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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg728130
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
Paciente de 36 anos, nuligesta, está se programando para engravidar neste ano. Realizou ultrassonografia, que evidenciou lesões sugerindo miomas com as seguintes localizações e dimensões:- Parede anterior medindo 1,7 x 1,5, FIGO 1.- Parede lateral direita medindo 1,9 x 1,8 FIGO 4.- Fúndico medindo 2,3 x 2,2 FIGO 5.Diante do exposto, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para o caso.
  1. AAcompanhar com ultrassonografia anual.
  2. BRealizar histeroscopia para tratar mioma FIGO 1.
  3. CRealizar histeroscopia para tratar mioma FIGO 5.
  4. DRealizar videolaparoscopia para tratar todos os miomas.
  5. EAssociar histeroscopia à videolaparoscopia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Realizar histeroscopia para tratar mioma FIGO 1.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Miomas uterinos e planejamento reprodutivo: conduta na nuligesta

Gabarito: letra B. Em paciente nuligesta com desejo de engravidar, a presença de mioma submucoso (FIGO 1) é indicação de tratamento histeroscópico, pois esse tipo de mioma está associado a sangramento e a impacto negativo na fertilidade e nos desfechos gestacionais. Os miomas intramurais (FIGO 4) e subserosos (FIGO 5) de pequenas dimensões, como os descritos, não comprometem a cavidade endometrial e podem ser acompanhados clinicamente, sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata.

O mioma uterino (leiomioma) é um tumor benigno da musculatura uterina, estrogênio-dependente, que acomete parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva. A classificação mais utilizada na prática clínica é a da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), que divide os miomas conforme sua localização em relação à camada uterina: submucosos (FIGO 0, 1 e 2), intramurais (FIGO 3, 4, 5 e 6) e subserosos (FIGO 7). Essa classificação é fundamental porque a localização do mioma — e não apenas o seu tamanho — determina a sintomatologia e a conduta.

Os miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2) são os que mais frequentemente causam sangramento uterino anormal (SUA), pois distorcem a cavidade endometrial, tornando o endométrio que os recobre delgado e friável. Além disso, estão associados a maior impacto na fertilidade, podendo dificultar a implantação embrionária e aumentar o risco de abortamento. Por isso, mesmo miomas submucosos de pequenas dimensões, como o descrito (1,7 x 1,5 cm, FIGO 1), são candidatos a tratamento cirúrgico, especialmente em mulheres que desejam engravidar. A via de acesso preferencial é a histeroscopia cirúrgica, que permite a ressecção do mioma por via endoscópica, sem incisões abdominais, com rápida recuperação e preservação da cavidade uterina.

Já os miomas intramurais (FIGO 4) e subserosos (FIGO 5) de pequenas dimensões, sem deformação da cavidade endometrial, geralmente são assintomáticos ou oligossintomáticos e não comprometem a fertilidade. Nesses casos, a conduta conservadora, com acompanhamento clínico e ultrassonográfico periódico, é a mais adequada. A indicação cirúrgica para miomas intramurais e subserosos fica reservada para casos de sintomas significativos (sangramento volumoso, dor, compressão de órgãos pélvicos) ou crescimento rápido, situações não presentes no caso descrito.

A principal pegadinha desta questão é a tentativa de generalizar o tratamento para todos os miomas, quando a conduta deve ser individualizada com base na classificação FIGO. A banca explora a confusão entre os tipos de mioma e suas respectivas indicações terapêuticas. O candidato deve lembrar que a histeroscopia é a via de acesso para miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2), enquanto a videolaparoscopia é indicada para miomas intramurais e subserosos que necessitam de tratamento, geralmente quando são sintomáticos ou de maiores dimensões. No caso apresentado, apenas o mioma FIGO 1 tem indicação de tratamento, e a via histeroscópica é a mais adequada.

Guarde a relação entre a classificação FIGO e a via de acesso cirúrgico: miomas submucosos (0, 1, 2) → histeroscopia; miomas intramurais e subserosos (3 a 7) → videolaparoscopia ou laparotomia, quando houver indicação. É exatamente essa distinção que separa as alternativas desta questão.

1Submucosos (0, 1, 2)
Distorcem a cavidade endometrial
Impacto na fertilidade
Tratamento: histeroscopia
2Intramurais (3, 4, 5, 6)
Não comprometem a cavidade
Geralmente assintomáticos
Acompanhamento clínico
3Subserosos (7)
Localizados na serosa
Sem impacto na fertilidade
Acompanhamento clínico
Miomas uterinos (classificação FIGO)
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Miomas uterinos (classificação FIGO): Submucosos (0, 1, 2) (Distorcem a cavidade endometrial, Impacto na fertilidade, Tratamento: histeroscopia); Intramurais (3, 4, 5, 6) (Não comprometem a cavidade, Geralmente assintomáticos, Acompanhamento clínico); Subserosos (7) (Localizados na serosa, Sem impacto na fertilidade, Acompanhamento clínico)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Acompanhar com ultrassonografia anual seria conduta adequada para miomas intramurais e subserosos assintomáticos, mas não para o mioma submucoso (FIGO 1) em paciente com desejo reprodutivo. O mioma submucoso, mesmo pequeno, tem potencial de impactar a fertilidade e causar sangramento, sendo recomendado o tratamento histeroscópico. A conduta expectante, portanto, não é a melhor opção para esse caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A histeroscopia cirúrgica é o tratamento de escolha para miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2), pois permite a ressecção do mioma por via endoscópica, preservando a cavidade uterina e a fertilidade. No caso, o mioma FIGO 1 (1,7 x 1,5 cm) é candidato a esse tratamento, especialmente por se tratar de paciente nuligesta com desejo de engravidar. A histeroscopia é minimamente invasiva, com rápida recuperação e baixo risco de complicações, sendo a conduta mais adequada para esse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O mioma FIGO 5 é classificado como subseroso, localizado na serosa uterina, e não distorce a cavidade endometrial. Miomas subserosos de pequenas dimensões, como o descrito (2,3 x 2,2 cm), geralmente são assintomáticos e não comprometem a fertilidade, não havendo indicação de tratamento cirúrgico. Além disso, a histeroscopia não é a via de acesso adequada para miomas subserosos, que são tratados por videolaparoscopia ou laparotomia quando há indicação. A alternativa erra tanto na indicação quanto na via de acesso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A videolaparoscopia para tratar todos os miomas é uma conduta excessiva e inadequada. Apenas o mioma FIGO 1 tem indicação de tratamento, e a via de acesso preferencial para miomas submucosos é a histeroscopia, não a videolaparoscopia. Os miomas FIGO 4 e FIGO 5, por serem pequenos e não comprometerem a cavidade endometrial, não necessitam de intervenção cirúrgica. Tratar todos os miomas cirurgicamente, sem indicação, exporia a paciente a riscos desnecessários e não traria benefícios.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Associar histeroscopia à videolaparoscopia seria uma conduta ainda mais agressiva e sem fundamento. A histeroscopia é indicada apenas para o mioma FIGO 1, e a videolaparoscopia não é necessária para os miomas FIGO 4 e FIGO 5, que são pequenos e assintomáticos. A associação de duas técnicas cirúrgicas, sem indicação para uma delas, aumenta a morbidade e os riscos cirúrgicos sem trazer benefícios adicionais. A conduta correta é realizar apenas a histeroscopia para tratar o mioma submucoso.

A regra de ouro para questões de miomas e fertilidade: a localização do mioma (classificação FIGO) é o principal determinante da conduta. Miomas submucosos (0, 1, 2) → histeroscopia; miomas intramurais e subserosos (3 a 7) → acompanhamento ou cirurgia por videolaparoscopia, apenas se sintomáticos ou de grandes dimensões. Em paciente com desejo reprodutivo, a preservação da cavidade endometrial é prioridade, e a histeroscopia é a ferramenta ideal para isso.

Gabarito: letra B

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