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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
qg728038
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia
Paciente do sexo feminino, 72 anos, hipertensa, diabética, tabagista e cardiopata, dá entrada no pronto atendimento por quadro de melena há 2 dias. Realizou endoscopia, a qual evidenciou duas úlceras antrais, uma delas Forrest Ia. Foi realizado teste de urease, que resultou negativo. Em relação ao quadro clínico e à melhor conduta nesse caso, assinale a alternativa correta.
  1. AO teste para H. pylori deve ser repetido pelo menos um mês após resolução da hemorragia digestiva.
  2. BO melhor teste para ser realizado para pesquisa de H. pylori em vigência de hemorragia digestiva alta é o teste de urease.
  3. CA descrição endoscópica da úlcera caracteriza-se como sangramento em babação e necessidade de terapia endoscópica.
  4. DA úlcera descrita tem chance de ressangramento de 20-30%.
  5. ENa falha da terapia endoscópica, pode-se utilizar o tubo de Minnesota.
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GabaritoA — O teste para H. pylori deve ser repetido pelo menos um mês após resolução da hemorragia digestiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia digestiva alta por úlcera péptica: manejo e pesquisa de H. pylori

Gabarito: letra A. Em vigência de hemorragia digestiva alta, o teste de urease para H. pylori apresenta alta taxa de falso-negativo, pois o sangue no estômago alcaliniza o meio e inibe a atividade da urease bacteriana. Por isso, a recomendação é repetir o teste pelo menos um mês após a resolução do sangramento, conforme as diretrizes de manejo da doença ulcerosa péptica. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a classificação de Forrest, o risco de ressangramento e as opções terapêuticas.

A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência médica comum, e a úlcera péptica é sua causa mais frequente, responsável por cerca de um terço dos casos. O quadro clássico inclui melena (fezes pretas, alcatroadas e de odor fétido, resultantes da digestão do sangue pelo ácido gástrico e bactérias intestinais) e, em sangramentos mais volumosos, hematêmese. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame diagnóstico e terapêutico de eleição, devendo ser realizada precocemente, idealmente nas primeiras 12 a 24 horas, após estabilização hemodinâmica.

A classificação de Forrest é fundamental para estratificar o risco de ressangramento e orientar a conduta. Ela descreve o aspecto endoscópico da úlcera: Forrest Ia é sangramento em jato ativo; Ib é sangramento em babação (escoamento ativo, sem jato); IIa é vaso visível não sangrante; IIb é coágulo aderido; IIc é mancha plana (hematina); e III é úlcera com base limpa. As classes Ia, Ib, IIa e IIb são consideradas estigmas de alto risco de ressangramento e indicam necessidade de terapia endoscópica e internação para observação. Já as classes IIc e III não se beneficiam de tratamento endoscópico, sendo tratadas apenas com inibidor de bomba de prótons (IBP) oral.

O risco de ressangramento varia conforme a classificação de Forrest: para Forrest Ia e Ib, o risco é de aproximadamente 55% e 40%, respectivamente, sem tratamento endoscópico. Com a terapia endoscópica, esse risco cai drasticamente. A alternativa D afirma que a úlcera descrita (Forrest Ia) tem chance de ressangramento de 20-30%, o que está incorreto — esse percentual é subestimado para um sangramento ativo em jato, cujo risco é bem maior (em torno de 55% sem tratamento).

A pesquisa de H. pylori é parte essencial do manejo da úlcera péptica, pois a erradicação da bactéria reduz significativamente a taxa de recidiva e de ressangramento. No entanto, em pacientes com HDA, o teste de urease (teste rápido da urease) tem sensibilidade reduzida, com alta taxa de falso-negativo. Isso ocorre porque o sangue no lúmen gástrico tem pH alcalino, que inibe a atividade da urease bacteriana, e também porque o uso de IBP, frequentemente iniciado antes da endoscopia, suprime a bactéria. Por essa razão, as diretrizes recomendam que, se o teste de urease for negativo durante o episódio de sangramento, ele seja repetido pelo menos 4 semanas (1 mês) após a resolução da hemorragia e, idealmente, após a suspensão do IBP por 2 semanas, para confirmar o status de H. pylori.

A alternativa B sugere que o teste de urease é o melhor exame em vigência de HDA, o que é incorreto — justamente por sua baixa sensibilidade nesse contexto. A alternativa C descreve a úlcera Forrest Ia como "sangramento em babação", mas isso corresponde à Forrest Ib; a Forrest Ia é sangramento em jato. A alternativa E menciona o tubo de Minnesota como opção na falha da terapia endoscópica, mas esse dispositivo é um balão de tamponamento usado para varizes esofágicas, não para úlcera péptica. Na falha da hemostasia endoscópica em úlcera, as opções incluem repetir a endoscopia, embolização angiográfica ou cirurgia.

A pegadinha central desta questão está na combinação de dois pontos: a classificação de Forrest (Ia = jato, não babação) e a conduta correta diante do teste de urease negativo em contexto de sangramento (repetir após 1 mês, não aceitar o resultado como definitivo). O candidato que decora apenas a classificação de Forrest pode acertar a alternativa C, mas erra ao não considerar a limitação do teste de urease na HDA. Por outro lado, quem sabe da limitação do teste pode marcar a alternativa A, mas precisa também reconhecer o erro da descrição de Forrest Ia.

HDA por úlcera péptica
  • 1Classificação de Forrest
    • Ia: jato ativo (risco ~55%)
    • Ib: babação (risco ~40%)
    • IIa: vaso visível
    • IIb: coágulo aderido
    • IIc: mancha plana
    • III: base limpa
  • 2Pesquisa de H. pylori
    • Teste de urease na HDA
      • Falso-negativo (sangue alcaliniza)
      • IBP suprime a bactéria
    • Repetir após 1 mês
  • 3Falha da hemostasia endoscópica
    • Repetir endoscopia
    • Embolização angiográfica
    • Cirurgia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta. Em pacientes com hemorragia digestiva alta, o teste de urease para H. pylori tem alta taxa de falso-negativo devido à alcalinização do meio pelo sangue e ao uso prévio de IBP. A recomendação das diretrizes é repetir o teste pelo menos um mês após a resolução do sangramento, idealmente com o paciente sem IBP por 2 semanas, para obter resultado confiável. Essa conduta é essencial porque a erradicação do H. pylori reduz o risco de recidiva e ressangramento da úlcera.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. O teste de urease não é o melhor exame em vigência de hemorragia digestiva alta, justamente por sua baixa sensibilidade nesse contexto (falso-negativo frequente). O melhor teste para pesquisa de H. pylori durante a HDA seria a histologia (biópsia) ou, se disponível, o teste molecular (PCR), que são menos afetados pela presença de sangue. O teste de urease é excelente em condições normais, mas perde acurácia no sangramento ativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. A descrição "sangramento em babação" corresponde à classificação de Forrest Ib, não à Forrest Ia. A úlcera Forrest Ia é caracterizada por sangramento em jato ativo (arterial). Ambas (Ia e Ib) indicam necessidade de terapia endoscópica, mas a descrição do tipo de sangramento está trocada. A banca inverteu a definição de Forrest Ia e Ib.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. A úlcera Forrest Ia (sangramento em jato ativo) tem risco de ressangramento de aproximadamente 55% sem tratamento endoscópico, e não 20-30%. O percentual de 20-30% seria mais compatível com lesões de menor risco, como Forrest IIb (coágulo aderido) sem tratamento, ou com o risco basal de ressangramento após terapia endoscópica bem-sucedida. A banca subestimou o risco para uma lesão de altíssimo risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta. O tubo de Minnesota (ou balão de Sengstaken-Blakemore) é um dispositivo de tamponamento utilizado para controle temporário de hemorragia por varizes esofagogástricas, não para úlcera péptica. Na falha da terapia endoscópica em úlcera sangrante, as opções incluem: repetir a endoscopia com nova hemostasia, embolização angiográfica (pela arteriografia) ou cirurgia (gastrotomia com sutura do vaso sangrante). O tubo de Minnesota não tem papel no manejo da úlcera péptica hemorrágica.

Gabarito: letra A

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