Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina
Código
qg728046
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia
Sobre a fisiologia do trato gastrointestinal, assinale a alternativa correta.
AO estômago apresenta funções motoras e secretórias, tendo como hormônios da fome a colecistoquinina e o peptídeo YY.
BDurante a alimentação, para que o alimento saia do estômago, ocorrem os reflexos inibitórios do duodeno. O grau de esvaziamento gástrico pode ser avaliado através de cintilografia.
CA digestão mecânica inclui a contração haustral lenta, o peristaltismo e o movimento de massa, sendo que o peristaltismo do cólon é o mais rápido do trato gastrointestinal.
DEntre as funções absortivas do cólon, inclui-se a absorção de águas e eletrólitos; as vitaminas produzidas pelas bactérias não serão reabsorvidas.
EA secreção de HCl pelo estômago é inibida pela gastrina e estimulada pela somatostatina.
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GabaritoB — Durante a alimentação, para que o alimento saia do estômago, ocorrem os reflexos inibitórios do duodeno. O grau de esvaziamento gástrico pode ser avaliado através de cintilografia.
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Fisiologia do Trato Gastrointestinal: Esvaziamento Gástrico e Reflexos Duodenais
Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve com precisão o controle do esvaziamento gástrico: durante a alimentação, o duodeno, ao receber o quimo, dispara reflexos inibitórios que retardam a saída do alimento do estômago, e o grau desse esvaziamento pode ser mensurado por cintilografia. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre hormônios, motilidade, absorção colônica e regulação da secreção ácida.
O esvaziamento gástrico é um processo finamente regulado que garante que o quimo seja liberado no duodeno em ritmo compatível com a capacidade de digestão e absorção do intestino delgado. Quando o alimento entra no estômago, as ondas peristálticas no antro pilórico trituram e misturam o conteúdo, empurrando pequenas porções através do piloro. No entanto, o duodeno exerce um controle inibitório crucial: receptores sensíveis à distensão, à acidez, à osmolaridade e ao conteúdo lipídico do quimo duodenal disparam reflexos que reduzem a motilidade gástrica, retardando o esvaziamento. Esse mecanismo é essencial para evitar que o intestino delgado seja sobrecarregado com quimo hiperosmolar, ácido ou rico em gordura antes de estar preparado para processá-lo.
A cintilografia de esvaziamento gástrico é o exame padrão-ouro para avaliar esse processo. O paciente ingere uma refeição-teste marcada com radioisótopo (como o tecnécio-99m), e uma câmera gama registra a atividade no estômago ao longo do tempo, permitindo calcular a velocidade de esvaziamento e identificar gastroparesia ou esvaziamento acelerado. Esse método é amplamente utilizado na prática clínica, especialmente na investigação de sintomas como náuseas, vômitos e saciedade precoce.
A regulação da secreção ácida gástrica, por sua vez, envolve um equilíbrio entre estímulos e inibições. A gastrina, produzida pelas células G do antro, estimula as células parietais a secretar HCl; a somatostatina, liberada pelas células D, inibe essa secreção. A colecistoquinina (CCK) e o peptídeo YY (PYY) são hormônios que atuam no controle da saciedade e da motilidade, mas não são "hormônios da fome" — pelo contrário, a CCK é liberada em resposta à presença de gordura no duodeno e promove saciedade, enquanto o PYY também tem efeito anorexígeno. A motilidade colônica, por sua vez, é caracterizada por contrações haustrais lentas, peristaltismo e movimentos de massa, sendo o peristaltismo do cólon mais lento que o do intestino delgado, não mais rápido. O cólon absorve água e eletrólitos, e as vitaminas produzidas pelas bactérias da microbiota (como vitamina K e algumas do complexo B) são parcialmente absorvidas.
A pegadinha central desta questão está na inversão dos papéis hormonais e na troca das velocidades de motilidade. A banca explora a confusão entre hormônios que estimulam versus inibem a fome e a secreção ácida, e entre a velocidade do peristaltismo em diferentes segmentos do trato gastrointestinal. Guarde a fronteira entre estímulo e inibição, e entre os hormônios "da fome" (grelina) e os "da saciedade" (CCK, PYY): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Afirma que a colecistoquinina e o peptídeo YY são "hormônios da fome". Na verdade, ambos são hormônios da saciedade: a CCK é liberada em resposta à gordura e às proteínas no duodeno, promovendo saciedade e contração da vesícula biliar; o PYY também é secretado após a refeição e inibe o apetite. O hormônio que estimula a fome é a grelina, produzida principalmente pelo estômago. A alternativa inverte completamente o papel fisiológico desses hormônios.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o mecanismo de controle do esvaziamento gástrico. Durante a alimentação, o duodeno, ao receber o quimo, dispara reflexos inibitórios (via nervosa e hormonal) que reduzem a motilidade gástrica e retardam a saída do alimento do estômago. Esses reflexos são mediados por estímulos como distensão duodenal, acidez, hiperosmolaridade e presença de lipídios. Além disso, a cintilografia é o método de escolha para avaliar o grau de esvaziamento gástrico, medindo a velocidade com que o alimento marcado sai do estômago.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o peristaltismo do cólon é o mais rápido do trato gastrointestinal. Na realidade, o peristaltismo colônico é lento e pouco frequente, sendo os movimentos de massa (contrações fortes que propulsionam o conteúdo fecal) os principais responsáveis pelo avanço do material no cólon. O peristaltismo mais rápido ocorre no intestino delgado, onde as ondas peristálticas são mais frequentes e rápidas para impulsionar o quimo ao longo do processo de digestão e absorção. A alternativa também mistura conceitos de digestão mecânica, mas o erro central é a velocidade do peristaltismo colônico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está parcialmente correta ao afirmar que o cólon absorve água e eletrólitos, mas erra ao dizer que as vitaminas produzidas pelas bactérias "não serão reabsorvidas". Na verdade, as bactérias da microbiota colônica produzem vitaminas (como vitamina K e algumas do complexo B) que são parcialmente absorvidas pelo cólon. Essa absorção é clinicamente relevante, especialmente no caso da vitamina K, que contribui para a coagulação sanguínea. Portanto, a afirmação de que não há reabsorção é incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa inverte completamente a regulação da secreção de HCl. A gastrina estimula a secreção de ácido clorídrico pelas células parietais, enquanto a somatostatina inibe essa secreção. A alternativa afirma exatamente o oposto: que a gastrina inibe e a somatostatina estimula. Esse é um erro clássico de inversão de papéis hormonais, que a banca explora para confundir o candidato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os papéis dos hormônios e as velocidades de motilidade. Nesta questão, a alternativa E inverte gastrina (estimuladora) e somatostatina (inibidora), e a alternativa A troca hormônios da saciedade (CCK, PYY) por "hormônios da fome". Na prova, desconfie sempre de alternativas que invertem estímulo/inibição ou que atribuem funções opostas aos hormônios — com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental com os hormônios e seus efeitos: gastrina (estimula HCl), somatostatina (inibe HCl), CCK (saciedade, contrai vesícula), PYY (saciedade), grelina (fome). E lembre: o peristaltismo do cólon é lento; o do intestino delgado é rápido. Esses são os pontos que a banca mais explora em questões de fisiologia gastrointestinal.