Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728113
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
Paciente no segundo dia de pós-parto, prestes a receber alta da maternidade, queixa-se de dor e aumento do volume das mamas associados à temperatura de 37,9 ºC. Ao examiná-la, você identificou mamas com área endurecida nos quadrantes externos bilateralmente, sem a presença de sinais flogísticos. Diante do exposto, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para esse caso.
AAntibioticoterapia.
BSuspender a lactação.
CDrenagem com agulha grossa.
DEsvaziamento e sustentação das mamas.
EAntibioticoterapia e drenagem em centro cirúrgico.
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GabaritoD — Esvaziamento e sustentação das mamas.
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Ingurgitamento mamário no pós-parto: conduta
Gabarito: letra D. O quadro descrito — segundo dia pós-parto, mamas doloridas e aumentadas de volume, com áreas endurecidas bilateralmente, febre baixa (37,9 ºC) e ausência de sinais flogísticos — é compatível com ingurgitamento mamário fisiológico, e não com mastite infecciosa. A conduta correta é o esvaziamento frequente das mamas (por sucção do bebê ou ordenha) associado à sustentação das mamas (sutiã adequado, compressas frias entre as mamadas), conforme o manejo clássico dessa intercorrência da lactação.
O ingurgitamento mamário é uma condição comum nos primeiros dias após o parto, decorrente do apojadura — a descida do leite — que causa congestão vascular e linfática das mamas. Diferentemente da mastite, que é um processo infeccioso-inflamatório (geralmente bacteriano, por Staphylococcus aureus), o ingurgitamento é um fenômeno fisiológico e bilateral, sem sinais flogísticos locais como rubor, calor intenso ou dor aguda localizada. A febre baixa pode ocorrer no ingurgitamento, mas costuma ser discreta e autolimitada, enquanto na mastite costuma ser mais elevada e acompanhada de mal-estar sistêmico.
O tratamento do ingurgitamento baseia-se em esvaziar as mamas — o que alivia a pressão intraductal e a congestão — e em medidas de suporte, como uso de sutiã firme (sustentação), compressas frias entre as mamadas (para reduzir o edema) e analgésicos simples, se necessário. A amamentação deve ser mantida e estimulada, pois a sucção do bebê é o esvaziamento mais eficaz. A suspensão da lactação é contraindicada, pois piora a congestão e aumenta o risco de mastite.
A mastite puerperal, por sua vez, costuma ser unilateral, com área de endurecimento mais localizada, dor intensa, rubor, calor local e febre mais alta (geralmente acima de 38,5 ºC). Nesses casos, está indicada a antibioticoterapia (empírica para S. aureus) e, se houver abscesso, a drenagem cirúrgica. No caso descrito, a bilateralidade e a ausência de sinais flogísticos afastam a mastite e o abscesso, tornando desnecessárias as condutas das alternativas A, C e E.
A pegadinha da questão está em confundir ingurgitamento com mastite: a febre baixa e o endurecimento mamário podem sugerir infecção, mas a ausência de sinais flogísticos e a bilateralidade são os elementos-chave que direcionam para o diagnóstico de ingurgitamento e para a conduta conservadora. Guarde essa distinção: ingurgitamento = bilateral, sem sinais flogísticos, tratar com esvaziamento e suporte; mastite = unilateral, com sinais flogísticos, tratar com antibiótico; abscesso = flutuação, drenar.
Ingurgitamento mamário
1Quadro clínico
Bilateral
Sem sinais flogísticos
Febre baixa
2Conduta
Esvaziamento das mamas
Sustentação (sutiã firme)
Manter amamentação
Suspender lactação
3Mastite
Quadro clínico
Unilateral
Com sinais flogísticos
Febre alta
Conduta
Antibioticoterapia
Drenagem se abscesso
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A antibioticoterapia é indicada para mastite infecciosa, que cursa com sinais flogísticos (rubor, calor, dor localizada) e febre mais elevada. No ingurgitamento, não há infecção bacteriana, e o uso de antibióticos é desnecessário e não resolve a congestão mamária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Suspender a lactação é contraindicado no ingurgitamento, pois a estase láctea piora a congestão e aumenta o risco de evolução para mastite. O esvaziamento frequente das mamas é justamente o tratamento, e a amamentação deve ser mantida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A drenagem com agulha grossa é indicada para abscesso mamário, que se caracteriza por flutuação e sinais flogísticos intensos. No ingurgitamento, não há coleção purulenta a ser drenada; a conduta é o esvaziamento fisiológico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O esvaziamento das mamas (por sucção ou ordenha) alivia a congestão e a dor, e a sustentação (sutiã firme) reduz o estiramento dos ligamentos de Cooper e o desconforto. Essas medidas são a base do tratamento do ingurgitamento mamário fisiológico, sem necessidade de antibióticos ou procedimentos invasivos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A combinação de antibiótico e drenagem em centro cirúrgico é reservada para mastite com abscesso, situação que cursa com sinais flogísticos e flutuação. No ingurgitamento, não há indicação de antibioticoterapia nem de drenagem cirúrgica.
Gabarito: letra D — esvaziamento e sustentação das mamas, conduta adequada para o ingurgitamento mamário fisiológico do pós-parto.