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Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDistúrbios Nutricionais
Código
qg728061
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Dentre as seguintes, assinale a alternativa que apresenta uma contraindicação absoluta para nutrição enteral.
  1. AHemorragia digestiva.
  2. BMegacólon congênito.
  3. CDismotilidade intestinal.
  4. DVômitos incoercíveis.
  5. EÍleo paralítico.
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GabaritoE — Íleo paralítico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Contraindicações da nutrição enteral

Gabarito: letra E. O íleo paralítico é uma contraindicação absoluta para a nutrição enteral, pois representa a perda da motilidade intestinal, impedindo a progressão do conteúdo luminal e tornando a via enteral ineficaz e potencialmente lesiva. As demais alternativas (hemorragia digestiva, megacólon congênito, dismotilidade intestinal e vômitos incoercíveis) são situações em que a nutrição enteral pode ser indicada com cautela, após estabilização ou com estratégias específicas, não configurando contraindicação absoluta.

A nutrição enteral (NE) é a via preferencial de suporte nutricional sempre que o trato gastrointestinal (TGI) estiver funcional, seguindo o princípio "se o intestino funciona, use-o". Ela é mais fisiológica, mais barata e associada a menos complicações infecciosas do que a nutrição parenteral (NP). No entanto, existem situações em que o uso do TGI é inviável ou perigoso, e a NP torna-se a via indicada. A distinção entre contraindicação absoluta e relativa é crucial na prática clínica e frequentemente cobrada em provas.

As contraindicações absolutas à NE são aquelas em que a administração de dieta pela via enteral é impossível ou causa dano ao paciente. Classicamente, incluem: obstrução intestinal mecânica, íleo paralítico (adinâmico) prolongado, isquemia intestinal, fístula digestiva de alto débito, hemorragia digestiva ativa, vômitos incoercíveis e instabilidade hemodinâmica grave (com necessidade de vasopressores em doses altas). Já as contraindicações relativas são aquelas em que a NE pode ser tentada com cautela, monitorização e ajustes, como na dismotilidade intestinal leve, no megacólon congênito (após correção cirúrgica, a via enteral é geralmente possível) e na diarreia grave.

A banca explora a confusão entre contraindicação absoluta e relativa. O candidato deve identificar qual condição torna o TGI completamente inutilizável. O íleo paralítico é a perda da peristalse, frequentemente vista no pós-operatório de cirurgias abdominais, na peritonite, no trauma ou em distúrbios metabólicos. Nessa condição, a NE não será absorvida e pode distender ainda mais as alças intestinais, aumentando o risco de aspiração, isquemia e translocação bacteriana. Por isso, é contraindicação absoluta, e a NP deve ser considerada.

Para fixar: a diferença entre as alternativas está na capacidade funcional do TGI. Enquanto o íleo paralítico representa a falência total da motilidade, as demais condições (hemorragia, megacólon, dismotilidade, vômitos) podem ser manejadas com medidas específicas, permitindo, em algum momento, o uso da via enteral. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das incorretas.

Contraindicações da nutrição enteral
  • 1Absolutas (TGI inutilizável)
    • Íleo paralítico
    • Obstrução intestinal mecânica
    • Isquemia intestinal
    • Fístula de alto débito
    • Instabilidade hemodinâmica grave
  • 2Relativas (manejáveis)
    • Hemorragia digestiva
    • Vômitos incoercíveis
    • Dismotilidade intestinal
    • Megacólon congênito (pós-cirúrgico)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hemorragia digestiva é uma contraindicação relativa à nutrição enteral. Durante o sangramento ativo, a NE pode ser suspensa temporariamente para permitir a avaliação endoscópica e a estabilização hemodinâmica, mas não é uma contraindicação absoluta. Após o controle do sangramento, a NE pode ser reintroduzida com segurança, sendo até benéfica para a mucosa intestinal. A confusão aqui é tratar uma contraindicação temporária como absoluta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O megacólon congênito (doença de Hirschsprung) é uma condição caracterizada pela ausência de gânglios mioentéricos no cólon distal, causando obstrução funcional. No entanto, após o tratamento cirúrgico (ressecção do segmento agangliônico e anastomose), a função intestinal é restaurada e a nutrição enteral é possível e indicada. Não é, portanto, uma contraindicação absoluta à NE. A banca pode tentar confundir o candidato ao associar "megacólon" a "obstrução", mas a doença, uma vez tratada, permite o uso da via enteral.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dismotilidade intestinal é um termo amplo que engloba alterações na motilidade, como gastroparesia e pseudo-obstrução intestinal. Embora possa dificultar a tolerância à NE, não é uma contraindicação absoluta. Estratégias como posicionamento pós-pilórico da sonda, uso de procinéticos (metoclopramida, bromoprida) e infusão contínua podem ser empregadas para superar a dismotilidade. A NE pode ser tentada com monitorização rigorosa, configurando contraindicação relativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os vômitos incoercíveis são uma contraindicação relativa à NE. A princípio, a via enteral está contraindicada enquanto os vômitos não forem controlados, pois há risco de aspiração pulmonar. No entanto, após a correção da causa (ex.: obstrução, íleo, intoxicação) e com o uso de antieméticos, a NE pode ser iniciada. Em alguns casos, a colocação de sonda pós-pilórica (jejunal) pode contornar o problema, permitindo a alimentação enteral mesmo com vômitos. Portanto, não é contraindicação absoluta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O íleo paralítico é a perda da motilidade intestinal sem obstrução mecânica, resultando em acúmulo de gás e líquido no lúmen. Nessa condição, a nutrição enteral é contraindicada de forma absoluta, pois o TGI não é funcional. A administração de dieta enteral em um paciente com íleo paralítico pode levar a distensão abdominal, vômitos, aspiração, isquemia intestinal e translocação bacteriana, agravando o quadro. A nutrição parenteral é a via indicada até a resolução do íleo. Essa é a alternativa que representa a contraindicação absoluta clássica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura contraindicações absolutas e relativas. O candidato pode marcar "hemorragia digestiva" ou "vômitos incoercíveis" por serem situações graves, mas ambas são relativas — podem ser contornadas com medidas específicas. O íleo paralítico é a única em que o TGI está completamente inutilizável, tornando a NE impossível. Lembre-se: contraindicação absoluta = TGI não funciona ou não pode ser usado de forma alguma.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar, pergunte-se: "existe alguma estratégia para usar o TGI mesmo assim?" Se sim, é contraindicação relativa. Se não, é absoluta. No íleo paralítico, não há estratégia que faça o intestino funcionar — a NP é obrigatória. Nas demais, há: controle do sangramento, correção cirúrgica, sonda pós-pilórica, procinéticos.

Gabarito: letra E

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