Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728055
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Você inicia o acompanhamento de um lactente de 25 dias, que foi encaminhado por quadro de disquesia, sem outras queixas. Paciente nascido a termo, por parto vaginal, peso ao nascer 3200 g, clampeamento tardio do coto umbilical (após 3 minutos). Mãe sem intercorrências durante a gestação, teve adesão total à suplementação de ferro no período gestacional. O bebê está em aleitamento materno exclusivo, com velocidade de crescimento acima do percentil 90.Considerando as recomendações de suplementação de ferro profilático pela Sociedade Brasileira de Pediatria, assinale a recomendação correta para esse lactente.
AIniciar 1 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir de 180 dias de vida.
BIniciar 1 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir de 90 dias de vida.
CIniciar 2 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir de 90 dias de vida.
DIniciar 2 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir de 180 dias de vida.
EIniciar 1 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir de 30 dias de vida.
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GabaritoB — Iniciar 1 mg de ferro elementar/kg peso/dia a partir de 90 dias de vida.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Suplementação profilática de ferro em lactentes: recomendações da SBP
Gabarito: letra B. Para um lactente a termo, com peso adequado para a idade gestacional e sem fatores de risco para anemia, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda iniciar a suplementação profilática de ferro na dose de 1 mg de ferro elementar/kg/dia a partir dos 3 meses (90 dias) de vida, mesmo em aleitamento materno exclusivo. O clampeamento tardio do cordão, embora aumente as reservas de ferro, não elimina a necessidade de suplementação profilática nessa faixa etária.
A anemia ferropriva é a carência nutricional mais prevalente na infância, e o período entre 6 e 24 meses é o de maior risco, devido ao crescimento acelerado, à dieta monótona e ao esgotamento das reservas de ferro adquiridas na gestação. Por isso, a suplementação profilática é uma medida de saúde pública fundamental. A SBP, em seu documento sobre anemia ferropriva, estabelece critérios claros para a suplementação, diferenciando crianças a termo sem fatores de risco daquelas com fatores de risco ou prematuras.
A recomendação da SBP para crianças nascidas a termo, com peso adequado para a idade gestacional e sem fatores de risco para anemia, é iniciar a suplementação de ferro aos 3 meses de idade (90 dias), na dose de 1 mg de ferro elementar/kg/dia, independentemente do tipo de aleitamento. Essa conduta visa prevenir a deficiência de ferro antes que ela se instale, considerando que as reservas do recém-nascido a termo são suficientes apenas para os primeiros meses de vida.
O clampeamento tardio do cordão umbilical (após 3 minutos) é um fator que aumenta as reservas de ferro do recém-nascido, pois permite a transfusão de cerca de 40 mL/kg de sangue placentário, o que representa um aumento de 50% no volume sanguíneo total. No entanto, esse benefício não é suficiente para suprir as necessidades de ferro durante toda a infância, e a suplementação profilática continua sendo recomendada a partir dos 3 meses.
A distinção fundamental que a questão explora é entre a criança a termo sem fatores de risco (que inicia a suplementação aos 3 meses com 1 mg/kg/dia) e a criança com fatores de risco, como prematuridade ou baixo peso ao nascer (que inicia mais cedo, por vezes aos 30 dias, com doses maiores, conforme o peso). O lactente do enunciado é a termo, com peso adequado (3200 g) e sem fatores de risco, portanto se enquadra na primeira categoria.
A pegadinha da banca está em confundir a idade de início da suplementação (3 meses para crianças a termo sem risco) com outras faixas etárias, como 30 dias (reservada para prematuros) ou 180 dias (quando a alimentação complementar já deveria estar fornecendo ferro), e em trocar a dose de 1 mg/kg/dia por 2 mg/kg/dia (que é a dose para prematuros com peso entre 1500 e 2500 g).
Guarde a fronteira entre os grupos de risco: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A criança a termo, sem fatores de risco, inicia com 1 mg/kg/dia aos 3 meses; a criança com fatores de risco (prematura ou baixo peso) inicia mais cedo e com doses maiores.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a suplementação deve iniciar aos 180 dias (6 meses). Embora a OMS recomende a suplementação dos 6 aos 23 meses em locais com alta prevalência de anemia, a SBP, que é a referência pedida na questão, orienta iniciar aos 3 meses (90 dias) para crianças a termo sem fatores de risco. Iniciar aos 6 meses deixaria a criança sem suplementação durante o período de maior risco (3 a 6 meses), quando as reservas de ferro já estão diminuindo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa espelha exatamente a recomendação da SBP para lactentes a termo, com peso adequado para a idade gestacional e sem fatores de risco para anemia: iniciar a suplementação profilática de ferro na dose de 1 mg de ferro elementar/kg/dia a partir dos 3 meses (90 dias) de vida. O clampeamento tardio do cordão, embora aumente as reservas de ferro, não altera essa recomendação, pois a suplementação visa prevenir a deficiência que ocorreria nos meses seguintes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao indicar a dose de 2 mg/kg/dia. Essa dose é reservada para crianças pré-termo ou com baixo peso ao nascer (entre 1500 e 2500 g), conforme o Programa Nacional de Suplementação de Ferro. Para a criança a termo, sem fatores de risco, a dose correta é de 1 mg/kg/dia. A banca troca a dose da criança de risco pela da criança sem risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra duplamente: tanto na dose (2 mg/kg/dia, que é para prematuros) quanto na idade de início (180 dias, que é tardia para a profilaxia). A recomendação da SBP para a criança a termo sem risco é 1 mg/kg/dia a partir dos 90 dias. Esta alternativa combina os dois erros das alternativas A e C.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao indicar o início aos 30 dias de vida. Essa idade é reservada para crianças pré-termo ou com baixo peso ao nascer, que iniciam a suplementação mais precocemente (a partir do 30º dia, conforme o peso). Para a criança a termo, sem fatores de risco, o início é aos 3 meses (90 dias). A banca antecipa a idade de início, confundindo com o grupo de risco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os grupos de risco. O lactente do enunciado é a termo, com peso adequado e sem fatores de risco, mas as alternativas C, D e E trazem doses e idades de início que são específicas para prematuros ou baixo peso. A pegadinha está em não perceber que o clampeamento tardio, embora aumente as reservas de ferro, não transforma a criança em um caso de risco que exija início mais precoce ou dose maior. Fique atento: a SBP define claramente que a criança a termo sem risco inicia aos 3 meses com 1 mg/kg/dia.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as recomendações de suplementação de ferro, organize os grupos:
Grupo
Início
Dose
A termo, sem risco
3 meses (90 dias)
1 mg/kg/dia
Pré-termo / baixo peso (1500-2500 g)
30 dias
2 mg/kg/dia
Pré-termo (1000-1500 g)
30 dias
3 mg/kg/dia
Pré-termo (<1000 g)
30 dias
4 mg/kg/dia
A dose de 1 mg/kg/dia é a base para a criança a termo; as doses maiores são proporcionais à prematuridade e ao baixo peso.