Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728098
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
Ao atender na unidade básica uma paciente de 35 anos, tabagista e hipertensa, que gostaria de fazer uso de pílula contraceptiva, você a orienta sobre as contraindicações de alguns métodos e fornece alerta sobre riscos. Entre essas orientações, você explica que são contraindicações absolutas aos métodos anticoncepcionais hormonais combinados, EXCETO
Atabagista (>=15 cigarros/dia) com idade superior a 35 anos.
Benxaqueca com aura.
Cgrandes cirurgias com imobilização prolongada.
Dtrombofilia conhecida.
Ehipertensão arterial sistêmica controlada com medicação.
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GabaritoE — hipertensão arterial sistêmica controlada com medicação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Contraindicações aos anticoncepcionais hormonais combinados (AHC)
Gabarito: letra E. A hipertensão arterial sistêmica controlada com medicação é contraindicação relativa (categoria 3 da OMS) ao uso de anticoncepcionais hormonais combinados, e não absoluta (categoria 4) — por isso é a exceção pedida no enunciado. As demais alternativas (tabagismo ≥15 cigarros/dia em ≥35 anos, enxaqueca com aura, cirurgia de grande porte com imobilização prolongada e trombofilia conhecida) são contraindicações absolutas, conforme os critérios de elegibilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os anticoncepcionais hormonais combinados (AHC) contêm estrogênio e progestagênio, e o estrogênio é o principal responsável pelo aumento do risco de fenômenos tromboembólicos. Por isso, as contraindicações absolutas (categoria 4 da OMS — "o método não deve ser usado") são condições em que o risco de usar o método supera claramente os benefícios, geralmente por envolver risco cardiovascular ou tromboembólico elevado. Já as contraindicações relativas (categoria 3 — "o uso não é recomendado, a menos que outros métodos mais apropriados não estejam disponíveis") são situações em que o método pode ser usado com cautela e acompanhamento, desde que os benefícios superem os riscos.
A classificação da OMS é a referência mundial para a elegibilidade dos métodos contraceptivos, e o Brasil a adota por meio do Ministério da Saúde. Ela divide as condições em quatro categorias: 1 (sem restrição), 2 (benefícios geralmente superam riscos), 3 (riscos geralmente superam benefícios) e 4 (risco inaceitável — contraindicação absoluta).
A hipertensão arterial controlada com medicação é um exemplo clássico de categoria 3: a paciente está com a pressão controlada, o que reduz o risco cardiovascular, mas ainda assim o uso de AHC exige cautela e acompanhamento. Já a hipertensão não controlada (PA sistólica ≥160 mmHg ou diastólica ≥100 mmHg) é categoria 4, ou seja, contraindicação absoluta.
A pegadinha desta questão está em distinguir a hipertensão controlada (categoria 3, relativa) da hipertensão não controlada (categoria 4, absoluta). A banca explora exatamente essa diferença: o candidato que memoriza "hipertensão é contraindicação absoluta" sem atentar para o qualificador "controlada com medicação" erra a questão.
Condição
Categoria OMS
Tipo de contraindicação
Tabagismo ≥15 cigarros/dia em ≥35 anos
Categoria 4
Absoluta
Enxaqueca com aura
Categoria 4
Absoluta
Cirurgia de grande porte com imobilização prolongada
Categoria 4
Absoluta
Trombofilia conhecida
Categoria 4
Absoluta
HAS controlada com medicação
Categoria 3
Relativa (exceção — gabarito)
Contraindicações absolutas (cat. 4 OMS)
1Tabagismo ≥15/dia e ≥35 anos
2Enxaqueca com aura
3Cirurgia grande porte + imobilização
4Trombofilia conhecida
5HAS não controlada (≥160×100)
6TEV/AVC/IM prévios
7Doença hepática ativa
8Câncer de mama atual
9Contraindicação relativa (cat. 3)
HAS controlada com medicação
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Alternativa A — ✅ Correta (é contraindicação absoluta)
Tabagismo ≥15 cigarros/dia em mulher com idade ≥35 anos é categoria 4 da OMS — contraindicação absoluta ao uso de AHC. O tabagismo associado à idade avançada aumenta significativamente o risco de eventos cardiovasculares e tromboembólicos, tornando o uso do método inaceitável.
Alternativa B — ✅ Correta (é contraindicação absoluta)
Enxaqueca com aura é categoria 4 da OMS, independentemente da idade. A aura é um fator de risco para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, e o estrogênio dos AHC potencializa esse risco. Por isso, é contraindicação absoluta.
Alternativa C — ✅ Correta (é contraindicação absoluta)
Cirurgia de grande porte com imobilização prolongada é categoria 4 da OMS. A imobilização aumenta o risco de trombose venosa profunda, e o estrogênio dos AHC potencializa esse risco. Por isso, o método não deve ser usado nessa situação.
Alternativa D — ✅ Correta (é contraindicação absoluta)
Trombofilia conhecida (como mutação do fator V de Leiden, deficiência de proteína C, S ou antitrombina) é categoria 4 da OMS. A trombofilia já confere risco aumentado de tromboembolismo, e o estrogênio dos AHC potencializa ainda mais esse risco. É contraindicação absoluta.
Alternativa E — ❌ Incorreta (é a exceção — contraindicação relativa) ⟵ GABARITO
Hipertensão arterial sistêmica controlada com medicação é categoria 3 da OMS — contraindicação relativa, não absoluta. A paciente pode usar AHC com cautela e acompanhamento, desde que a pressão esteja controlada. A contraindicação absoluta (categoria 4) é para hipertensão não controlada (PA sistólica ≥160 mmHg ou diastólica ≥100 mmHg) ou com doença vascular associada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a hipertensão controlada (categoria 3, relativa) pela hipertensão não controlada (categoria 4, absoluta). O qualificador "controlada com medicação" é a chave: sem ele, a alternativa seria uma contraindicação absoluta, mas com ele, vira relativa. Memorize a diferença entre as categorias 3 e 4 da OMS para hipertensão.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de elegibilidade de métodos contraceptivos, decore as categorias 4 (absolutas) mais cobradas: tabagismo ≥15 cigarros/dia em ≥35 anos, enxaqueca com aura, trombofilia, cirurgia de grande porte com imobilização prolongada, hipertensão não controlada, história de TEV/AVC/IM, doença hepática ativa, câncer de mama atual. E lembre: hipertensão controlada é categoria 3, não 4.
Gabarito: letra E — a única alternativa que NÃO é contraindicação absoluta aos AHC.