Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728116
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
A médica de plantão em uma unidade obstétrica de referência atende uma gestante de 29 anos, G2P1, com 29 semanas de gestação, que relata sangramento vaginal indolor iniciado há cerca de 2 horas. A paciente refere movimentação fetal preservada e nega dor abdominal, perda de líquido ou trauma recente. Não trouxe exames realizados em pré-natal. Durante o exame físico, apresenta PA de 120×80 mmHg, FC: 80 bpm, altura uterina: 27 cm, dinâmica uterina: ausente, BCF: 150 bpm. Ao exame especular, visualizou-se sangramento, vermelho vivo, proveniente do canal cervical. Com base nesses achados, assinale a alternativa que apresenta respectivamente a principal hipótese diagnóstica e a conduta imediata.
APlacenta prévia; internação, avaliação ultrassonográfica e repouso.
BDescolamento prematuro de placenta; cesariana de emergência.
CPlacenta prévia; cesariana de emergência.
DDescolamento prematuro de placenta; observação ambulatorial.
ERotura prematura de membranas; alta com orientação domiciliar.
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GabaritoA — Placenta prévia; internação, avaliação ultrassonográfica e repouso.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hemorragia do terceiro trimestre: placenta prévia × descolamento prematuro
Gabarito: letra A. O quadro clássico de sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, sem contrações e com tônus uterino normal em gestação de 29 semanas aponta para placenta prévia — e a conduta imediata, em gestante estável e feto viável, é internação, avaliação ultrassonográfica e repouso, não cesariana de emergência. A distinção central está no padrão do sangramento e no tônus uterino: na placenta prévia o sangramento é indolor e o útero fica relaxado; no descolamento prematuro de placenta (DPP) há dor abdominal, hipertonia uterina e sangramento escuro.
O sangramento vaginal na segunda metade da gestação tem duas grandes causas obstétricas que precisam ser diferenciadas na emergência: a placenta prévia e o descolamento prematuro de placenta (DPP). A placenta prévia ocorre quando a placenta se insere total ou parcialmente sobre o orifício interno do colo uterino. O sangramento decorre do descolamento das vilosidades coriônicas da parede uterina durante a formação do segmento inferior e o início da dilatação cervical — por isso é tipicamente indolor, de sangue vermelho vivo, de início súbito e sem associação com contrações. O útero permanece com tônus normal e a altura uterina é compatível com a idade gestacional. Já o DPP é a separação prematura da placenta normalmente inserida, classicamente associado a dor abdominal aguda, hipertonia uterina (útero em tábua), sangramento escuro em pequena quantidade e, frequentemente, hipertensão materna — o útero fica endurecido e doloroso, e a altura uterina pode aumentar progressivamente por sangramento retroplacentário oculto.
No caso apresentado, todos os dados favorecem placenta prévia: sangramento indolor, vermelho vivo, ausência de dinâmica uterina, altura uterina de 27 cm compatível com 29 semanas, BCF presente e PA normal. Não há dor, hipertonia, nem sinais de sofrimento fetal. A conduta imediata em gestante estável com feto viável (≥ 24 semanas) e suspeita de placenta prévia é internação hospitalar, avaliação ultrassonográfica para confirmar o diagnóstico e localizar a placenta, e repouso relativo — com monitorização materno-fetal. A cesariana de emergência está reservada para sangramento volumoso, instabilidade hemodinâmica ou sofrimento fetal, o que não é o caso. A alternativa que associa corretamente hipótese e conduta é a letra A.
A pegadinha da banca está em trocar a conduta da placenta prévia pela do DPP: enquanto o DPP exige resolução imediata da gestação (geralmente cesariana), a placenta prévia com sangramento leve e paciente estável é manejada com conduta expectante até a viabilidade fetal ou até a maturidade pulmonar, se as condições permitirem. A alternativa C erra ao indicar cesariana de emergência para placenta prévia sem critérios de urgência; a B e a D erram o diagnóstico (DPP) e a conduta; a E confunde com rotura prematura de membranas, que cursa com perda de líquido, não sangramento.
Critério
Placenta Prévia
Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)
Sangramento
Indolor, vermelho vivo, início súbito
Doloroso, escuro, geralmente em pequena quantidade
Tônus uterino
Normal (útero relaxado)
Hipertônico (útero em tábua), doloroso
Dor abdominal
Ausente
Presente (aguda)
Altura uterina
Compatível com a idade gestacional
Pode aumentar progressivamente (sangramento retroplacentário oculto)
Conduta imediata (paciente estável, feto viável)
Internação, USG, repouso (conduta expectante)
Resolução imediata da gestação (geralmente cesariana)
Hemorragia 3º trimestre
1Placenta prévia
Sangramento indolor
Vermelho vivo
Útero relaxado
Conduta: internação + USG + repouso
2DPP
Dor abdominal
Sangue escuro
Útero hipertônico
Conduta: resolução imediata
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipótese é placenta prévia: sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, sem contrações, com tônus uterino normal e altura uterina compatível com a idade gestacional. A conduta imediata em gestante hemodinamicamente estável com feto viável é internação, avaliação ultrassonográfica (para confirmar a localização placentária) e repouso — com monitorização materno-fetal e preparo para eventual resolução, se houver agravamento. Não há indicação de cesariana imediata sem sinais de instabilidade ou sofrimento fetal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra o diagnóstico: o quadro descrito não é de descolamento prematuro de placenta, que cursa com dor abdominal, hipertonia uterina e sangramento escuro. A conduta de cesariana de emergência seria adequada para DPP com sofrimento fetal, mas não se aplica a este caso de placenta prévia estável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acerta a hipótese (placenta prévia), mas erra a conduta: cesariana de emergência não está indicada em gestante estável, sem sangramento volumoso e sem sofrimento fetal. A conduta inicial é conservadora — internação, USG e repouso — reservando a cesariana para os casos de sangramento intenso, instabilidade ou sofrimento fetal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra o diagnóstico (não é DPP) e a conduta: observação ambulatorial é inadequada para qualquer sangramento do terceiro trimestre, mesmo de pequena monta. Toda gestante com sangramento vaginal após 20 semanas deve ser avaliada em ambiente hospitalar, com monitorização materno-fetal, e não receber alta até avaliação obstétrica especializada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Confunde o quadro com rotura prematura de membranas (RPM), que se caracteriza por perda de líquido amniótico, não sangramento. A conduta de alta com orientação domiciliar é totalmente contraindicada para sangramento vaginal no terceiro trimestre, que exige internação e investigação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as duas grandes causas de sangramento do terceiro trimestre. Na placenta prévia, o sangramento é indolor, vermelho vivo e o útero fica relaxado; no DPP, há dor, hipertonia e sangue escuro. Guarde o par: prévia = indolor + útero mole; DPP = doloroso + útero duro. E lembre: placenta prévia estável não é indicação de cesariana imediata — a conduta é conservadora até que haja critérios de urgência.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte uma tabela mental rápida: sangramento indolor + útero relaxado → placenta prévia → conduta expectante (internar, USG, repouso); sangramento doloroso + útero hipertônico → DPP → resolução imediata. Se a alternativa trouxer "cesariana de emergência" para placenta prévia sem instabilidade, desconfie — é o distrator clássico.