo risco é 0.

A composição do escore é um ponto central. As variáveis clínicas incluem idade, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica, presença de melena, síncope, comorbidades (hepatopatia, insuficiência cardíaca, doença isquêmica, etc.) e sangramento ativo. As variáveis laboratoriais são hemoglobina e ureia. A ureia elevada reflete a digestão do sangue no trato gastrointestinal, sendo um marcador indireto de sangramento. A hemoglobina avalia a gravidade da perda sanguínea. Esses dois exames são essenciais para o cálculo, e é isso que a alternativa B corretamente afirma.

A conduta na HDA envolve, além da estratificação de risco, a estabilização hemodinâmica e a realização de endoscopia digestiva alta. O momento da endoscopia é controverso: diretrizes sugerem que, em pacientes com alto risco (escore de Glasgow-Blatchford > 12, por exemplo), a endoscopia deve ser realizada em até 24 horas, mas não há evidência forte de que a realização em até 12 horas mude desfechos. A alternativa D, portanto, está incorreta ao afirmar que a endoscopia deve ser realizada em até 12 horas por mudança de desfecho.

A alternativa C aborda o uso de aspirina. Em pacientes com HDA, a decisão de interromper ou manter a aspirina depende do risco cardiovascular. Para profilaxia secundária (pacientes com doença cardiovascular estabelecida), a recomendação atual é manter a aspirina, se possível, pois a interrupção aumenta o risco de eventos trombóticos. A alternativa C está incorreta ao afirmar que ela deve ser interrompida.

A alternativa E menciona a laceração na junção esôfago-gástrica por vômitos, chamando-a de Dieulafoy. Na verdade, essa laceração é a Síndrome de Mallory-Weiss, que é uma causa comum de HDA em pacientes jovens com vômitos. A lesão de Dieulafoy é um vaso submucoso aberrante dilatado, sem associação com úlcera, e é uma causa menos comum. A alternativa E está incorreta ao confundir os dois diagnósticos.

A pegadinha da questão está na confusão entre Mallory-Weiss e Dieulafoy, além da interpretação do escore de Glasgow-Blatchford. O aluno deve lembrar que o ponto de corte para baixo risco é 0, e que a aspirina em profilaxia secundária geralmente é mantida.

Escore de Glasgow-Blatchford
  • 1Objetivo
    • Estratificação pré-endoscopia
    • Baixo risco → alta ambulatorial
  • 2Variáveis clínicas
    • Idade
    • Frequência cardíaca
    • Pressão arterial sistólica
    • Melena
    • Síncope
    • Comorbidades
  • 3Variáveis laboratoriais
    • Hemoglobina
    • Ureia
  • 4Pontos de corte
    • 0 → baixo risco
    • 1 ou 2 → risco aumentado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que um escore de Glasgow-Blatchford 2 permite liberação ambulatorial. O ponto de corte para baixo risco é 0. Escores de 1 ou 2 já indicam risco aumentado e necessidade de internação. O escore de 2 não é suficiente para alta segura.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O escore de Glasgow-Blatchford inclui, obrigatoriamente, hemoglobina e ureia como variáveis laboratoriais. Esses exames são essenciais para o cálculo, juntamente com as variáveis clínicas. A alternativa está correta ao afirmar isso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a aspirina deve ser interrompida na vigência de HDA. Para profilaxia secundária, a recomendação é manter a aspirina, se possível, pois a interrupção aumenta o risco de eventos trombóticos. A decisão deve ser individualizada, mas a interrupção não é a regra.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a endoscopia deve ser realizada em até 12 horas por mudança de desfecho. As diretrizes sugerem endoscopia em até 24 horas para pacientes de alto risco, mas não há evidência de que 12 horas mude desfechos. O prazo de 12 horas não é o recomendado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Confunde a laceração esôfago-gástrica por vômitos com a lesão de Dieulafoy. A laceração é a Síndrome de Mallory-Weiss, uma causa comum de HDA em jovens com vômitos. A lesão de Dieulafoy é um vaso submucoso aberrante, sem relação com vômitos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a Síndrome de Mallory-Weiss pela lesão de Dieulafoy. Lembre-se: Mallory-Weiss é a laceração por vômitos; Dieulafoy é um vaso aberrante. Além disso, o ponto de corte do Glasgow-Blatchford para baixo risco é 0, não 2.

PEGA ESSA DICA!

Para o escore de Glasgow-Blatchford, memorize as variáveis: idade, FC, PAS, melena, síncope, comorbidades, hemoglobina e ureia. O ponto de corte para baixo risco é 0. Na dúvida, revise a composição do escore antes de responder.

Gabarito: letra B

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