Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg728119
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
A OMS propõe que a assistência obstétrica deve ser pautada no respeito aos direitos da mulher e da criança, com práticas assistenciais baseadas nas evidências científicas disponíveis e não em conveniências de profissionais e instituições. Sobre a assistência ao parto, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AOs conceitos das fases clínicas do trabalho de parto (TP), período prodrômico, fase de dilatação (primeiro período), fase de expulsão (segundo período) e dequitação (terceiro período) levam em consideração a gestação em seu termo, ou seja, após a 37ª semana.
  2. BApesar de ser prática comum em vários serviços, a realização de cardiotocografia de rotina na admissão da parturiente de risco habitual não melhora resultados adversos perinatais e, por isso, não é necessária.
  3. CAs instituições que oferecem assistência ao parto devem disponibilizar analgesia farmacológica à parturiente sempre que os métodos não farmacológicos forem insuficientes ou for do desejo da gestante, independentemente da fase do TP e da dilatação cervical.
  4. DEm parturientes com analgesia epidural que adotam posições horizontalizadas no segundo período do parto, verifica-se redução nas taxas de cesariana, sem aumentar o número de partos instrumentalizados, além de relatarem mais satisfação com sua experiência com o parto.
  5. ESe o RN estiver em boas condições, o clampeamento do cordão umbilical pode ser tardio, ou seja, postergado por tempo superior a um minuto. Não há evidências de que um intervalo superior a dois minutos entre o nascimento e o clampeamento do cordão umbilical traga benefícios ao RN e também possa aumentar o risco de hemorragia materna.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Se o RN estiver em boas condições, o clampeamento do cordão umbilical pode ser tardio, ou seja, postergado por tempo superior a um minuto. Não há evidências de que um intervalo superior a dois minutos entre o nascimento e o clampeamento do cordão umbilical traga benefícios ao RN e também possa aumentar o risco de hemorragia materna.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Assistência ao parto: práticas baseadas em evidências

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que não há evidências de benefícios do clampeamento tardio do cordão umbilical além de dois minutos e que ele pode aumentar o risco de hemorragia materna — na verdade, o clampeamento tardio (após 1 a 3 minutos) é recomendado pela OMS e por diretrizes obstétricas por trazer benefícios ao recém-nascido, como maior volume de transfusão placentária e menores taxas de anemia, sem aumento significativo do risco de hemorragia pós-parto materna. As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas e alinhadas às recomendações atuais de assistência ao parto baseada em evidências.

A assistência obstétrica moderna, conforme preconizado pela OMS, deve ser centrada na mulher, respeitando seus direitos e utilizando práticas baseadas em evidências científicas, em detrimento de conveniências institucionais ou profissionais. Isso significa que condutas rotineiras sem comprovação de benefício — como a cardiotocografia de admissão em gestantes de risco habitual, a posição horizontalizada no segundo período ou o clampeamento precoce do cordão — devem ser abandonadas ou individualizadas.

O clampeamento do cordão umbilical é um ponto central dessa discussão. Historicamente, o clampeamento imediato era realizado para supostamente reduzir o risco de hemorragia materna, mas evidências robustas demonstraram que o clampeamento tardio (realizado entre 1 e 3 minutos após o nascimento, ou quando o cordão para de pulsar) traz benefícios significativos ao recém-nascido, como aumento do volume sanguíneo transfundido, maiores níveis de hemoglobina e ferritina nos primeiros meses de vida, e menor risco de anemia na infância. Para o recém-nascido a termo, o clampeamento tardio é recomendado pela OMS e por sociedades de obstetrícia, desde que o RN esteja em boas condições. Quanto ao risco de hemorragia materna, os estudos não demonstram aumento significativo com o clampeamento tardio, especialmente quando se utiliza uterotônicos de rotina no terceiro período. Portanto, a afirmação de que "não há evidências de benefícios além de dois minutos" e que "pode aumentar o risco de hemorragia materna" está incorreta — o clampeamento tardio é seguro e benéfico.

As demais alternativas refletem corretamente as recomendações atuais: a definição das fases clínicas do trabalho de parto considera a gestação a termo (após 37 semanas); a cardiotocografia de rotina na admissão de parturientes de risco habitual não melhora desfechos perinatais e não é recomendada; a analgesia farmacológica deve ser disponibilizada sempre que os métodos não farmacológicos forem insuficientes ou por desejo da gestante, independentemente da fase do TP ou dilatação; e a posição verticalizada no segundo período, em parturientes com analgesia epidural, está associada a menor taxa de cesariana e maior satisfação materna.

A pegadinha desta questão está na alternativa E, que inverte a recomendação: apresenta o clampeamento tardio como algo sem benefícios comprovados e com risco materno, quando na verdade é uma prática recomendada e segura. O candidato que não domina a evidência atual pode ser induzido a marcar uma alternativa correta como incorreta, ou vice-versa. Guarde o critério: clampeamento tardio = recomendado, benéfico ao RN e seguro para a mãe.

Clampeamento do cordão umbilical
  • 1Tardio (1–3 min)
    • Recomendado pela OMS
    • Benefícios ao RN
      • Maior transfusão placentária
      • Menor risco de anemia
    • Seguro para a mãe
      • Sem aumento de hemorragia
  • 2Precoce (imediato)
    • Prática antiga, sem benefício
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta

A alternativa descreve corretamente as fases clínicas do trabalho de parto (período prodrômico, dilatação, expulsão e dequitação) e menciona que esses conceitos consideram a gestação a termo, ou seja, após a 37ª semana. Essa é a definição clássica de gestação a termo (37 a 41 semanas e 6 dias), e as fases do TP são descritas para essa população. Não há erro conceitual.

Alternativa B — ✅ Correta

A cardiotocografia de rotina na admissão de parturientes de risco habitual não é recomendada, pois não demonstrou melhora nos desfechos perinatais adversos. A recomendação é realizar a avaliação dos batimentos cardíacos fetais por métodos intermitentes (como o sonar ou o pinar) em gestantes de baixo risco, reservando a cardiotocografia contínua para situações de risco ou alterações. A alternativa está correta ao afirmar que não é necessária.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa está correta ao afirmar que as instituições devem disponibilizar analgesia farmacológica à parturiente sempre que os métodos não farmacológicos forem insuficientes ou por desejo da gestante, independentemente da fase do TP e da dilatação cervical. Isso reflete o direito da mulher ao alívio da dor e a recomendação de que a analgesia não deve ser negada com base em dilatação ou fase do trabalho de parto.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa está correta ao afirmar que, em parturientes com analgesia epidural que adotam posições verticalizadas no segundo período, há redução nas taxas de cesariana, sem aumento de partos instrumentalizados, e maior satisfação materna. Estudos demonstram que a posição verticalizada (em pé, de cócoras, ajoelhada) no segundo período está associada a menor duração do período expulsivo e menor necessidade de intervenções, além de maior conforto e satisfação.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa está incorreta ao afirmar que não há evidências de benefícios do clampeamento tardio além de dois minutos e que ele pode aumentar o risco de hemorragia materna. Na verdade, o clampeamento tardio (realizado entre 1 e 3 minutos após o nascimento) é recomendado pela OMS e por diretrizes obstétricas, pois traz benefícios ao recém-nascido (maior transfusão placentária, maiores níveis de hemoglobina e ferritina, menor risco de anemia) sem aumento significativo do risco de hemorragia pós-parto materna, especialmente com o uso rotineiro de uterotônicos no terceiro período. A afirmação inverte a evidência atual.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a recomendação: apresenta o clampeamento tardio como algo sem benefícios e com risco materno, quando na verdade é uma prática recomendada e segura. O candidato que não domina a evidência atual pode ser induzido a marcar uma alternativa correta como incorreta, ou vice-versa. Guarde o critério: clampeamento tardio = recomendado, benéfico ao RN e seguro para a mãe.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre assistência ao parto, memorize as práticas recomendadas pela OMS: clampeamento tardio do cordão (1-3 min), cardiotocografia apenas para risco, analgesia farmacológica disponível a qualquer momento, posições verticalizadas no segundo período, e contato pele a pele imediato. Essas são as "boas práticas" que a banca costuma cobrar.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois inverte a recomendação sobre o clampeamento tardio do cordão umbilical.

Link permanente: /questoes/qg728119