Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728115
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
G2C1, 39 semanas de gestação, história de pré-eclâmpsia na gestação anterior, chega ao pronto-socorro com pressão arterial de 160x110 mmHg, dinâmica uterina presente e colo fino dilatado 5 cm ao toque vaginal. Traz exames laboratoriais realizados ambulatorialmente no dia anterior evidenciando: hemoglobina 11 g/dL, desidrogenase láctica 700 UI/L, transaminase oxalacética 80 UI/L, plaquetas 140.000 /mm3. Foi realizada cardiotocografia na admissão com o seguinte traçado:Sobre o caso clínico descrito, assinale a alternativa correta.
AA droga de escolha como anti-hipertensivo na admissão da paciente para reduzir os níveis tensionais na urgência é a metildopa.
BTrata-se de um caso de pré-eclâmpsia leve, com indicação de sulfatação e otimização do parto normal com ocitocina.
CTrata-se de um caso de pré-eclâmpsia grave. A cardiotocografia apresenta traçado de desaceleração tardia indicando sofrimento fetal.
DTrata-se de um caso de pré-eclâmpsia grave e cardiotocografia com traçado de DIP tipo I indicando compressão funicular.
EA droga de escolha como anti-hipertensivo na admissão da paciente para reduzir os níveis tensionais é a hidralazina 30 mg.
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GabaritoC — Trata-se de um caso de pré-eclâmpsia grave. A cardiotocografia apresenta traçado de desaceleração tardia indicando sofrimento fetal.
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Pré-eclâmpsia grave e cardiotocografia: desaceleração tardia
Gabarito: letra C. A paciente apresenta pré-eclâmpsia grave (PA 160x110 mmHg, DHL 700 UI/L, TGO 80 UI/L) e a cardiotocografia mostra desaceleração tardia, que indica sofrimento fetal — exatamente o que a alternativa C afirma. A conduta correta envolve sulfatação, controle pressórico com droga de ação rápida (hidralazina ou labetalol EV) e resolução da gestação, não otimização de parto normal com ocitocina.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg) após a 20ª semana, frequentemente acompanhada de proteinúria ou, na sua ausência, de sinais de gravidade. No caso, a paciente tem PA 160x110 mmHg, que por si só já configura hipertensão grave (PAS ≥ 160 e/ou PAD ≥ 110). Além disso, os exames mostram DHL 700 UI/L (normal até ~600) e TGO 80 UI/L (normal até ~40), indicando disfunção hepática — outro critério de gravidade. A plaquetopenia (140.000/mm³) também é um sinal de alerta, embora o corte clássico para trombocitopenia na pré-eclâmpsia seja < 100.000/mm³. Portanto, não há dúvida: trata-se de pré-eclâmpsia grave.
A cardiotocografia (CTG) é o exame que avalia a frequência cardíaca fetal (FCF) e sua relação com as contrações uterinas. As desacelerações tardias são quedas da FCF que começam após o início da contração, atingem o nadir depois do pico da contração e retornam ao basal após o término da contração. Elas são causadas por insuficiência útero-placentária: durante a contração, o fluxo sanguíneo para a placenta diminui, e o feto, que já está com reserva reduzida, responde com bradicardia. Isso é um sinal de sofrimento fetal e exige avaliação imediata e, frequentemente, resolução do parto. Em contraste, as desacelerações precoces (DIP I) são espelhadas à contração (começam e terminam junto com ela) e são causadas por compressão da cabeça fetal — são benignas. Já as desacelerações variáveis são causadas por compressão do cordão umbilical e têm formato variável, não espelhado.
O tratamento da pré-eclâmpsia grave envolve três pilares: (1) controle pressórico com anti-hipertensivo de ação rápida — hidralazina 5 mg EV (repetir 5-10 mg a cada 20 min, dose máxima 30 mg) ou labetalol 20 mg EV (repetir 40 mg e 80 mg, dose máxima 300 mg); (2) profilaxia de eclâmpsia com sulfato de magnésio (dose de ataque 4-6 g EV, seguida de infusão de 1-2 g/h); e (3) resolução da gestação, que é o único tratamento definitivo. A metildopa é usada para tratamento crônico ambulatorial, não para urgência hipertensiva. A hidralazina 30 mg como dose única não é a conduta padrão — a dose inicial é 5 mg EV, com repetições conforme resposta.
A pegadinha desta questão está em dois pontos: (1) classificar a pré-eclâmpsia como leve quando há PA ≥ 160/110 e disfunção hepática — é grave; e (2) confundir desaceleração tardia (sofrimento fetal) com DIP I (compressão de cabeça, benigna) ou com desaceleração variável (compressão de cordão). A banca explora exatamente essa confusão entre os tipos de desaceleração e suas causas.
Guarde a fronteira entre os tipos de desaceleração e os critérios de gravidade da pré-eclâmpsia: é nela que as alternativas se dividem.
Desacelerações na cardiotocografia: Tardia (Início após a contração, Nadir após o pico, Insuficiência útero-placentária, Sofrimento fetal); Precoce (DIP I) (Espelhada à contração, Compressão da cabeça fetal, Benigna); Variável (Formato variável, Compressão do cordão umbilical)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A metildopa é um anti-hipertensivo de uso crônico, indicado para controle ambulatorial da PA na gestação. Na urgência hipertensiva (PA ≥ 160/110), a droga de escolha é de ação rápida e venosa: hidralazina ou labetalol. A metildopa tem início de ação lento (horas) e não é adequada para redução imediata da PA.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A paciente tem pré-eclâmpsia grave (PA 160x110, DHL 700, TGO 80), não leve. A conduta não é "otimizar parto normal com ocitocina" — a resolução da gestação é indicada, mas a via e o momento dependem da avaliação materno-fetal. A sulfatação está indicada, mas o parto normal com ocitocina não é a conduta padrão diante de sofrimento fetal (desaceleração tardia).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A PA 160x110 mmHg configura hipertensão grave; DHL 700 UI/L e TGO 80 UI/L indicam disfunção hepática — ambos são critérios de pré-eclâmpsia grave. A cardiotocografia com desaceleração tardia é um sinal de insuficiência útero-placentária e sofrimento fetal, exigindo conduta ativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cardiotocografia mostra desaceleração tardia, não DIP I. O DIP I (desaceleração precoce) é espelhado à contração, causado por compressão da cabeça fetal, e é benigno. A compressão funicular causa desaceleração variável, não tardia. A alternativa troca o tipo de desaceleração e sua causa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hidralazina é uma droga de escolha na urgência hipertensiva, mas a dose inicial é 5 mg EV, não 30 mg. A dose de 30 mg é a dose máxima cumulativa. A alternativa erra a dose inicial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os tipos de desaceleração da cardiotocografia. Desaceleração tardia = sofrimento fetal (insuficiência placentária). DIP I (precoce) = compressão de cabeça (benigna). Variável = compressão de cordão. E, na pré-eclâmpsia, PA ≥ 160/110 ou disfunção hepática (DHL/TGO elevados) = grave, nunca leve. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar os critérios de gravidade da pré-eclâmpsia, memorize o mnemônico "PAVIO": Pressão ≥ 160/110, Alteração hepática (TGO/TGP, DHL), Visual (escotomas), Insuficiência renal (creatinina), Outros (trombocitopenia, EAP, dor epigástrica). Se qualquer um estiver presente, é grave.