Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg728091
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Gastroenterologia Pediátrica
Quanto à colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC), assinale a alternativa INCORRETA.
AA PFIC inclui um grupo heterogêneo de enfermidades crônicas, que são responsáveis por até 15% das causas de colestase neonatal.
BA presença de prurido pode ser a principal manifestação em alguns pacientes com PFIC, podendo, muitas vezes, ser incapacitante, com grande impacto na qualidade de vida desses pacientes.
CAlém dos sintomas de colestase, os pacientes com PFIC 4 podem apresentar alterações neurológicas e respiratórias, evoluindo com perda auditiva neurossensorial.
DNa PFIC1, há uma mutação do gene ATP8B1 (FIC1). Esse gene se expressa em outros órgãos, como o pâncreas, rins e intestino delgado, o que pode explicar as manifestações extraintestinais encontradas nesses pacientes.
EA PFIC2 decorre de uma mutação no gene ABCB11 (BSEP). Essa alteração leva a um acúmulo progressivo de sais biliares no sangue e tecidos, com sintomas aparecendo principalmente após o primeiro ano de vida.
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GabaritoE — A PFIC2 decorre de uma mutação no gene ABCB11 (BSEP). Essa alteração leva a um acúmulo progressivo de sais biliares no sangue e tecidos, com sintomas aparecendo principalmente após o primeiro ano de vida.
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Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que, na PFIC2, os sintomas aparecem principalmente após o primeiro ano de vida. Na verdade, a PFIC2, causada por mutação no gene ABCB11 (BSEP), manifesta-se precocemente, geralmente nos primeiros meses de vida, com colestase neonatal e progressão para insuficiência hepática. As demais alternativas estão corretas quanto às características clínicas e genéticas da doença.
A colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC) é um grupo heterogêneo de doenças genéticas autossômicas recessivas que cursam com colestase crônica, ou seja, prejuízo na formação ou no fluxo da bile, desde a infância. A bile é produzida pelos hepatócitos e, quando seu fluxo é comprometido, há acúmulo de sais biliares e outras substâncias no fígado e no sangue, levando a icterícia, prurido intenso, má absorção de gorduras e, eventualmente, cirrose e insuficiência hepática. A PFIC é uma causa importante de colestase neonatal, sendo responsável por até 15% dos casos, como mencionado na alternativa A.
A fisiopatologia da PFIC está ligada a mutações em genes que codificam proteínas transportadoras de bile nos hepatócitos. As principais formas são:
PFIC1: mutação no gene ATP8B1 (FIC1), que codifica uma flippase de fosfolipídios. Esse gene se expressa em vários órgãos, como pâncreas, rins e intestino delgado, o que explica as manifestações extra-hepáticas, como diarreia, pancreatite e alterações renais.
PFIC2: mutação no gene ABCB11 (BSEP), que codifica a bomba exportadora de sais biliares. A deficiência dessa proteína leva ao acúmulo de sais biliares no hepatócito, causando lesão celular e colestase. A doença costuma se manifestar precocemente, nos primeiros meses de vida, com icterícia e prurido intenso, e tem alto risco de progressão para cirrose e necessidade de transplante hepático.
PFIC3: mutação no gene ABCB4 (MDR3), que codifica uma proteína envolvida na secreção de fosfatidilcolina na bile. A apresentação clínica é mais tardia, geralmente na infância ou adolescência.
PFIC4: mutação no gene TJP2, que codifica uma proteína de junção oclusiva. Além dos sintomas de colestase, pode haver manifestações neurológicas e respiratórias, incluindo perda auditiva neurossensorial.
O prurido é um sintoma marcante da PFIC, podendo ser incapacitante e impactar severamente a qualidade de vida, como descrito na alternativa B. O tratamento visa aliviar o prurido, melhorar a nutrição e retardar a progressão da doença, podendo incluir ácido ursodesoxicólico, rifampicina, derivação biliar cirúrgica e, em casos avançados, transplante hepático.
A pegadinha da questão está na alternativa E, que inverte o momento de aparecimento dos sintomas da PFIC2. Enquanto a PFIC3 tende a se manifestar mais tardiamente, a PFIC2 é uma das formas mais precoces e graves, com sintomas já nos primeiros meses de vida. O candidato que confunde as formas da doença pode marcar essa alternativa como correta, caindo na armadilha.
Colestase neonatal precoce (primeiros meses de vida), prurido intenso, progressão rápida para cirrose
PFIC3
ABCB4
MDR3 (transporte de fosfatidilcolina)
Apresentação mais tardia (infância/adolescência)
PFIC4
TJP2
Proteína de junção oclusiva
Colestase + alterações neurológicas e respiratórias, perda auditiva neurossensorial
PFIC (colestase intra-hepática familiar)
1PFIC1 (gene ATP8B1/FIC1)
Manifestações extra-hepáticas
pâncreas, rins, intestino
2PFIC2 (gene ABCB11/BSEP)
Sintomas precoces (primeiros meses de vida)
Alto risco de cirrose
3PFIC3 (gene ABCB4/MDR3)
Manifestação mais tardia (infância/adolescência)
4PFIC4 (gene TJP2)
Alterações neurológicas e respiratórias
Perda auditiva neurossensorial
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Alternativa A — ✅ Correta
A afirmação está correta. A PFIC é um grupo heterogêneo de doenças colestáticas crônicas que, de fato, são responsáveis por até 15% das causas de colestase neonatal. A colestase neonatal é definida como hiperbilirrubinemia conjugada (direta) persistente após 14 dias de vida, e a PFIC é uma das etiologias intra-hepáticas importantes.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmação está correta. O prurido é uma manifestação clínica frequente e muitas vezes incapacitante na PFIC, com grande impacto na qualidade de vida. O prurido colestático é mediado por mecanismos complexos, incluindo o acúmulo de sais biliares e outras substâncias pruritogênicas na pele.
Alternativa C — ✅ Correta
A afirmação está correta. A PFIC4, causada por mutações no gene TJP2, pode apresentar, além dos sintomas de colestase, alterações neurológicas e respiratórias, incluindo perda auditiva neurossensorial. Isso ocorre porque a proteína TJP2 é expressa em outros tecidos, não apenas no fígado.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmação está correta. A PFIC1 é causada por mutação no gene ATP8B1 (FIC1), que se expressa em outros órgãos, como pâncreas, rins e intestino delgado. Isso explica as manifestações extra-hepáticas, como diarreia, má absorção e pancreatite, que podem acompanhar a colestase.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação está incorreta. A PFIC2, causada por mutação no gene ABCB11 (BSEP), manifesta-se precocemente, geralmente nos primeiros meses de vida, com colestase neonatal e prurido intenso. A progressão para cirrose e insuficiência hepática é rápida, e o transplante hepático é frequentemente necessário. A alternativa erra ao afirmar que os sintomas aparecem principalmente após o primeiro ano de vida, o que é mais característico da PFIC3.
Gabarito: letra E — a alternativa incorreta é a que afirma que os sintomas da PFIC2 aparecem principalmente após o primeiro ano de vida, quando na verdade a doença se manifesta precocemente, nos primeiros meses de vida.