Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728066
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Você inicia o acompanhamento de um menino de 7 anos encaminhado por dor abdominal, segundo os pais, previamente hígido, mas que vem se queixando, 1 a 2 vezes na semana, de dor abdominal intermitente, em região periumbilical. Os pais notam que sintomas ocorrem principalmente quando a criança exagera na alimentação. Ao realizar o recordatório alimentar, você observa que a criança apresenta preferência por alimentos ultraprocessados, costuma pular o café da manhã, troca refeições frequentemente por salgadinhos e lanches, ingere quase diariamente refrigerantes e sucos de caixinha. O menino estuda durante o período da manhã e, durante a tarde, fica principalmente na frente da TV ou jogando videogame. Faz atividades físicas 2 vezes na semana, durante as aulas de educação física. Ao exame físico: peso 32 kg (escore Z + 2,26); estatura 123 cm (escore Z + 0,24); IMC 21,2 (escore Z + 2,85). Hidratado, normocorado. Sistemas cardiovascular, respiratório e abdominal dentro da normalidade. Presença de manchas mais escurecidas em região cervical e axilar, estrias em região abdominal. Classificação de Tanner G1P1.Em relação às informações expostas nesse caso clínico, como você classificaria o status nutricional desse paciente?
AEutrófico.
BRisco de sobrepeso.
CSobrepeso.
DObesidade.
EObesidade grave.
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GabaritoD — Obesidade.
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Avaliação do estado nutricional na infância: classificação pelo IMC
Gabarito: letra D. O menino de 7 anos apresenta IMC de 21,2 kg/m², correspondente ao escore Z +2,85, o que o classifica como obesidade segundo as curvas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. O ponto de corte para obesidade nessa faixa etária é IMC ≥ escore Z +2, e o paciente está claramente acima desse limiar, com sinais clínicos compatíveis (acantose nigricans e estrias).
A avaliação do estado nutricional em crianças e adolescentes não se baseia apenas no valor absoluto do IMC, mas na sua posição em relação às curvas de referência da OMS, expressa em escore Z (ou desvio-padrão). Para a faixa etária de 5 a 19 anos, os pontos de corte são: eutrofia (escore Z entre -2 e +1), risco de sobrepeso (escore Z entre +1 e +2), sobrepeso (escore Z entre +2 e +3) e obesidade (escore Z acima de +3). No caso apresentado, o IMC de 21,2 kg/m² corresponde a escore Z +2,85, que se enquadra na faixa de sobrepeso (entre +2 e +3), e não de obesidade. No entanto, o gabarito oficial aponta a alternativa D (obesidade), o que sugere que a banca considera o escore Z +2,85 como obesidade, possivelmente adotando o ponto de corte de +2 para obesidade, conforme a classificação da OMS para crianças de 5 a 19 anos, que define obesidade como IMC ≥ escore Z +2. Essa divergência entre a classificação tradicional (sobrepeso entre +2 e +3) e a adotada pela banca (obesidade a partir de +2) é o ponto central da questão.
A classificação do estado nutricional infantil é uma ferramenta essencial na prática pediátrica, pois permite identificar precocemente desvios nutricionais e orientar intervenções. O IMC (índice de massa corporal) é calculado dividindo-se o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros). No caso, IMC = 32 / (1,23²) = 32 / 1,5129 = 21,2 kg/m². O escore Z indica quantos desvios-padrão o valor observado se afasta da mediana da população de referência para a mesma idade e sexo. Valores de escore Z acima de +2 indicam excesso de peso, e acima de +3 indicam obesidade grave. O paciente apresenta escore Z +2,85, o que, segundo a classificação da OMS, o coloca na faixa de sobrepeso (entre +2 e +3), mas a banca considera obesidade, provavelmente por adotar o ponto de corte de +2 para obesidade, como faz a OMS para crianças de 5 a 19 anos.
É importante destacar que a classificação do estado nutricional não se baseia apenas no IMC, mas também em outros parâmetros, como a circunferência da cintura, a prega cutânea e a avaliação clínica. No caso, o paciente apresenta sinais de resistência à insulina (acantose nigricans) e estrias, que são comorbidades associadas à obesidade. Além disso, o histórico alimentar (consumo de ultraprocessados, refrigerantes, pular refeições) e o sedentarismo (TV e videogame) são fatores de risco para o desenvolvimento de obesidade. A presença de dor abdominal periumbilical pode estar relacionada a causas funcionais, mas não interfere na classificação nutricional.
A distinção entre sobrepeso e obesidade é crucial, pois a obesidade está associada a maior risco de complicações metabólicas, como diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão. Na prática clínica, a classificação pelo escore Z é a mais utilizada, e o ponto de corte para obesidade varia conforme a faixa etária: para crianças menores de 5 anos, obesidade é IMC ≥ escore Z +3; para crianças e adolescentes de 5 a 19 anos, obesidade é IMC ≥ escore Z +2. Essa diferença é uma pegadinha clássica em provas de pediatria, pois o candidato pode confundir os pontos de corte entre as faixas etárias.
A banca explora exatamente essa confusão: o escore Z +2,85 está acima de +2, o que, para a faixa de 5 a 19 anos, já configura obesidade. O candidato que memoriza o ponto de corte de +3 para obesidade (válido para menores de 5 anos) pode marcar sobrepeso, mas a resposta correta é obesidade. Além disso, a alternativa E (obesidade grave) seria correta apenas se o escore Z fosse ≥ +3, o que não é o caso. Portanto, a alternativa D é a correta, pois o paciente apresenta IMC ≥ escore Z +2, caracterizando obesidade.
Classificação do IMC (5 a 19 anos): Eutrofia (escore Z entre -2 e +1); Risco de sobrepeso (escore Z entre +1 e +2); Sobrepeso (escore Z entre +2 e +3); Obesidade (escore Z ≥ +2); Obesidade grave (escore Z ≥ +3)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o paciente é eutrófico, o que é incorreto, pois o IMC está muito acima do esperado para a idade e sexo. O escore Z +2,85 indica excesso de peso, não eutrofia. A eutrofia é definida por escore Z entre -2 e +1, e o paciente está claramente acima desse intervalo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa sugere risco de sobrepeso, que é definido por escore Z entre +1 e +2. O paciente apresenta escore Z +2,85, que está acima desse intervalo, portanto não se enquadra em risco de sobrepeso, mas sim em obesidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa propõe sobrepeso, que é definido por escore Z entre +2 e +3. Embora o escore Z +2,85 esteja dentro desse intervalo, a banca adota o ponto de corte de +2 para obesidade, conforme a classificação da OMS para crianças de 5 a 19 anos. Portanto, o paciente é classificado como obeso, não como sobrepeso.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta, pois o paciente apresenta IMC de 21,2 kg/m², correspondente a escore Z +2,85, que é ≥ +2, caracterizando obesidade segundo a classificação da OMS para crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. Os sinais clínicos de acantose nigricans e estrias corroboram o diagnóstico de obesidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa sugere obesidade grave, que é definida por escore Z ≥ +3. O paciente apresenta escore Z +2,85, que está abaixo de +3, portanto não se enquadra em obesidade grave.