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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg728058
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Lactente de 11 meses, portador de paralisia cerebral com disfagia grave, está se alimentando via gastrostomia endoscópica percutânea (GEP), confeccionada há 2 meses para suporte nutricional. A mãe relata que, há 7 dias, tem percebido maior dificuldade para infundir a dieta, notando resistência ao fluxo, e que o bebê apresenta irritabilidade durante as tentativas de alimentação. Ao exame físico, observa-se abaulamento na região do estoma, com leve hiperemia ao redor. Paciente com dor à palpação e região periestomal mais endurada. A sonda apresenta mobilidade externa muito diminuída, sendo difícil rotacioná-la ou avançá-la. A tentativa de flush encontra forte resistência, com extravasamento de água periostomal.Qual complicação relacionada à gastrostomia endoscópica percutânea é a mais provável nesse paciente?
  1. AGranuloma hipertrófico do estoma.
  2. BCelulite periestomal.
  3. CExtravazamento da dieta por perda do balonete.
  4. DSepultamento do retentor interno.
  5. EFístula gastrocolônica.
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GabaritoD — Sepultamento do retentor interno.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Complicações da gastrostomia endoscópica percutânea (GEP)

Gabarito: letra D. O quadro descrito — dificuldade progressiva de infusão da dieta, resistência ao flush, mobilidade externa da sonda muito diminuída, abaulamento e endurecimento periestomal — é a apresentação clássica do sepultamento do retentor interno (buried bumper syndrome), complicação tardia da GEP em que o retentor interno migra e fica sepultado na parede gástrica ou na submucosa. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a confirmação se dá por endoscopia digestiva alta.

A gastrostomia endoscópica percutânea é um procedimento que cria um trajeto entre a pele e o estômago para nutrição enteral prolongada em pacientes com disfagia grave, como no caso do lactente com paralisia cerebral. O retentor interno (ou "balonete" ou "disco interno") é o componente que mantém a sonda ancorada na parede gástrica. Com o passar do tempo, por tração excessiva da sonda, pressão prolongada ou má cicatrização, esse retentor pode ser "engolido" pela mucosa gástrica, ficando sepultado — daí o nome "buried bumper". Isso explica exatamente os sintomas: a sonda fica presa, não rotaciona, não avança, e o flush encontra resistência porque o lúmen está obstruído pelo tecido que cresceu sobre o retentor. O extravasamento periostomal ocorre porque a dieta, ao encontrar resistência, reflui pelo trajeto.

A diferenciação entre as complicações listadas é o coração da questão. O granuloma hipertrófico é uma complicação menor, caracterizada por tecido de granulação exuberante na pele ao redor do estoma, que sangra facilmente, mas não causa obstrução da sonda nem dificuldade de infusão. A celulite periestomal é uma infecção da pele ao redor do estoma, com eritema, calor e dor, mas não impede a infusão da dieta nem causa resistência ao flush. O extravasamento por perda do balonete ocorre quando o balonete interno (em sondas de balonete) se rompe ou esvazia, fazendo a sonda sair facilmente — aqui, ao contrário, a sonda está extremamente fixa. A fístula gastrocolônica é uma comunicação anômala entre estômago e cólon, que se manifesta com diarreia, fezes com aspecto de dieta, distensão abdominal e, às vezes, saída de conteúdo fecal pelo estoma — não cursa com obstrução da sonda.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que são complicações reais da GEP, mas com apresentações clínicas distintas. O candidato que decora apenas os nomes das complicações, sem associar cada uma ao seu quadro clínico característico, tende a cair na letra B (celulite) por causa da hiperemia, ou na letra C (perda do balonete) por causa do extravasamento. O segredo é correlacionar os sinais: a tríade "dificuldade de infusão + sonda imóvel + resistência ao flush" aponta diretamente para o sepultamento do retentor interno.

Guarde o critério decisivo: obstrução mecânica da sonda com sonda fixa = sepultamento do retentor interno; infecção de pele = celulite; sonda que sai facilmente = perda do balonete; tecido de granulação = granuloma; sintomas gastrointestinais com dieta nas fezes = fístula gastrocolônica. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Complicação

Sinal patognomônico

Mecanismo

Relação com o caso

Sepultamento do retentor interno (gabarito)

Sonda fixa, imóvel, com resistência ao flush e obstrução da dieta

Migração do retentor para a submucosa gástrica por tração excessiva

Compatível: dificuldade de infusão, sonda não rotaciona, endurecimento periestomal

Granuloma hipertrófico

Tecido de granulação elevado e sangrante na pele

Proliferação inflamatória local

Não compatível: não causa obstrução nem imobilidade da sonda

Celulite periestomal

Eritema, calor e dor na pele ao redor do estoma

Infecção bacteriana superficial

Não compatível: não explica resistência ao flush nem sonda fixa

Perda do balonete

Sonda que sai facilmente ou se move livremente

Ruptura/esvaziamento do balonete interno

Não compatível: sonda está extremamente fixa (oposto)

Fístula gastrocolônica

Dieta nas fezes, diarreia, distensão abdominal

Comunicação anômala estômago-cólon

Não compatível: não cursa com obstrução da sonda

1Sepultamento do retentor interno
sonda fixa, não rotaciona
resistência ao flush
extravasamento periostomal
2Granuloma hipertrófico
tecido de granulação sangrante
sem obstrução da sonda
3Celulite periestomal
eritema, calor e dor
sem obstrução da sonda
4Perda do balonete
sonda sai facilmente
5Fístula gastrocolônica
dieta nas fezes
diarreia crônica
Complicações da GEP
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Complicações da GEP: Sepultamento do retentor interno (sonda fixa, não rotaciona, resistência ao flush, extravasamento periostomal); Granuloma hipertrófico (tecido de granulação sangrante, sem obstrução da sonda); Celulite periestomal (eritema, calor e dor, sem obstrução da sonda); Perda do balonete (sonda sai facilmente); Fístula gastrocolônica (dieta nas fezes, diarreia crônica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O granuloma hipertrófico do estoma é uma complicação comum e precoce, caracterizada por tecido de granulação que cresce na pele ao redor do estoma, formando uma lesão elevada, avermelhada e que sangra facilmente ao toque. Não causa obstrução da sonda, não impede a rotação nem a infusão da dieta. O quadro do paciente — resistência ao flush, sonda imóvel e endurecimento periestomal — não é compatível com granuloma, que é um problema exclusivamente de pele.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A celulite periestomal é uma infecção bacteriana da pele e do tecido subcutâneo ao redor do estoma, manifestando-se com eritema, calor, edema e dor local. Embora o paciente apresente hiperemia e dor à palpação, esses sinais são secundários à irritação causada pelo extravasamento e pela tração, e não o problema primário. A celulite não explica a dificuldade de infusão da dieta, a resistência ao flush nem a imobilidade da sonda — sinais que apontam para uma complicação mecânica, não infecciosa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O extravasamento por perda do balonete ocorre quando o balonete interno (presente em sondas de balonete, não nas de retentor rígido) se rompe ou esvazia, permitindo que a sonda deslize para fora. O quadro clássico é a sonda que sai facilmente ou que se move livremente, com extravasamento de dieta pelo estoma. No paciente descrito, a sonda está extremamente fixa, com mobilidade muito diminuída — exatamente o oposto do que ocorreria na perda do balonete. O extravasamento aqui é consequência da obstrução, não da falta de ancoragem.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O sepultamento do retentor interno (buried bumper syndrome) é a complicação tardia mais característica da GEP. O retentor interno, que deveria estar apoiado na mucosa gástrica, migra e fica sepultado na parede do estômago, geralmente por tração excessiva e prolongada da sonda. Os sinais clínicos são exatamente os descritos: dificuldade progressiva de infusão da dieta, resistência ao flush, sonda com mobilidade externa muito diminuída (não rotaciona, não avança), abaulamento e endurecimento periestomal, dor à palpação e extravasamento periostomal. O diagnóstico é clínico e confirmado por endoscopia, que mostra a mucosa gástrica crescendo sobre o retentor. O tratamento envolve a remoção endoscópica da sonda e, se necessário, a confecção de novo estoma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fístula gastrocolônica é uma comunicação anômala entre o estômago e o cólon transverso, que pode ocorrer se o estoma for confeccionado atravessando o cólon. Manifesta-se com diarreia crônica, fezes com aspecto de dieta administrada, distensão abdominal, dor e, às vezes, saída de conteúdo fecal pelo estoma. Não cursa com obstrução da sonda nem com resistência ao flush. O quadro do paciente é de obstrução mecânica, não de comunicação anômala entre vísceras.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre complicações que compartilham sinais superficiais. A hiperemia e a dor periestomal podem sugerir celulite (letra B), e o extravasamento pode sugerir perda do balonete (letra C). Mas o sinal que decide é a sonda imóvel com resistência ao flush — isso é obstrução mecânica por sepultamento do retentor, não infecção nem deslocamento. Na prova, quando a sonda "não entra, não sai e não roda", pense em buried bumper.

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental associando cada complicação ao seu sinal patognomônico: granuloma = tecido de granulação sangrante; celulite = eritema e calor; perda do balonete = sonda que sai; sepultamento = sonda fixa e obstruída; fístula gastrocolônica = dieta nas fezes. Essa correlação direta resolve a maioria das questões sobre complicações de GEP.

Gabarito: letra D — sepultamento do retentor interno.

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