Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728106
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
Na análise de mortalidade materna no Brasil, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) destaca causas evitáveis e fragilidades assistenciais. Considerando diretrizes e dados contidos nesse documento do Ministério da Saúde, assinale a alternativa que apresenta a medida que teria maior impacto direto na redução da mortalidade materna.
AInvestir no aumento do número de consultas de pré-natal.
BGarantir assistência hospitalar independente da capacidade das equipes.
CGarantir pré-natal qualificado, manejo adequado da hipertensão e melhoria da atenção ao parto e ao puerpério.
DIncorporar tecnologias de alto custo na assistência ao parto, como cardiotocografia contínua.
EAdotar medidas para reduzir o número de cesarianas.
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GabaritoC — Garantir pré-natal qualificado, manejo adequado da hipertensão e melhoria da atenção ao parto e ao puerpério.
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Mortalidade materna e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM)
Gabarito: letra C. A medida de maior impacto direto na redução da mortalidade materna, segundo a PNAISM, é a que combina pré-natal qualificado, manejo adequado da hipertensão e melhoria da atenção ao parto e ao puerpério — exatamente o tripé que ataca as principais causas evitáveis de morte materna no Brasil: hipertensão arterial, hemorragias e complicações do parto/puerpério. As demais alternativas ou são medidas isoladas, de eficácia limitada, ou focam em aspectos que não atacam diretamente as causas de morte.
A mortalidade materna é um indicador sensível da qualidade da assistência à saúde da mulher. No Brasil, as principais causas de morte materna são evitáveis e estão diretamente ligadas a falhas na atenção: hipertensão arterial (pré-eclâmpsia/eclâmpsia), hemorragias, infecções e abortamento inseguro. A PNAISM, ao analisar essas causas, aponta que a redução da mortalidade materna exige uma abordagem integrada, que começa no pré-natal de qualidade (capaz de identificar e manejar precocemente os fatores de risco), passa pelo manejo adequado das intercorrências clínicas (como a hipertensão) e culmina na atenção qualificada ao parto e ao puerpério — momento de maior risco de óbito.
A hipertensão arterial é uma das principais causas de morte materna no Brasil. O manejo adequado dessa condição, com detecção precoce, tratamento e encaminhamento oportuno, é uma das intervenções de maior impacto. Da mesma forma, a atenção qualificada ao parto e ao puerpério é crucial para prevenir e tratar hemorragias e infecções, que também figuram entre as principais causas de óbito materno. A alternativa C sintetiza exatamente essa abordagem integrada, que é o que a PNAISM preconiza.
As demais alternativas apresentam medidas que, embora possam ter algum efeito, não atacam diretamente as causas de morte materna ou são insuficientes isoladamente. Aumentar o número de consultas de pré-natal, sem garantir qualidade, não reduz a mortalidade. Garantir assistência hospitalar sem capacidade das equipes é inócuo. Incorporar tecnologias de alto custo, como cardiotocografia contínua, não é a prioridade para reduzir a mortalidade materna no Brasil. E reduzir o número de cesarianas, embora importante, não é a medida de maior impacto direto, pois a mortalidade materna está mais ligada à qualidade da assistência do que à via de parto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre quantidade e qualidade da assistência. A alternativa A (aumentar o número de consultas) parece razoável, mas a PNAISM enfatiza a qualificação do pré-natal, não apenas o número de consultas. Da mesma forma, a alternativa E (reduzir cesarianas) é uma medida importante, mas não é a de maior impacto direto na mortalidade materna, pois o foco deve estar na qualidade da assistência ao parto, independentemente da via.
Mortalidade materna (PNAISM)
1Principais causas evitáveis
Hipertensão (pré-eclâmpsia/eclâmpsia)
Hemorragias
Infecções
Abortamento inseguro
2Medidas de impacto
Pré-natal qualificado
Manejo adequado da hipertensão
Melhoria da atenção ao parto e puerpério
3Medidas insuficientes
Aumentar nº de consultas (sem qualidade)
Assistência hospitalar sem equipe capacitada
Tecnologias de alto custo
Reduzir cesarianas isoladamente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Aumentar o número de consultas de pré-natal, sem garantir a qualidade dessas consultas, não é a medida de maior impacto. A PNAISM destaca a necessidade de um pré-natal qualificado, que inclua a identificação precoce de fatores de risco, o manejo adequado de intercorrências e o encaminhamento oportuno. O simples aumento do número de consultas, sem qualificação, não reduz a mortalidade materna.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Garantir assistência hospitalar independente da capacidade das equipes é uma medida que não ataca diretamente as causas de morte materna. A qualidade da assistência depende da capacidade técnica das equipes, e a PNAISM enfatiza a necessidade de equipes capacitadas para o manejo adequado das emergências obstétricas. A alternativa ignora esse aspecto fundamental.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa sintetiza a abordagem integrada preconizada pela PNAISM: pré-natal qualificado (identificação e manejo precoce de fatores de risco), manejo adequado da hipertensão (principal causa de morte materna no Brasil) e melhoria da atenção ao parto e ao puerpério (momento de maior risco de óbito). Essa combinação ataca diretamente as principais causas evitáveis de mortalidade materna, sendo a medida de maior impacto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Incorporar tecnologias de alto custo, como cardiotocografia contínua, não é a prioridade para reduzir a mortalidade materna no Brasil. A PNAISM enfatiza a necessidade de boas práticas na atenção ao parto, que incluem o uso racional de tecnologias, mas não a incorporação indiscriminada de tecnologias de alto custo. A mortalidade materna está mais ligada à qualidade da assistência básica do que à disponibilidade de tecnologias avançadas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Reduzir o número de cesarianas é uma medida importante, mas não é a de maior impacto direto na mortalidade materna. A PNAISM e a OMS destacam que a cesariana deve ser realizada quando indicada por motivos médicos, e que taxas elevadas não estão associadas à redução da mortalidade. No entanto, a mortalidade materna está mais ligada à qualidade da assistência ao parto do que à via de parto em si. A redução de cesarianas desnecessárias é uma consequência da melhoria da qualidade da assistência, não a causa primária da redução da mortalidade.