Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728094
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
Durante uma cistoscopia investigativa de paciente com sintomas urinários, foi diagnosticada uma úlcera de Hunner. Essa condição clínica está associada à
Auretrite.
Bcistite intersticial.
Cfístula vesical.
Dbexiga hiperativa.
Eincontinência urinária aos esforços.
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GabaritoB — cistite intersticial.
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Úlcera de Hunner e cistite intersticial
Gabarito: letra B. A úlcera de Hunner é um achado cistoscópico clássico e específico da cistite intersticial (síndrome da bexiga dolorosa), uma condição inflamatória crônica da parede vesical de etiologia não totalmente esclarecida. O diagnóstico é essencialmente clínico, com dor vesical, urgência e polaciúria, e a cistoscopia pode revelar a úlcera em sua forma clássica (úlcera de Hunner) ou glomerulações difusas na forma não ulcerativa.
A cistite intersticial (CI) é uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica relacionada ao enchimento vesical, acompanhada de urgência e frequência urinárias, na ausência de infecção ou outra causa identificável. A dor é o sintoma central e costuma aliviar após a micção. A doença afeta predominantemente mulheres e tem impacto significativo na qualidade de vida. A fisiopatologia envolve um defeito na camada de glicosaminoglicanos (GAG) da uroterapia, que permite a passagem de substâncias irritantes para a submucosa, desencadeando inflamação, degranulação de mastócitos e dor neuropática.
O diagnóstico é feito por exclusão, após afastar infecções, neoplasias, litíase e outras causas de sintomas do trato urinário inferior. A cistoscopia, sob anestesia, é o exame que permite visualizar diretamente a úlcera de Hunner — uma área avermelhada, bem delimitada, com vasos sanguíneos que sangram facilmente ao distender a bexiga — ou as glomerulações (petéquias difusas) na forma não ulcerativa. A biópsia pode ser realizada para excluir carcinoma in situ, que pode mimetizar o quadro.
O tratamento é multimodal e inclui medidas comportamentais (dieta, controle hídrico), medicações orais (amitriptilina, pentosan polissulfato de sódio), instilações intravesicais (DMSO, heparina, lidocaína), e, em casos refratários, procedimentos como fulguração da úlcera, injeção de toxina botulínica ou cirurgia (cistectomia em casos extremos).
A distinção fundamental que a questão explora é entre a cistite intersticial e as outras condições que cursam com sintomas urinários, mas que têm etiologia e achados cistoscópicos completamente diferentes. A úlcera de Hunner é o marcador patognomônico da forma ulcerativa da CI, e nenhuma das outras alternativas apresenta esse achado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato associando a úlcera de Hunner a condições comuns do trato urinário, como uretrite ou bexiga hiperativa. A pegadinha está em não reconhecer que a úlcera de Hunner é um achado específico da cistite intersticial, e não um sintoma inespecífico. O candidato que decora apenas os sintomas gerais (urgência, polaciúria) pode cair na armadilha de escolher bexiga hiperativa, mas a presença da úlcera na cistoscopia é o diferencial que aponta diretamente para a CI.
Úlcera de Hunner
1Achado cistoscópico
Área avermelhada
Bem delimitada
Sangra à distensão
2Patognomônica de
Cistite intersticial
Forma ulcerativa
Dor ao enchimento
Alívio após micção
3Diagnóstico diferencial
Uretrite (inflamação uretral)
Fístula vesical (comunicação anômala)
Bexiga hiperativa (cistoscopia normal)
Incontinência aos esforços (mecânica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A uretrite é uma inflamação da uretra, geralmente de causa infecciosa (Chlamydia, gonococo, herpes), que se manifesta com disúria, corrimento uretral e piúria. Não há relação com úlcera de Hunner, que é um achado vesical. A cistoscopia na uretrite pode mostrar apenas hiperemia da mucosa uretral, sem úlceras.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A úlcera de Hunner é o achado cistoscópico clássico da cistite intersticial na sua forma ulcerativa. É uma lesão avermelhada, bem delimitada, que sangra facilmente à distensão vesical. Sua presença confirma o diagnóstico da síndrome da bexiga dolorosa, sendo considerada patognomônica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A fístula vesical (vesicovaginal, vesicointestinal) é uma comunicação anômala entre a bexiga e outro órgão, geralmente secundária a cirurgia, radioterapia ou trauma. O quadro clínico é de perda contínua de urina (incontinência total), e a cistoscopia pode mostrar o orifício fistuloso, mas não úlcera de Hunner.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A bexiga hiperativa (BH) é uma síndrome clínica caracterizada por urgência, com ou sem incontinência de urgência, geralmente associada a hiperatividade do detrusor. A cistoscopia na BH é normal ou pode mostrar apenas hiperemia discreta, mas não apresenta úlcera de Hunner. A presença de dor progressiva ao enchimento vesical na urodinâmica sugere cistite intersticial, não BH.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A incontinência urinária aos esforços (IUE) é a perda de urina ao aumento da pressão abdominal (tosse, espirro, esforço), por deficiência do suporte vesical ou do esfíncter uretral. É uma condição mecânica, sem relação com úlcera de Hunner. A cistoscopia na IUE é normal, a menos que haja outra comorbidade.
Gabarito: letra B — a úlcera de Hunner é o achado cistoscópico característico da cistite intersticial.