Indicações de Terapia de Nutrição Enteral na Pediatria
Gabarito: letra C — estão corretos os itens I, III e IV. O item II está incorreto porque o critério de crescimento ou ganho de peso insuficientes para indicação de nutrição enteral em menores de 2 anos é por período maior que 3 meses, e não 2 meses como afirma o enunciado. Essa é uma questão de memorização dos critérios objetivos de indicação de terapia nutricional enteral, conforme diretrizes de sociedades de nutrição parenteral e enteral (ASPEN/ESPEN) e literatura de pediatria.
A terapia de nutrição enteral (TNE) é um suporte nutricional especializado que utiliza o trato gastrointestinal para fornecer nutrientes, sendo fundamental na pediatria para garantir crescimento e desenvolvimento adequados quando a alimentação oral é insuficiente ou impossível. A indicação da TNE não é um ato isolado, mas sim uma decisão baseada em critérios objetivos que avaliam a inadequação da ingestão oral, a evolução ponderal e o tempo despendido na alimentação. Esses critérios são essenciais para o médico saber quando iniciar o suporte, evitando tanto o atraso na intervenção quanto o uso desnecessário da terapia.
A lógica por trás desses critérios é identificar situações em que a via oral não consegue suprir as necessidades nutricionais da criança, seja por incapacidade de ingestão, por aumento das necessidades ou por dificuldades no processo de alimentação. Por exemplo, uma criança que não atinge 60-80% das necessidades nutricionais estimadas por mais de 10 dias está em risco de depleção nutricional, pois o jejum prolongado leva a consequências deletérias como catabolismo proteico e atrofia intestinal. Da mesma forma, uma criança com perda de peso ou ganho ponderal insuficiente por mais de 3 meses já apresenta um quadro de falência do crescimento que justifica a intervenção nutricional. Já o tempo total de alimentação em crianças com necessidades especiais maior que 4 a 6 horas ao dia indica que a alimentação oral está consumindo um tempo excessivo, comprometendo outras atividades e o próprio estado nutricional.
A pegadinha desta questão está no item II, que troca o período de observação do ganho de peso em menores de 2 anos. A banca explora a confusão entre os critérios para diferentes faixas etárias: enquanto para menores de 2 anos o período é de mais de 3 meses, para crianças maiores de 2 anos o período é de mais de 3 meses também, mas com a diferença de que no primeiro caso se observa o crescimento ou ganho de peso insuficientes, e no segundo, a perda de peso ou não ganho ponderal. O candidato que não domina esses números exatos tende a marcar o item II como correto, caindo na armadilha.
Guarde bem esses critérios objetivos, pois eles são o coração da questão: o percentual de necessidade nutricional (60-80%), os prazos (10 dias, 3 meses) e o tempo de alimentação (4-6 horas). É exatamente nesses números que as alternativas se dividem.
Item | Afirmação | Correto? |
|---|
I | Não atingir ≥ 60-80% da necessidade nutricional estimada por > 10 dias | ✅ |
II | Crescimento/ganho de peso insuficientes por > 2 meses em < 2 anos | ❌ (correto: > 3 meses) |
III | Perda de peso/não ganho ponderal por > 3 meses em > 2 anos | ✅ |
IV | Tempo total de alimentação > 4-6 h/dia em crianças com necessidades especiais | ✅ |
Item I — ✅ Correto
O item I afirma que a não atingir ≥ 60-80% da necessidade nutricional estimada por um período maior que 10 dias é indicação de TNE. Isso está correto. A literatura e as diretrizes de suporte nutricional indicam que quando a ingestão oral é insuficiente para atingir essa porcentagem das necessidades por um período prolongado (geralmente maior que 5-10 dias), a terapia nutricional enteral deve ser considerada. O valor de 60-80% é um parâmetro amplamente aceito para definir inadequação da ingestão oral, e o prazo de 10 dias é o limite a partir do qual o risco de depleção nutricional se torna significativo.
Item II — ❌ Incorreto
O item II afirma que crescimento ou ganho de peso insuficientes por > 2 meses em menores de 2 anos é indicação de TNE. Isso está incorreto. O critério correto para essa faixa etária é o crescimento ou ganho de peso insuficientes por > 3 meses. A banca trocou o período de observação, fazendo o candidato acreditar que um período menor (2 meses) já seria suficiente para indicar a terapia. Essa é uma pegadinha clássica de inversão de números, onde o valor correto (3 meses) é substituído por um valor próximo (2 meses) para confundir.
Item III — ✅ Correto
O item III afirma que perda de peso ou não ganho ponderal por > 3 meses em crianças maiores de 2 anos é indicação de TNE. Isso está correto. Para crianças maiores de 2 anos, o critério de indicação é a perda de peso ou a ausência de ganho ponderal por um período superior a 3 meses. Esse período é considerado suficiente para caracterizar uma falência do crescimento que justifica a intervenção nutricional especializada.
Item IV — ✅ Correto
O item IV afirma que tempo total de alimentação em crianças com necessidades especiais maior que 4 a 6 horas ao dia é indicação de TNE. Isso está correto. Quando uma criança com necessidades especiais (como paralisia cerebral ou outras condições que dificultam a alimentação) gasta mais de 4 a 6 horas por dia apenas para se alimentar, isso indica que a via oral está sendo ineficiente e consumindo um tempo excessivo, comprometendo o estado nutricional e a qualidade de vida. Nesses casos, a TNE é indicada para otimizar a oferta nutricional e liberar a criança para outras atividades.
A regra de ouro para esta questão é memorizar os critérios objetivos de indicação de TNE na pediatria: 60-80% das necessidades por > 10 dias, crescimento/ganho de peso insuficiente por > 3 meses em < 2 anos, perda de peso/não ganho ponderal por > 3 meses em > 2 anos, e tempo de alimentação > 4-6 horas/dia em crianças com necessidades especiais. Esses números são frequentemente cobrados em provas de pediatria e nutrição, e a banca adora inverter os prazos para testar o candidato.
Gabarito: letra C