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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728057
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Quanto aos diferentes dispositivos utilizados para nutrição enteral, é correto afirmar que
  1. Auso de sondas nasogástricas e nasoenterais deve ser considerado apenas para passagem de dietas e líquidos.
  2. Bsempre que possível é preferível a sonda em posição pós-pilórica, por ser mais fisiológica e tolerar melhor dietas hiperosmolares.
  3. Ca gastrostomia deve ser recomendada se a nutrição enteral tiver previsão de se prolongar por mais que 6 a 8 semanas.
  4. Da maioria das crianças com paralisia cerebral apresenta refluxo gastroesofágico associado e tem baixa tolerância à gastrostomia endoscópica sem cirurgia antirrefluxo associada.
  5. Esão contraindicações absolutas para a realização de gastrostomia endoscópica percutânea: cirurgia abdominal prévia, varizes gástricas e úlceras pépticas ativas.
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GabaritoC — a gastrostomia deve ser recomendada se a nutrição enteral tiver previsão de se prolongar por mais que 6 a 8 semanas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nutrição enteral: vias de acesso e indicações

Gabarito: letra C. A gastrostomia é recomendada quando a nutrição enteral tem previsão de se prolongar por mais de 6 a 8 semanas, pois a sonda nasoenteral é indicada para períodos de até 6 semanas, conforme as diretrizes de terapia nutricional enteral. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre as indicações, contraindicações e preferências entre as vias de acesso.

A nutrição enteral é uma modalidade de terapia nutricional que utiliza o trato gastrointestinal para fornecer nutrientes a pacientes que não conseguem ou não devem se alimentar por via oral. A escolha da via de acesso — sonda nasogástrica, nasoenteral, gastrostomia ou jejunostomia — depende fundamentalmente do tempo previsto de uso e das condições clínicas do paciente. O princípio norteador é: quanto mais proximal e menos invasiva a via, melhor, desde que atenda às necessidades do paciente.

A sonda nasoenteral (SNE), que pode ser posicionada no estômago (nasogástrica) ou além do piloro (nasoenteral propriamente dita), é a via de escolha para terapia nutricional enteral de curta duração, geralmente até 6 semanas. A posição gástrica é mais fisiológica, pois preserva os mecanismos de digestão e saciedade, enquanto a posição pós-pilórica é reservada para situações específicas, como gastroparesia ou alto risco de aspiração. A preferência pela posição gástrica não é apenas por ser mais fisiológica, mas também por ser mais simples de obter e manter.

Quando a nutrição enteral se prolonga além de 6 a 8 semanas, a gastrostomia — preferencialmente a gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) — torna-se a via mais adequada. Isso porque a permanência prolongada de uma sonda nasal causa desconforto, risco de lesões locais (como necrose de asa nasal, sinusite e otite), além de ser esteticamente desagradável e de difícil manejo pelo paciente e cuidadores. A gastrostomia oferece um acesso mais estável, confortável e de melhor aceitação para o uso prolongado.

A decisão entre as vias de acesso deve considerar também as contraindicações e complicações. A GEP, por exemplo, é contraindicada em situações como obstrução intestinal, fístula digestiva de alto débito, hemorragia digestiva ativa, isquemia gastrointestinal e doença terminal. No entanto, condições como cirurgia abdominal prévia, varizes gástricas e úlceras pépticas ativas não são contraindicações absolutas — são situações que exigem avaliação cuidadosa e, em alguns casos, podem até ser manejadas com a técnica adequada.

No caso específico de crianças com paralisia cerebral, a associação com refluxo gastroesofágico é frequente, mas isso não significa que haja baixa tolerância à gastrostomia endoscópica sem cirurgia antirrefluxo associada. Na prática, a gastrostomia isolada é frequentemente bem tolerada, e a decisão de associar uma cirurgia antirrefluxo (como a fundoplicatura) é individualizada, baseada na gravidade do refluxo e na resposta ao tratamento clínico. Muitas crianças com paralisia cerebral e refluxo se beneficiam da gastrostomia isolada, com manejo clínico adequado do refluxo.

A alternativa A também apresenta um erro: as sondas nasogástricas e nasoenterais não são utilizadas apenas para passagem de dietas e líquidos. Elas também podem ser usadas para administração de medicamentos, descompressão gástrica (sonda nasogástrica aberta), lavagem gástrica em casos de intoxicação e até mesmo para coleta de conteúdo gástrico para análise. Portanto, a afirmação de que seu uso deve ser considerado "apenas" para dietas e líquidos é restritiva demais e incorreta.

A alternativa B inverte a preferência: a posição gástrica é a mais fisiológica e preferível sempre que possível, não a pós-pilórica. A posição pós-pilórica é uma alternativa para situações específicas, como gastroparesia, alto risco de aspiração ou intolerância à dieta no estômago. Além disso, a tolerância a dietas hiperosmolares não é melhor na posição pós-pilórica — na verdade, a infusão de dietas hiperosmolares diretamente no intestino delgado pode causar síndrome de dumping, com diarreia, cólicas e desconforto.

A alternativa E erra ao classificar como contraindicações absolutas da GEP condições que são, na verdade, contraindicações relativas ou situações que exigem avaliação individualizada. Cirurgia abdominal prévia, varizes gástricas e úlceras pépticas ativas podem aumentar o risco do procedimento, mas não o impedem de forma absoluta. A decisão deve considerar o risco-benefício para cada paciente.

Guarde o critério temporal como o fator decisivo: até 6 semanas, sonda nasoenteral; mais de 6 a 8 semanas, gastrostomia. É exatamente nesse critério que a alternativa C se apoia e que as demais distorcem.

Dispositivo / Via de Acesso

Indicação Temporal

Posição Preferencial

Contraindicações Absolutas da GEP

Sonda Nasoenteral (SNE)

Até 6 semanas

Gástrica (mais fisiológica)

Gastrostomia (GEP)

Mais de 6 a 8 semanas

Obstrução intestinal, fístula de alto débito, hemorragia digestiva ativa, isquemia gastrointestinal, doença terminal

Nutrição enteral: via de acesso
  • 1Até 6 semanas
    • Sonda nasogástrica
    • Sonda nasoenteral
  • 2Mais de 6 a 8 semanas
    • Gastrostomia (preferida)
    • Jejunostomia
  • 3Posição gástrica
    • Mais fisiológica
    • Preferida sempre que possível
  • 4Posição pós-pilórica
    • Gastroparesia
    • Alto risco de aspiração
  • 5Contraindicações absolutas da GEP
    • Obstrução intestinal
    • Fístula de alto débito
    • Hemorragia digestiva ativa
    • Isquemia gastrointestinal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na palavra "apenas". As sondas nasogástricas e nasoenterais têm múltiplas finalidades além da administração de dietas e líquidos: podem ser usadas para administrar medicamentos, realizar descompressão gástrica, lavagem gástrica em intoxicações e até coletar conteúdo gástrico para exames. A afirmação é restritiva e não reflete a prática clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Inverte a preferência entre as posições gástrica e pós-pilórica. A posição gástrica é a mais fisiológica e a preferida sempre que possível, pois preserva os mecanismos normais de digestão. A posição pós-pilórica é reservada para casos específicos, como gastroparesia ou alto risco de aspiração. Além disso, dietas hiperosmolares são melhor toleradas no estômago, que dilui o conteúdo antes de passar ao intestino; a infusão direta no intestino delgado pode causar síndrome de dumping.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A gastrostomia é recomendada quando a nutrição enteral tem previsão de se prolongar por mais de 6 a 8 semanas. Esse é o critério temporal clássico: até 6 semanas, utiliza-se sonda nasoenteral; além desse período, a gastrostomia (preferencialmente a endoscópica percutânea) é a via mais adequada, por oferecer maior conforto, estabilidade e menor risco de complicações locais associadas ao uso prolongado de sonda nasal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação de que a maioria das crianças com paralisia cerebral tem baixa tolerância à gastrostomia endoscópica sem cirurgia antirrefluxo associada não é correta. Embora o refluxo gastroesofágico seja comum nessa população, a gastrostomia isolada é frequentemente bem tolerada, e a decisão de associar uma cirurgia antirrefluxo é individualizada, baseada na gravidade do refluxo e na resposta ao tratamento clínico. Não há evidência de que a maioria dessas crianças necessite de cirurgia antirrefluxo associada à gastrostomia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Classifica como contraindicações absolutas da gastrostomia endoscópica percutânea condições que são, na verdade, contraindicações relativas ou situações que exigem avaliação individualizada. Cirurgia abdominal prévia, varizes gástricas e úlceras pépticas ativas podem aumentar o risco do procedimento, mas não o impedem de forma absoluta. As contraindicações absolutas incluem obstrução intestinal, fístula digestiva de alto débito, hemorragia digestiva ativa, isquemia gastrointestinal e doença terminal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre contraindicações absolutas e relativas da gastrostomia endoscópica percutânea. O candidato tende a aceitar como absolutas condições que são apenas relativas (cirurgia abdominal prévia, varizes gástricas, úlceras pépticas ativas), quando na verdade as absolutas são situações como obstrução intestinal, fístula de alto débito, hemorragia digestiva ativa, isquemia gastrointestinal e doença terminal. Fique atento a essa distinção — ela é clássica em provas de terapia nutricional.

Gabarito: letra C

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