Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg728081
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Um lactente de 18 dias, nascido a termo, parto normal, peso adequado ao nascer, foi encaminhado para sua avaliação devido à persistência de coloração amarelada da pele e escleras, com início há 10 dias. A mãe relata que o bebê está em aleitamento materno exclusivo, ganhando peso adequadamente e ativo. Nega vômitos, colúria ou acolia fecal. Ao exame físico: criança corada, hidratada, ictérica até cicatriz umbilical, sem hepatoesplenomegalia ou outras alterações. Ao exame laboratorial, apresenta dosagem de bilirrubina total de 10,8 mg/dL; bilirrubina direta 0,6 mg/dL; hemograma; TSH; função hepática e Coombs normais.Quanto ao caso clínico, assinale a alternativa correta.
AO quadro sugere icterícia fisiológica prolongada, devendo ser realizada fototerapia para evitar kernicterus.
BO quadro é compatível com icterícia relacionada ao leite materno, devendo-se orientar a suspensão temporária do aleitamento para confirmação do diagnóstico.
CO quadro é compatível com icterícia relacionada ao leite materno, condição que se inicia após o 4º dia de vida, podendo persistir além da 10ª semana de vida nos lactentes em aleitamento materno exclusivo.
DO quadro é compatível com icterícia fisiológica, portanto deve ser realizada conduta expectante, pois o quadro deve melhorar espontaneamente até a 3ª semana de vida.
EO mecanismo fisiopatológico para a icterícia do quadro clínico envolve atraso na maturação da enzima uridina difosfatase glicuronosiltransferase (UGT).
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GabaritoC — O quadro é compatível com icterícia relacionada ao leite materno, condição que se inicia após o 4º dia de vida, podendo persistir além da 10ª semana de vida nos lactentes em aleitamento materno exclusivo.
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Icterícia neonatal: icterícia do leite materno
Gabarito: letra C. O quadro é compatível com icterícia relacionada ao leite materno (tardia), condição que se inicia após o 4º dia de vida e pode persistir além da 10ª semana em lactentes em aleitamento materno exclusivo. O diagnóstico é clínico, com lactente ativo, ganhando peso, ictérico com predomínio de bilirrubina indireta (BT 10,8 mg/dL, BD 0,6 mg/dL), sem sinais de colestase ou hemólise — e o manejo é expectante, com manutenção do aleitamento materno.
A icterícia neonatal é um dos temas mais cobrados em Pediatria, e a chave para resolvê-la está em classificar corretamente o tipo de hiperbilirrubinemia (direta × indireta) e correlacionar com a idade de início e o estado clínico do lactente. No caso, temos um recém-nascido a termo, com 18 dias de vida, ictérico desde o 8º dia (início há 10 dias), em aleitamento materno exclusivo, ganhando peso, ativo, sem hepatoesplenomegalia, com bilirrubina total de 10,8 mg/dL e direta de 0,6 mg/dL (portanto, indireta de 10,2 mg/dL — predomínio claro de bilirrubina não conjugada). Hemograma, TSH, função hepática e Coombs normais afastam as principais causas patológicas: hemólise (Coombs negativo), hipotireoidismo (TSH normal) e colestase (BD baixa, sem acolia fecal).
A icterícia relacionada ao leite materno (também chamada de icterícia do leite materno tardia) é uma causa benigna e comum de hiperbilirrubinemia indireta prolongada. Diferentemente da icterícia fisiológica, que surge entre o 2º e o 4º dia de vida e desaparece até a 2ª semana, a icterícia do leite materno inicia-se após o 4º dia, pode persistir por semanas (até 12 semanas) e está associada a fatores presentes no leite humano que inibem a conjugação e a excreção da bilirrubina. O lactente, em geral, está bem, ativo, ganhando peso adequadamente — exatamente como no caso. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a conduta é expectante: não se deve suspender o aleitamento materno para confirmar o diagnóstico, pois isso traz riscos à amamentação e não é necessário na maioria dos casos.
A distinção entre icterícia fisiológica e icterícia do leite materno é um ponto clássico de pegadinha. A fisiológica tem início precoce (2º–4º dia), pico por volta do 5º dia e resolução até a 2ª semana; a do leite materno tem início mais tardio (após o 4º dia), pico mais tardio e duração prolongada. No caso, o início aos 8 dias de vida e a persistência aos 18 dias, com lactente em aleitamento materno exclusivo e clinicamente bem, apontam claramente para a icterícia do leite materno. A alternativa D tenta confundir ao chamar o quadro de "icterícia fisiológica" e afirmar que deve melhorar até a 3ª semana — mas a fisiológica não se inicia aos 8 dias e não persiste além da 2ª semana em um lactente a termo.
A alternativa E menciona o atraso na maturação da enzima UGT (uridina difosfato glicuronosiltransferase), que é o mecanismo da icterícia fisiológica (e também está envolvido na icterícia do leite materno, mas não é o mecanismo principal descrito). Na icterícia do leite materno, o mecanismo envolve fatores no leite que inibem a conjugação e aumentam a reabsorção intestinal de bilirrubina — não apenas o atraso na maturação enzimática. A alternativa A sugere fototerapia para icterícia fisiológica prolongada, o que é incorreto: a icterícia do leite materno raramente atinge níveis que exijam fototerapia, e o valor de 10,8 mg/dL aos 18 dias em um lactente a termo e saudável está abaixo dos limiares de tratamento. A alternativa B propõe suspender temporariamente o aleitamento para confirmação diagnóstica — conduta desaconselhada, pois a interrupção do aleitamento não é necessária e pode prejudicar a amamentação.
Guarde a fronteira entre icterícia fisiológica e icterícia do leite materno: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A fisiológica é precoce (2º–4º dia) e autolimitada (até 2 semanas); a do leite materno é tardia (após 4º dia) e prolongada (até 12 semanas), sempre em lactente em aleitamento materno exclusivo e clinicamente bem.
Critério
Icterícia Fisiológica
Icterícia do Leite Materno
Início
2º–4º dia de vida
Após o 4º dia de vida
Duração
Até 2ª semana (14 dias)
Pode persistir além da 10ª semana (até 12 semanas)
Lactente
A termo, saudável
Em aleitamento materno exclusivo, clinicamente bem, ganhando peso
Mecanismo principal
Atraso na maturação da UGT
Fatores no leite (β-glucuronidase) que aumentam reabsorção intestinal e inibem conjugação
Icterícia neonatal: Icterícia fisiológica (Início: 2º–4º dia, Resolução: até 2ª semana, Mecanismo: imaturidade da UGT); Icterícia do leite materno (Início: após 4º dia, Persistência: até 12 semanas, Mecanismo: fatores do leite (β-glucuronidase), Conduta: manter aleitamento, expectante); Sinais de alarme (Colestase (BD elevada, acolia fecal), Hemólise (Coombs positivo), Hipotireoidismo (TSH alterado))
Alternativa A — ❌ Incorreta
O quadro não é de icterícia fisiológica prolongada, e sim de icterícia do leite materno. Além disso, a conduta de fototerapia não está indicada: o valor de bilirrubina total de 10,8 mg/dL aos 18 dias em um lactente a termo, saudável e sem fatores de risco está muito abaixo dos limiares de fototerapia (que, nessa idade, seriam superiores a 15–17 mg/dL). A fototerapia é reservada para hiperbilirrubinemia significativa com risco de kernicterus — o que não é o caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O quadro é compatível com icterícia do leite materno, mas a conduta de suspender temporariamente o aleitamento para confirmação diagnóstica é incorreta. A suspensão do aleitamento materno não é recomendada: o diagnóstico é clínico, e a interrupção pode levar a desmame precoce, ingurgitamento mamário e outros problemas. A conduta correta é manter o aleitamento materno e acompanhar o lactente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a icterícia relacionada ao leite materno: início após o 4º dia de vida e persistência além da 10ª semana em lactentes em aleitamento materno exclusivo. O caso se encaixa perfeitamente: lactente de 18 dias, ictérico desde o 8º dia, em aleitamento materno exclusivo, ganhando peso, ativo, com predomínio de bilirrubina indireta e exames que afastam causas patológicas. A conduta é expectante, com manutenção do aleitamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O quadro não é de icterícia fisiológica. A icterícia fisiológica do recém-nascido a termo surge entre o 2º e o 4º dia de vida e desaparece até a 2ª semana (14 dias). No caso, o início foi aos 8 dias de vida e a persistência aos 18 dias — isso está fora do padrão fisiológico. A conduta expectante até a 3ª semana seria inadequada, pois o quadro é de icterícia do leite materno, que pode persistir por mais tempo, mas não requer intervenção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O atraso na maturação da enzima UGT (uridina difosfato glicuronosiltransferase) é o mecanismo fisiopatológico da icterícia fisiológica, não da icterícia do leite materno. Na icterícia do leite materno, o mecanismo envolve fatores presentes no leite humano (como a β-glucuronidase) que aumentam a reabsorção intestinal de bilirrubina e inibem a conjugação hepática. Embora a imaturidade da UGT possa contribuir, o mecanismo principal descrito para a icterícia do leite materno é diferente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre icterícia fisiológica e icterícia do leite materno. A fisiológica é precoce (2º–4º dia) e autolimitada (até 2 semanas); a do leite materno é tardia (após 4º dia) e prolongada (até 12 semanas). No caso, o início aos 8 dias e a persistência aos 18 dias, com lactente em aleitamento materno exclusivo e clinicamente bem, apontam claramente para a icterícia do leite materno. Fique atento: a banca também tenta induzir à suspensão do aleitamento (alternativa B), que é conduta incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar na prova, monte uma tabela mental: icterícia fisiológica (início 2º–4º dia, pico 5º dia, resolução até 2ª semana, lactente a termo, BT < 12–15 mg/dL) × icterícia do leite materno (início após 4º dia, pico tardio, persistência até 12 semanas, lactente em aleitamento materno exclusivo, clinicamente bem). Se o lactente está ativo, ganhando peso e sem sinais de alarme, a conduta é expectante — nunca suspender o aleitamento.