Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg728063
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Quanto às diferentes manifestações da síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES), é correto afirmar que
Aa FPIES aguda ocorre por contato intermitente com o alérgeno. Nos períodos entre os episódios agudos, o paciente geralmente é assintomático, porém normalmente já apresenta impacto nutricional devido ao quadro.
Ba FPIES crônica ocorre nos pacientes que consomem o alérgeno frequentemente, sendo característico o quadro de vômitos repetitivos após 1-2 horas do contato com o alérgeno; pode ocorrer diarreia com sangue e muco associada.
Cem sua forma clássica, a FPIES representa um fenótipo de alergia alimentar mediada por IgE, e os testes cutâneos ou soro específicos de IgE podem ser úteis para guiar o tratamento.
Dna suspeita de FPIES crônica, o TPO é considerado “padrão-ouro” para o diagnóstico. Sem um TPO confirmatório, o diagnóstico de FPIES crônico é apenas presuntivo.
Enos pacientes com primeiro episódio de FPIES aguda, muitas vezes os sintomas são confundidos com sepse. A ausência de febre e exames laboratoriais costumam ajudar na diferenciação, pois não são esperadas leucocitose e neutrofilia nos casos de FPIES.
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GabaritoD — na suspeita de FPIES crônica, o TPO é considerado “padrão-ouro” para o diagnóstico. Sem um TPO confirmatório, o diagnóstico de FPIES crônico é apenas presuntivo.
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Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES)
Gabarito: letra D. Na suspeita de FPIES crônica, o teste de provocação oral (TPO) é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico, e sem ele o diagnóstico é apenas presuntivo. A FPIES é uma alergia alimentar não mediada por IgE, que se manifesta de forma aguda (vômitos repetitivos 1-4 horas após a ingestão do alérgeno) ou crônica (diarreia com sangue e muco, em pacientes que consomem o alérgeno com frequência).
A FPIES (Food Protein-Induced Enterocolitis Syndrome) é uma forma de alergia alimentar que afeta principalmente lactentes, caracterizada por inflamação do trato gastrointestinal. Diferentemente das alergias mediadas por IgE (como anafilaxia e urticária), a FPIES é uma reação não mediada por IgE, mediada por células T, o que explica por que os testes cutâneos e a dosagem de IgE específica são negativos e não auxiliam no diagnóstico. O mecanismo envolve uma resposta inflamatória local que leva a aumento da permeabilidade intestinal, acúmulo de fluidos e, consequentemente, os sintomas gastrointestinais.
A doença se apresenta em duas formas principais. A FPIES aguda ocorre após exposição intermitente ao alérgeno (por exemplo, quando a criança não consome o alimento por um período e depois o reintroduz). Os sintomas começam tipicamente 1 a 4 horas após a ingestão, com vômitos profusos e repetitivos, podendo evoluir para desidratação, hipotensão e letargia. Entre os episódios, o paciente geralmente fica assintomático, mas pode apresentar impacto nutricional se os episódios forem frequentes ou se houver aversão alimentar. A FPIES crônica ocorre quando o alérgeno é consumido regularmente, levando a diarreia crônica (que pode conter sangue e muco), vômitos intermitentes, distensão abdominal e falha de crescimento. Ao remover o alérgeno da dieta, os sintomas crônicos desaparecem, mas uma nova exposição pode desencadear a forma aguda.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de sintomas típicos após a ingestão do alimento suspeito e na melhora com a exclusão dietética. O teste de provocação oral (TPO) é o padrão-ouro, pois confirma a relação causal entre o alimento e os sintomas. Na prática, o TPO é realizado em ambiente hospitalar, com supervisão médica, oferecendo o alimento em doses progressivas e observando o paciente por algumas horas. No entanto, na suspeita de FPIES crônica, o TPO pode ser adiado se a exclusão do alérgeno já resultar em melhora clínica significativa, sendo o diagnóstico presuntivo aceito em muitos casos. A alternativa D está correta ao afirmar que, sem TPO confirmatório, o diagnóstico de FPIES crônica é apenas presuntivo.
A distinção crucial que separa as alternativas é o mecanismo imunológico (mediado por IgE vs. não mediado por IgE) e a apresentação clínica (aguda vs. crônica). A banca explora a confusão entre FPIES e alergia mediada por IgE, além de inverter as características das formas aguda e crônica. Guarde: FPIES é não mediada por IgE, e o TPO é o padrão-ouro diagnóstico.
Critério
FPIES Aguda
FPIES Crônica
Exposição ao alérgeno
Intermitente
Frequente/regular
Sintomas principais
Vômitos profusos e repetitivos (1–4h após ingestão)
Clínico; TPO é padrão-ouro (sem ele, diagnóstico presuntivo)
FPIES: Mecanismo (Não mediada por IgE, Testes IgE negativos); Forma aguda (Contato intermitente, Vômitos 1-4h após ingestão, Assintomático entre episódios); Forma crônica (Consumo frequente, Diarreia com sangue/muco, Impacto nutricional); Diagnóstico (Clínico (história + exclusão), TPO padrão-ouro)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A FPIES aguda ocorre por contato intermitente com o alérgeno, e entre os episódios o paciente geralmente é assintomático. No entanto, a afirmação de que "normalmente já apresenta impacto nutricional devido ao quadro" está incorreta. Na FPIES aguda, entre os episódios, o paciente costuma estar bem e sem impacto nutricional significativo, a menos que os episódios sejam muito frequentes. O impacto nutricional é mais característico da FPIES crônica, em que há diarreia persistente e má absorção. A alternativa mistura as características das duas formas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A FPIES crônica ocorre em pacientes que consomem o alérgeno frequentemente, e pode haver diarreia com sangue e muco. No entanto, a descrição de "vômitos repetitivos após 1-2 horas do contato com o alérgeno" é característica da FPIES aguda, não da crônica. Na forma crônica, os sintomas são mais insidiosos, com diarreia crônica, vômitos intermitentes e falha de crescimento, sem o padrão temporal agudo de vômitos após a ingestão. A alternativa inverte as apresentações clínicas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A FPIES é uma alergia alimentar não mediada por IgE, e não mediada por IgE como afirma a alternativa. Por isso, os testes cutâneos e a dosagem de IgE específica são geralmente negativos e não são úteis para guiar o tratamento. O diagnóstico é clínico, baseado na história e na resposta à exclusão dietética. A alternativa confunde FPIES com alergia mediada por IgE, como anafilaxia ou urticária.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Na suspeita de FPIES crônica, o teste de provocação oral (TPO) é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico. Sem um TPO confirmatório, o diagnóstico de FPIES crônica é apenas presuntivo, baseado na história clínica e na melhora com a exclusão do alérgeno. Esta é a definição correta do papel do TPO no diagnóstico da FPIES crônica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Nos pacientes com primeiro episódio de FPIES aguda, os sintomas (vômitos profusos, letargia, desidratação) podem ser confundidos com sepse. No entanto, a afirmação de que "não são esperadas leucocitose e neutrofilia nos casos de FPIES" está incorreta. Na FPIES aguda, é comum haver leucocitose com neutrofilia (e também trombocitose) durante o episódio agudo, o que pode confundir ainda mais com sepse. A ausência de febre é um dado que ajuda na diferenciação, mas os exames laboratoriais podem mostrar alterações inflamatórias. A alternativa erra ao afirmar que não há leucocitose e neutrofilia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre FPIES e alergia mediada por IgE. Na FPIES, os testes de IgE são negativos e o mecanismo é não mediado por IgE. Além disso, inverte as características das formas aguda e crônica: vômitos agudos pós-ingestão são da forma aguda, enquanto diarreia crônica com sangue é da forma crônica. Fique atento a essas trocas.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as formas de FPIES, lembre-se: aguda = vômitos explosivos 1-4h após ingestão, paciente assintomático entre episódios; crônica = diarreia com sangue/muco, consumo frequente do alérgeno, impacto nutricional. E o TPO é o padrão-ouro para ambas, mas na crônica o diagnóstico presuntivo é aceito.