Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg728137
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Ginecologia e Obstetrícia
O médico plantonista chamado para avaliar uma paciente em pós-operatório de videolaparoscopia por endometriose profunda que estava internada no setor de ginecologia e havia sido operada pela tarde. Como não conseguiram contato com o ginecologista responsável, solicitaram avaliação do plantonista do período noturno. A paciente se queixa de parestesia em coxa esquerda. Com base nas informações mencionadas, a lesão nervosa dessa paciente provavelmente ocorreu no
Anervo epigástrico superficial.
Bnervo epigástrico profundo.
Cnervo íleo inguinal.
Dnervo obturatório.
Enervo cutâneo femoral lateral.
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GabaritoE — nervo cutâneo femoral lateral.
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Lesão nervosa em videolaparoscopia por endometriose profunda
Gabarito: letra E. A parestesia em coxa esquerda após videolaparoscopia para endometriose profunda é classicamente atribuída à lesão do nervo cutâneo femoral lateral (NCFL), que inerva a face lateral da coxa e é vulnerável durante o posicionamento cirúrgico ou pela compressão por afastadores. Os demais nervos citados têm territórios de inervação distintos, o que permite eliminar as alternativas pela localização do sintoma.
A endometriose profunda é uma forma grave da doença, que infiltra tecidos além do peritônio, como ligamentos uterossacros, septo retovaginal, bexiga e ureteres. O tratamento cirúrgico por videolaparoscopia é complexo e exige dissecção em áreas de anatomia delicada, aumentando o risco de lesão de estruturas nobres, incluindo nervos do plexo lombossacral e do plexo sacral. A queixa de parestesia (formigamento, dormência) em um território específico é a chave para identificar o nervo acometido.
O nervo cutâneo femoral lateral é um nervo puramente sensitivo, originado do plexo lombar (L2-L3), que emerge na pelve e passa sob o ligamento inguinal, próximo à espinha ilíaca ântero-superior, para inervar a pele da face lateral da coxa. Sua lesão causa a meralgia parestésica, caracterizada por dormência, formigamento e, às vezes, dor na face lateral da coxa. Durante a cirurgia pélvica, especialmente com o paciente em posição de litotomia ou com o uso de afastadores autoestáticos, o nervo pode ser comprimido contra estruturas ósseas, levando ao sintoma relatado.
Os demais nervos listados têm trajetos e funções diferentes:
Nervo epigástrico superficial e profundo: são ramos dos nervos intercostais e lombares que inervam a parede abdominal, não a coxa.
Nervo ílio-inguinal: também da parede abdominal, inerva a região inguinal e a raiz da coxa, mas não a face lateral.
Nervo obturatório: ramo do plexo lombar que inerva a face medial da coxa, com componente motor para os músculos adutores.
A banca explora a confusão entre os nervos que passam pela pelve e pela parede abdominal, induzindo o candidato a escolher um nervo de trajeto diferente do que inerva a face lateral da coxa. A parestesia em coxa esquerda é um sintoma localizado, e o conhecimento da distribuição cutânea de cada nervo é essencial para o diagnóstico topográfico.
Na prática clínica, o diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico, e a eletroneuromiografia pode auxiliar na confirmação. O tratamento é conservador na maioria dos casos, com fisioterapia e analgésicos, e a resolução espontânea é comum em semanas a meses.
Nervos do plexo lombar: Cutâneo femoral lateral (L2-L3) (Face lateral da coxa, Meralgia parestésica); Femoral (L2-L4) (Face anterior da coxa); Obturatório (L2-L4) (Face medial da coxa, Músculos adutores); Ílio-inguinal (L1) (Região inguinal, Raiz da coxa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O nervo epigástrico superficial é um ramo cutâneo do nervo intercostal (T7-T11) que inerva a pele da parede abdominal anterior. Não tem relação com a coxa, portanto não explica a parestesia em coxa esquerda.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O nervo epigástrico profundo (ou nervo epigástrico inferior) é um ramo do plexo lombar que acompanha a artéria epigástrica inferior, inervando músculos da parede abdominal. Não inerva a coxa, sendo um distrator para quem confunde a anatomia da parede abdominal com a da pelve.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O nervo ílio-inguinal (L1) inerva a pele da região inguinal, a raiz da coxa e parte dos genitais externos. Embora passe próximo à pelve, seu território não inclui a face lateral da coxa, local da parestesia relatada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O nervo obturatório (L2-L4) inerva a face medial da coxa e os músculos adutores. Sua lesão causaria parestesia na face medial, não na lateral, e frequentemente viria acompanhada de fraqueza na adução da coxa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O nervo cutâneo femoral lateral (L2-L3) é um nervo sensitivo que inerva a face lateral da coxa. Sua lesão, comum em cirurgias pélvicas devido à compressão por posicionamento ou afastadores, manifesta-se exatamente como parestesia na face lateral da coxa, compatível com o quadro descrito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os territórios de inervação: o nervo ílio-inguinal e o obturatório também passam pela pelve, mas inervam regiões diferentes (inguinal e medial da coxa, respectivamente). O candidato que não conhece a distribuição cutânea exata pode ser levado a escolher um desses. Lembre-se: parestesia na face lateral da coxa = nervo cutâneo femoral lateral.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de lesão nervosa, desenhe mentalmente o mapa dos principais nervos do plexo lombar: cutâneo femoral lateral (face lateral da coxa), femoral (face anterior), obturatório (face medial), ílio-inguinal (região inguinal). Associe cada um ao seu território e você elimina as alternativas com segurança.