Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg728073
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Assinale a alternativa que apresenta corretamente os critérios para considerar uma pancreatite aguda recorrente.
ADuas ou mais crises de pancreatite aguda, com intervalo mínimo intercrise de, pelo menos, 2 meses e resolução completa dos sintomas.
BDois ou mais episódios de pancreatite, com normalização dos níveis de amilase/lipase e resolução dos sintomas, independentemente do intervalo entre os episódios.
CDois ou mais episódios de pancreatite aguda, sem desaparecimento total dos sintomas entre as crises.
DDuas ou mais crises de pancreatite aguda, com melhora dos sintomas intercrise e manutenção dos níveis de amilase / lipase aumentados.
EDuas ou mais crises, com resolução total dos sintomas e sinais de lesão pancreática no exame de imagem.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Dois ou mais episódios de pancreatite, com normalização dos níveis de amilase/lipase e resolução dos sintomas, independentemente do intervalo entre os episódios.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra B. A pancreatite aguda recorrente é definida pela ocorrência de dois ou mais episódios de pancreatite aguda, com normalização das enzimas pancreáticas (amilase/lipase) e resolução completa dos sintomas entre os episódios, sem exigência de um intervalo mínimo entre eles. Essa definição é baseada no consenso de Atlanta revisado (2012) e na literatura médica especializada, que não estabelecem um prazo fixo intercrise.
A pancreatite aguda é uma doença inflamatória do pâncreas, desencadeada pela ativação prematura das enzimas digestivas dentro do próprio órgão, levando a autodigestão do parênquima. O diagnóstico é feito pela presença de dois dos três critérios: dor abdominal típica (dor epigástrica que irradia para o dorso), elevação de amilase e/ou lipase sérica (acima de 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem compatíveis (TC, RM ou USG). A lipase é preferida por ter maior sensibilidade (cerca de 92%) e especificidade (cerca de 96%) que a amilase, além de permanecer elevada por mais tempo (8 a 14 dias), sendo útil em quadros mais arrastados.
A classificação da pancreatite aguda, segundo o consenso de Atlanta revisado (2012), divide a doença em três categorias de gravidade: leve (ausência de disfunção orgânica e complicações), moderadamente grave (disfunção orgânica transitória, até 48 horas, com ou sem complicações locais) e grave (disfunção orgânica persistente, > 48 horas, geralmente associada a complicações locais). A forma clínica pode ser edematosa (mais comum, com edema focal ou difuso) ou necrotizante (5 a 10% dos casos, com necrose do parênquima ou tecido peripancreático).
O conceito de pancreatite aguda recorrente é distinto da pancreatite crônica. Na recorrente, há episódios agudos repetidos com recuperação completa entre eles, sem evidência de dano permanente ao pâncreas. Na crônica, há inflamação progressiva com fibrose e perda irreversível da função exócrina e endócrina, podendo manifestar-se com episódios agudos sobrepostos, mas com alterações estruturais persistentes (calcificações, dilatação ductal, atrofia). A distinção é importante porque a abordagem terapêutica e o prognóstico diferem.
A banca explora a confusão entre os critérios de recorrência e os de gravidade ou cronicidade. O erro mais comum é exigir um intervalo mínimo entre os episódios (como 2 meses), o que não é um critério estabelecido. Outro erro é considerar a persistência de sintomas ou a manutenção de enzimas elevadas entre as crises, o que indicaria um quadro não resolvido ou crônico, não uma recorrência verdadeira. O critério decisivo é a resolução completa do quadro agudo entre os episódios, com normalização das enzimas e dos sintomas, independentemente do tempo entre eles.
Guarde a fronteira entre recorrência com resolução completa e persistência do quadro: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A alternativa correta exige normalização das enzimas e resolução dos sintomas, sem exigir intervalo mínimo. As demais ou exigem intervalo, ou permitem persistência de sintomas/enzimas, ou exigem sinais de lesão no exame de imagem, o que não faz parte da definição de recorrência.
Pancreatite aguda recorrente
1Critérios (tripé)
2 ou mais episódios
Normalização de amilase/lipase
Resolução completa dos sintomas
2Não exige
Intervalo mínimo entre crises
Persistência de sintomas
Enzimas elevadas intercrise
Lesão em exame de imagem
3Distinção
Pancreatite crônica
Fibrose e perda irreversível
Alterações estruturais persistentes
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Exige um intervalo mínimo intercrise de pelo menos 2 meses, o que não é um critério estabelecido para definir pancreatite aguda recorrente. A definição não impõe um prazo fixo entre os episódios; o que importa é a resolução completa do quadro agudo entre eles. A exigência de intervalo mínimo é uma invenção da banca para confundir o candidato.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Define corretamente a pancreatite aguda recorrente: dois ou mais episódios de pancreatite, com normalização dos níveis de amilase/lipase e resolução dos sintomas, independentemente do intervalo entre os episódios. Essa é a definição aceita na literatura e nos consensos, que não estabelecem um prazo mínimo intercrise. A normalização das enzimas e a resolução dos sintomas são os critérios essenciais para caracterizar a recorrência, diferenciando-a de um quadro persistente ou crônico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a recorrência ocorre sem desaparecimento total dos sintomas entre as crises. Isso contraria o conceito de recorrência, que exige resolução completa dos sintomas entre os episódios. A persistência de sintomas indicaria um quadro não resolvido, complicação local (como pseudocisto ou necrose) ou evolução para pancreatite crônica, não uma recorrência verdadeira.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Descreve a situação com melhora dos sintomas intercrise, mas manutenção dos níveis de amilase/lipase aumentados. A manutenção das enzimas elevadas entre as crises indica que o processo inflamatório não se resolveu completamente, o que não caracteriza recorrência. A definição exige normalização das enzimas entre os episódios. Além disso, a magnitude da elevação das enzimas não se correlaciona com a gravidade, e sua normalização pode não significar resolução do quadro, mas, para fins de definição de recorrência, a normalização é um critério exigido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Exige, além da resolução total dos sintomas, sinais de lesão pancreática no exame de imagem. A presença de lesão estrutural (como necrose, calcificações ou dilatação ductal) sugere pancreatite crônica ou complicações locais, não sendo um critério para definir recorrência. A recorrência é definida apenas pela ocorrência de episódios agudos com resolução completa entre eles, sem exigência de alterações estruturais persistentes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inserir critérios que não existem na definição, como intervalo mínimo intercrise (alternativa A) ou sinais de lesão no exame de imagem (alternativa E). O candidato desatento pode marcar a alternativa A por achar que um intervalo mínimo é necessário, mas a definição não exige isso. O que define a recorrência é a resolução completa do quadro agudo entre os episódios, com normalização das enzimas, independentemente do tempo entre eles. Fique atento: se a alternativa mencionar qualquer critério além de "dois ou mais episódios" + "resolução completa", ela provavelmente está errada.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre pancreatite aguda recorrente, memorize o tripé: 2 ou mais episódios + normalização das enzimas + resolução dos sintomas. Qualquer alternativa que adicione um quarto critério (intervalo mínimo, persistência de sintomas, enzimas elevadas, lesão em imagem) está incorreta. Essa é a definição consagrada nos consensos e na literatura, e a banca explora exatamente as variações desse tripé.