Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728097
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
Ao receber o laudo do exame de DNA-HPV de uma paciente hígida de 32 anos, assintomática, você verifica o que o teste foi positivo para subtipos que não são o 16 e o 18. Considerando as novas diretrizes de rastreamento de câncer de colo do útero de 2025, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para esse caso.
AEncaminhar diretamente para colposcopia.
BRepetir o teste de HPV em 12 meses.
CRealizar citologia imediatamente.
DRealizar citologia em 6 meses.
ERepetir teste de HPV, realizar citologia e colposcopia imediata.
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GabaritoC — Realizar citologia imediatamente.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Rastreamento do câncer de colo do útero: conduta no HPV positivo não-16/18
Gabarito: letra C. Em paciente hígida, assintomática, com teste de DNA-HPV positivo para subtipos de alto risco que não sejam 16 e 18, a conduta recomendada pelas diretrizes de 2025 é realizar a citologia imediatamente — o resultado da citologia é que vai definir a necessidade de colposcopia. A lógica é que o HPV de alto risco (exceto 16/18) tem menor risco de lesão precursora quando comparado ao 16/18, e a citologia imediata é o exame que estratifica o risco e direciona a conduta subsequente.
O rastreamento do câncer de colo do útero evoluiu para uma abordagem baseada em risco, na qual o teste de HPV é o exame primário. A infecção por HPV de alto risco é necessária para o desenvolvimento do câncer cervical, mas a maioria das infecções é transitória e regride espontaneamente. O desafio clínico é identificar quais mulheres com HPV positivo têm lesão precursora que justifique intervenção. As diretrizes de 2025, alinhadas com a ASCCP (American Society for Colposcopy and Cervical Pathology), adotam uma estratégia de triagem reflexa: quando o teste de HPV é positivo, a citologia é realizada imediatamente na mesma amostra ou em nova coleta, para decidir se a paciente precisa de colposcopia. Essa abordagem evita colposcopias desnecessárias em mulheres com infecção transitória e concentra os recursos nas que realmente têm risco de lesão de alto grau.
A distinção crucial é entre os subtipos 16 e 18 e os demais subtipos de alto risco. O HPV 16 é o mais oncogênico, responsável por cerca de 50-60% dos cânceres cervicais, e o HPV 18 por cerca de 10-15%. Juntos, respondem por aproximadamente 70% dos casos. Os demais subtipos de alto risco (31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66, 68) têm risco oncogênico menor. Por isso, as diretrizes recomendam condutas diferentes: para HPV 16/18 positivo, a colposcopia é indicada diretamente, pois o risco de lesão de alto grau é alto mesmo com citologia normal. Para os outros subtipos de alto risco, a citologia imediata é o passo inicial — se a citologia for alterada (ASC-US ou pior), a colposcopia é indicada; se for normal, a conduta é repetir o teste em 12 meses.
Na prática, o fluxo é o seguinte: paciente de 32 anos, hígida, assintomática, com HPV positivo para subtipo de alto risco não-16/18. A conduta correta é realizar a citologia imediatamente. Se a citologia vier alterada, encaminhar para colposcopia. Se vier normal, repetir o teste de HPV em 12 meses. Essa estratégia de triagem reflexa otimiza a detecção de lesões clinicamente significativas, reduzindo procedimentos invasivos desnecessários e ansiedade na paciente. A alternativa que repete o teste em 12 meses sem citologia seria adequada apenas se a citologia inicial fosse normal, e a colposcopia direta é reservada para HPV 16/18 ou citologia alterada.
A pegadinha desta questão está em não distinguir o risco oncogênico entre os subtipos de HPV. O candidato que memoriza que "HPV positivo de alto risco = colposcopia" erra, pois a diretriz atual diferencia o manejo do HPV 16/18 dos demais subtipos. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo alternativas que seriam corretas para outros cenários. Guarde o fluxo: HPV 16/18 → colposcopia direta; outros HPV de alto risco → citologia imediata (triagem reflexa); citologia alterada → colposcopia; citologia normal → repetir em 12 meses.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Encaminhar diretamente para colposcopia é a conduta para HPV 16 ou 18 positivo, não para os demais subtipos de alto risco. Neste caso, o risco de lesão de alto grau é menor, e a colposcopia imediata seria um procedimento desnecessário na maioria das pacientes, que têm infecção transitória. A citologia imediata é o passo que define se a colposcopia é necessária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Repetir o teste de HPV em 12 meses sem realizar a citologia imediata é inadequado, pois a paciente pode ter uma lesão precursora que exige intervenção agora. A repetição em 12 meses só é indicada após uma citologia normal, como seguimento da infecção persistente. A triagem reflexa com citologia imediata é o primeiro passo para estratificar o risco.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Realizar a citologia imediatamente é a conduta correta. A citologia é o exame de triagem reflexa que, diante de um HPV positivo não-16/18, define se a paciente precisa de colposcopia (citologia alterada) ou de seguimento com repetição do teste em 12 meses (citologia normal). Essa abordagem baseada em risco é o padrão das diretrizes de 2025.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Realizar citologia em 6 meses não é a conduta recomendada. A citologia deve ser feita imediatamente, não em 6 meses, pois o objetivo é estratificar o risco naquele momento. O intervalo de 6 meses não corresponde a nenhuma recomendação das diretrizes atuais para este cenário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Repetir teste de HPV, realizar citologia e colposcopia imediata é uma conduta excessiva e não recomendada. A colposcopia imediata não é indicada para HPV não-16/18 sem citologia alterada. A abordagem é sequencial: primeiro a citologia, e só se alterada, a colposcopia. Realizar todos os exames de uma vez é desnecessário e aumenta custos e procedimentos invasivos sem benefício clínico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o manejo do HPV 16/18 e dos demais subtipos de alto risco. Muitos candidatos memorizam que "HPV de alto risco positivo = colposcopia", mas a diretriz atual diferencia: HPV 16/18 → colposcopia direta; outros subtipos → citologia imediata primeiro. Fique atento a essa distinção, pois ela é a chave para acertar questões de rastreamento.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de rastreamento de câncer de colo do útero, monte o fluxograma mental: HPV positivo → identificar subtipo (16/18 ou outros) → se 16/18, colposcopia; se outros, citologia imediata → citologia alterada, colposcopia; citologia normal, repetir em 12 meses. Esse fluxo resolve a maioria das questões do tema.