Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728133
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
Durante um plantão no pronto atendimento ginecológico, uma paciente de 28 anos dá entrada com quadro de dor aguda em fossa ilíaca esquerda, de início súbito e progressiva. A ultrassonografia visualiza um cisto anexial com conteúdo heterogêneo e redução do fluxo ao doppler. Diante do exposto, a melhor conduta para o caso é
Ainiciar antibiótico e aguardar evolução.
Brealizar laparotomia exploradora.
Crealizar ooforoplastia e distorção quando não houver sinais de necrose
Diniciar anticoagulante para prevenção de tromboembolismo.
Eadministrar AINE e aguardar evolução clínica.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — realizar ooforoplastia e distorção quando não houver sinais de necrose
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Torção de anexo ovariano: conduta cirúrgica conservadora
Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor aguda em fossa ilíaca esquerda, cisto anexial com conteúdo heterogêneo e redução do fluxo ao Doppler — é clássico de torção de anexo ovariano, e a conduta de primeira linha, na ausência de sinais de necrose, é a cirurgia conservadora com ooforoplastia e distorção do pedículo, preservando o ovário. A alternativa C espelha exatamente essa conduta.
A torção de anexo é uma emergência ginecológica que ocorre quando o ovário e/ou a tuba uterina giram sobre seu pedículo vascular, comprometendo o fluxo sanguíneo. O quadro típico é de dor pélvica ou abdominal inferior de início súbito, intensa e progressiva, frequentemente associada a náuseas e vômitos. A ultrassonografia com Doppler é o exame de imagem inicial de escolha: a presença de cisto anexial (especialmente se > 5 cm, como os cistos dermoides e os cistos simples) é um fator de risco, e a redução ou ausência de fluxo ao Doppler confirma a suspeita clínica.
O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado com urgência para evitar a necrose irreversível do ovário. A abordagem clássica era a ooforectomia (retirada do ovário), porém o entendimento atual é que, mesmo em casos de aspecto isquêmico, a detorsão do pedículo (distorção) seguida de ooforoplastia (sutura do ovário para fixá-lo e prevenir novas torções) é a conduta preferencial, pois preserva a função ovariana e a fertilidade da paciente. A ooforectomia fica reservada para os casos em que há necrose franca e irreversível do ovário, evidenciada por coloração enegrecida e ausência de sangramento após a detorsão.
A alternativa C é a única que contempla o tratamento cirúrgico conservador, que é o padrão-ouro atual. As demais alternativas propõem condutas inadequadas: antibioticoterapia isolada (não trata a causa mecânica), laparotomia exploradora sem especificar a conduta conservadora (e a via laparoscópica é preferível), anticoagulação (sem indicação) e analgesia isolada (retarda o tratamento definitivo).
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem razoáveis para outras causas de dor pélvica aguda, mas que não se aplicam à torção de anexo. O candidato que não domina o manejo da torção pode ser levado a escolher a laparotomia (alternativa B) por associá-la a uma emergência cirúrgica, ou a analgesia (alternativa E) por pensar em manejo clínico inicial. A chave é reconhecer que a torção de anexo é uma emergência cirúrgica e que a conduta moderna é conservadora, sempre que possível.
1Suspeita clínica (dor súbita + massa)
2US Doppler (fluxo reduzido/ausente)
3Cirurgia imediata (laparoscopia)
4Distorção + ooforoplastia
5Ooforectomia (necrose franca)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar antibiótico e aguardar evolução é conduta para doença inflamatória pélvica (DIP), não para torção de anexo. A DIP cursa com dor pélvica, febre, leucorreia e dor à mobilização do colo, mas o Doppler mostra fluxo preservado. Na torção, o problema é mecânico (estrangulamento vascular), e antibiótico não resolve a isquemia — a demora aumenta o risco de necrose e perda do ovário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Realizar laparotomia exploradora é uma via de acesso, não uma conduta específica. A cirurgia é indicada, mas a via preferencial é a videolaparoscopia, menos invasiva. Além disso, a alternativa não menciona a conduta conservadora (distorção + ooforoplastia), que é o ponto central do manejo. A laparotomia fica reservada para casos de instabilidade ou quando a laparoscopia não é viável.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Realizar ooforoplastia e distorção quando não houver sinais de necrose é exatamente a conduta recomendada. A distorção (detorsão) do pedículo restaura o fluxo sanguíneo, e a ooforoplastia (plicatura/sutura do ovário) previne a recorrência da torção. Essa abordagem conservadora preserva a função ovariana e a fertilidade, sendo o padrão-ouro atual, mesmo em ovários de aspecto isquêmico, desde que não haja necrose irreversível.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar anticoagulante para prevenção de tromboembolismo não tem indicação no manejo agudo da torção de anexo. A anticoagulação é usada em quadros como trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, não na torção ovariana. A conduta é cirúrgica, e a anticoagulação não trata a causa nem previne a necrose.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Administrar AINE e aguardar evolução clínica é conduta para cólica menstrual (dismenorreia) ou dor pélvica de causa funcional, não para torção de anexo. A torção é uma emergência cirúrgica; a analgesia isolada retarda o tratamento definitivo e aumenta o risco de necrose ovariana irreversível e perda do ovário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as causas de dor pélvica aguda. A alternativa B (laparotomia) parece atraente por ser uma emergência cirúrgica, mas a pegadinha está em não especificar a conduta conservadora — a cirurgia é sim indicada, mas a via preferencial é a laparoscopia e o procedimento é a distorção + ooforoplastia. A alternativa E (AINE) parece razoável para dor, mas na torção a analgesia não resolve a isquemia. Reconheça o padrão: dor súbita + cisto anexial + Doppler com fluxo reduzido = torção = cirurgia conservadora imediata.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de torção de anexo, memorize o fluxograma: (1) suspeita clínica (dor súbita + massa anexial) → (2) confirmação por US com Doppler (fluxo reduzido/ausente) → (3) cirurgia imediata (laparoscopia) → (4) distorção + ooforoplastia se não houver necrose; ooforectomia apenas se necrose franca. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.