Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728101
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
O septo uterino pode ser responsável por qual dos seguintes sintomas e intercorrências clínicas?
ADor pélvica.
BAborto de repetição.
CSangramento uterino anormal.
DRetenção placentária.
EMenopausa precoce.
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GabaritoB — Aborto de repetição.
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Septo uterino: malformação mülleriana e suas consequências clínicas
Gabarito: letra B. O septo uterino é a malformação mülleriana mais comum e está classicamente associado a abortamento de repetição e a complicações obstétricas, como parto pré-termo e apresentações anômalas. A base fisiopatológica é a vascularização deficiente do septo, que é fibroso e pouco irrigado, comprometendo a implantação e a placentação adequadas. Essa é a associação clínica mais forte e específica, sendo o septo uterino uma causa reconhecida e tratável de perda gestacional recorrente.
O septo uterino é uma malformação congênita do trato genital feminino, resultante da falha na reabsorção do septo mediano durante a fusão dos ductos müllerianos (paramesonéfricos) na embriogênese. Diferentemente do útero bicorno, que é uma falha de fusão, o septo é uma falha de reabsorção, o que resulta em um útero de contorno externo normal, mas com uma parede fibromuscular interna dividindo a cavidade. Essa distinção é crucial, pois o tratamento e o prognóstico diferem: o septo é corrigido por histeroscopia cirúrgica (metroplastia histeroscópica), um procedimento relativamente simples e seguro, enquanto o útero bicorno geralmente não é corrigido cirurgicamente.
A principal consequência clínica do septo uterino é o abortamento de repetição, definido como a perda de duas ou mais gestações consecutivas. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas acredita-se que a vascularização deficiente do septo (que é composto predominantemente por tecido fibroso, com poucos vasos sanguíneos) comprometa a implantação do embrião e a formação da placenta, levando à falha do desenvolvimento gestacional. Além do abortamento, o septo uterino também está associado a outras complicações obstétricas, como parto pré-termo, apresentação pélvica, restrição de crescimento fetal e rotura prematura de membranas. A correção cirúrgica do septo (metroplastia histeroscópica) melhora significativamente as taxas de nascidos vivos em mulheres com abortamento de repetição.
É importante diferenciar o septo uterino de outras malformações müllerianas e de outras causas de abortamento de repetição. As malformações müllerianas são classificadas pela classificação da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) (anteriormente classificação da American Fertility Society), que as divide em classes (I a VIII) com base no grau de falha de desenvolvimento, fusão ou reabsorção. O septo uterino corresponde à classe V (útero septado). Outras causas de abortamento de repetição incluem fatores genéticos (anormalidades cromossômicas), endócrinos (como síndrome do ovário policístico, diabetes descompensado, disfunção tireoidiana), imunológicos (síndrome antifosfolípide), infecciosos e trombofilias. A investigação do abortamento de repetição deve ser sistemática e incluir a avaliação da cavidade uterina por histeroscopia ou histerossalpingografia.
A banca explora a associação mais específica e fisiopatologicamente embasada do septo uterino. Embora o septo possa, em teoria, estar associado a outras queixas, como dor pélvica ou sangramento anormal, essas não são as manifestações clássicas nem as mais prevalentes. A perda gestacional recorrente é a intercorrência que define a relevância clínica do septo uterino e que justifica sua investigação e tratamento. As demais alternativas representam distratores que se associam a outras condições ginecológicas, mas não são a consequência típica do septo uterino.
Guarde a associação septo uterino → abortamento de repetição como a principal e mais cobrada. É essa a correlação que a banca espera que o candidato conheça, e é nela que as alternativas se dividem.
Septo uterino (classe V ASRM)
1Falha de reabsorção do septo mediano
2Contorno externo normal
3Septo fibroso pouco vascularizado
4Consequência clássica
Abortamento de repetição
Parto pré-termo
Apresentação anômala
5Tratamento
Metroplastia histeroscópica
6Não associado
Dor pélvica
Sangramento uterino anormal
Retenção placentária
Menopausa precoce
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dor pélvica não é uma manifestação típica do septo uterino. Embora algumas mulheres com malformações müllerianas possam apresentar dor, especialmente na presença de endometriose associada ou de obstrução do fluxo menstrual (como no corno uterino rudimentar), o septo uterino em si não é uma causa clássica de dor pélvica. A dor pélvica crônica tem outras etiologias muito mais comuns, como endometriose, doença inflamatória pélvica, cistite intersticial e síndrome do intestino irritável.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O septo uterino é uma causa reconhecida de abortamento de repetição. A fisiopatologia envolve a vascularização deficiente do septo, que compromete a implantação e a placentação, levando à perda gestacional. A correção cirúrgica por histeroscopia (metroplastia) melhora significativamente o prognóstico reprodutivo. Essa é a associação clássica e mais importante do septo uterino.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sangramento uterino anormal (SUA) não é uma manifestação típica do septo uterino. O SUA tem causas estruturais (pólipos, adenomiose, leiomiomas, malignidade/hiperplasia) e não estruturais (coagulopatias, disfunção ovulatória, disfunção endometrial, iatrogênica), conforme a classificação PALM-COEIN. O septo uterino não está listado entre as causas estruturais de SUA. Embora possa haver sangramento associado a outras malformações, não é a apresentação clássica do septo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A retenção placentária é uma complicação obstétrica que pode ocorrer em diversas situações, como na placenta acreta, increta ou percreta, ou na falha de descolamento placentário. Não é uma consequência típica ou específica do septo uterino. Embora o septo possa estar associado a complicações na dequitação, a retenção placentária não é a intercorrência clássica que define a relevância clínica do septo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A menopausa precoce (insuficiência ovariana prematura) é definida pela falência ovariana antes dos 40 anos, caracterizada por amenorreia, hipoestrogenismo e elevação do FSH. Não há relação fisiopatológica entre o septo uterino, uma malformação anatômica do útero, e a função ovariana. A menopausa precoce tem causas genéticas, autoimunes, iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) e idiopáticas, mas não está associada ao septo uterino.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as malformações müllerianas e suas consequências. O candidato pode ser tentado a associar o septo uterino a sangramento anormal ou dor pélvica, mas a associação clássica e mais cobrada é com abortamento de repetição. Lembre-se: o septo é uma falha de reabsorção, com vascularização deficiente, e o útero bicorno é uma falha de fusão. A correção do septo é histeroscópica, e a do bicorno, geralmente, não é cirúrgica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre malformações müllerianas, foque na tríade: tipo de falha (fusão vs. reabsorção), apresentação clínica (abortamento de repetição vs. outras) e tratamento (histeroscopia vs. cirurgia abdominal). Essa estrutura ajuda a diferenciar o septo uterino (classe V) do útero bicorno (classe IV) e a responder rapidamente.