Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg728040
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia
Um gastroenterologista está no ambulatório de clínica médica e uma paciente vem consultar por alteração em exames solicitados de rotina por outro médico. Ela refere estufamento e apresenta HLA-DQ2 positivo, já parou a ingesta de glúten há vários meses. Sobre o resultado, é correto afirmar que
Aa conduta está adequada e a paciente deve manter-se em dieta isenta de glúten.
Ba paciente deve ser submetida à sorologia nesse momento para elucidação diagnóstica.
Co HLA-DQ2 está presente em todos os pacientes com doença celíaca e em cerca de 30% da população branca saudável.
Da paciente deve ser submetida à endoscopia digestiva alta nesse momento para elucidação diagnóstica.
Eo exame de HLA-DQ2 é utilizado em casos específicos de dúvida diagnóstica e não no rastreio de doença celíaca.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — o exame de HLA-DQ2 é utilizado em casos específicos de dúvida diagnóstica e não no rastreio de doença celíaca.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença celíaca: o papel do HLA-DQ2 no diagnóstico
Gabarito: letra E. O HLA-DQ2 é um marcador genético de suscetibilidade, não um teste diagnóstico: seu valor está em casos específicos de dúvida diagnóstica (alto valor preditivo negativo), e não no rastreio da doença celíaca. A paciente já está em dieta isenta de glúten há meses, o que inviabiliza a sorologia e a endoscopia diagnóstica neste momento — ambas dependem da exposição ao glúten para serem interpretadas.
A doença celíaca é uma enteropatia imunomediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. A predisposição genética está fortemente associada aos antígenos HLA de classe II, sobretudo HLA-DQ2 e HLA-DQ8. No entanto, essa associação não é diagnóstica: nos países ocidentais, cerca de 40% da população apresenta HLA-DQ2 ou DQ8, enquanto a prevalência da doença é de aproximadamente 1%. Isso significa que a grande maioria das pessoas com o HLA não desenvolve a doença — o marcador tem alto valor preditivo negativo (se ausente, praticamente exclui a doença), mas baixo valor preditivo positivo (se presente, não confirma nada).
O diagnóstico da doença celíaca repousa em três pilares: sorologia (anticorpos IgA antitransglutaminase tecidual, antiendomísio), endoscopia digestiva alta com biópsia duodenal e resposta clínica à dieta isenta de glúten. A biópsia intestinal é o exame mais valioso para estabelecer o diagnóstico. A genotipagem HLA, por sua vez, não é rotineiramente solicitada — fica reservada para situações específicas, como quando há dúvida diagnóstica após sorologia e biópsia inconclusivas, ou para excluir a doença em familiares de risco.
O ponto crítico desta questão é o momento do diagnóstico. A paciente já está em dieta isenta de glúten há vários meses. Como os anticorpos da doença celíaca são dependentes de glúten, a sorologia realizada após meses de dieta pode estar falsamente negativa — o mesmo vale para a endoscopia, pois a mucosa duodenal pode já ter se regenerado. Por isso, solicitar sorologia ou endoscopia agora, sem reintrodução do glúten, não elucida o diagnóstico. A conduta correta seria avaliar a indicação de reintrodução do glúten para então realizar os exames diagnósticos, ou considerar o diagnóstico já estabelecido pela resposta clínica à dieta.
A alternativa E captura exatamente o papel do HLA-DQ2: ele é utilizado em casos específicos de dúvida diagnóstica, não no rastreio. As demais alternativas erram ao sugerir condutas inadequadas ao momento clínico ou ao superestimar o valor do HLA. Guarde a distinção entre marcador de suscetibilidade e teste diagnóstico — é nela que as alternativas se dividem.
HLA-DQ2 na doença celíaca: Papel (Não é teste diagnóstico, Exclui doença (alto VPN), Não confirma (baixo VPP)); Uso (Casos de dúvida diagnóstica, Não no rastreio); População (~40% têm DQ2/DQ8, ~1% desenvolvem a doença)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a conduta está adequada e que a paciente deve manter-se em dieta isenta de glúten. O erro está em considerar a conduta adequada sem diagnóstico firmado. A paciente tem apenas HLA-DQ2 positivo e sintomas vagos (estufamento) — não há confirmação diagnóstica de doença celíaca. Manter a dieta sem glúten indefinidamente, sem diagnóstico, não é conduta adequada; além disso, a dieta já iniciada sem diagnóstico prévio compromete a realização dos exames confirmatórios.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe sorologia neste momento para elucidação diagnóstica. O erro é temporal: a paciente está em dieta isenta de glúten há vários meses, e os anticorpos da doença celíaca são dependentes de glúten. A sorologia agora provavelmente será negativa ou falsamente negativa, não contribuindo para o diagnóstico. A sorologia só tem valor diagnóstico se o paciente estiver em dieta com glúten.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o HLA-DQ2 está presente em todos os pacientes com doença celíaca e em cerca de 30% da população branca saudável. Há dois erros: (1) nem todos os pacientes com doença celíaca têm HLA-DQ2 — cerca de 5-10% têm HLA-DQ8; (2) a prevalência na população ocidental é de aproximadamente 40% (HLA-DQ2 ou DQ8), não 30%. O dado correto é que cerca de 40% da população apresenta HLA-DQ2 ou DQ8, enquanto a prevalência da doença é de cerca de 1%.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe endoscopia digestiva alta neste momento para elucidação diagnóstica. O erro é o mesmo da alternativa B: a endoscopia com biópsia duodenal só tem valor diagnóstico se o paciente estiver exposto ao glúten. Após meses de dieta isenta de glúten, a mucosa pode já ter se regenerado, e a biópsia pode não mostrar as alterações características (atrofia de vilosidades, hiperplasia de criptas, infiltrado linfocitário). A endoscopia agora não elucida o diagnóstico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o exame de HLA-DQ2 é utilizado em casos específicos de dúvida diagnóstica e não no rastreio de doença celíaca. Esta é a afirmação correta. A genotipagem HLA tem alto valor preditivo negativo (VPN), porém baixo valor preditivo positivo (VPP) e não é rotineiramente solicitada. Ela é útil para excluir a doença (se HLA-DQ2 e DQ8 ausentes, a doença é praticamente descartada), mas não para confirmá-la ou rastreá-la, dada a alta prevalência do marcador na população geral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre marcador genético de suscetibilidade e teste diagnóstico. O candidato pode pensar que o HLA-DQ2 positivo "confirma" a doença celíaca, mas ele apenas indica predisposição — cerca de 40% da população tem o marcador, e só 1% desenvolve a doença. Além disso, a banca testa o conhecimento de que sorologia e endoscopia dependem da exposição ao glúten: com a paciente já em dieta, esses exames perdem o valor diagnóstico neste momento.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de doença celíaca, lembre-se da sequência diagnóstica: sorologia (IgA antitransglutaminase) → endoscopia com biópsia duodenal → resposta à dieta isenta de glúten. O HLA-DQ2/DQ8 entra apenas como ferramenta de exclusão em casos de dúvida. E atenção ao tempo: se o paciente já está em dieta sem glúten, os exames diagnósticos precisam ser precedidos de reintrodução do glúten.