Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina
Código
qg728143
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Considerando os mecanismos fisiopatológicos da Insuficiência Respiratória Hipoxêmica (Tipo I), informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.( ) O principal mecanismo envolvido na insuficiência respiratória hipoxêmica é o desequilíbrio entre ventilação e perfusão, no qual há perfusão de unidades alveolares não ventiladas, como ocorre na SDRA e na pneumonia.( ) O distúrbio de difusão é uma causa frequente de hipoxemia e ocorre mesmo sem alterações significativas na complacência pulmonar.( ) A redução da FiO₂, como ocorre em grandes altitudes, pode causar hipoxemia por diminuição da pressão parcial de oxigênio alveolar.( ) A insuficiência cardíaca grave pode contribuir para a hipoxemia por alterar a hemodinâmica pulmonar e reduzir a oxigenação do sangue venoso misto.
AV – V – F – F.
BF – F – V – V.
CV – F – F – V.
DV – F – V – V.
EF – V – F – V.
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GabaritoD — V – F – V – V.
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Gabarito: letra D — sequência V – F – V – V. A insuficiência respiratória hipoxêmica (Tipo I) tem como mecanismo mais comum o desequilíbrio ventilação-perfusão (V/Q), com perfusão de alvéolos não ventilados (efeito shunt), como na SDRA e na pneumonia; o distúrbio de difusão, embora cause hipoxemia, não é causa frequente e costuma ser clinicamente pouco relevante; a redução da FiO₂ (altitude) e a insuficiência cardíaca grave também são mecanismos reconhecidos de hipoxemia. A base conceitual está na fisiologia respiratória (equação do gás alveolar e mecanismos de hipoxemia).
A insuficiência respiratória é uma síndrome com múltiplas etiologias, mas os mecanismos fisiopatológicos que levam à hipoxemia são didaticamente classificados em cinco grupos: baixa FiO₂ (ou baixa pressão inspirada de O₂), hipoventilação, desequilíbrio V/Q, shunt e distúrbio de difusão. Cada um tem características próprias que permitem diferenciá-los, principalmente pelo gradiente alvéolo-arterial de oxigênio (G(A-a)): na baixa FiO₂ e na hipoventilação o gradiente é normal; no desequilíbrio V/Q, no shunt e no distúrbio de difusão, o gradiente está elevado.
O desequilíbrio V/Q é a causa mais comum de hipoxemia em estados patológicos. Ele ocorre quando há regiões do pulmão em que a ventilação e a perfusão não estão adequadamente casadas. No polo mais extremo, temos o shunt (alvéolos perfundidos, mas não ventilados), que é o protótipo da SDRA e da pneumonia. O oxigênio suplementar não corrige completamente a hipoxemia do shunt puro, pois o sangue não passa por alvéolos funcionantes.
O distúrbio de difusão é um mecanismo menos frequente e clinicamente pouco relevante em repouso, pois o O₂ equilibra-se no primeiro terço da membrana alvéolo-capilar. Só se torna importante com espessamento da membrana (fibrose) e esforço ou alto débito cardíaco. A baixa FiO₂ ocorre em grandes altitudes, onde a fração de O₂ permanece 21%, mas a pressão parcial diminui. A insuficiência cardíaca grave contribui para a hipoxemia por congestão pulmonar, edema e redução da oxigenação do sangue venoso misto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre distúrbio de difusão e desequilíbrio V/Q. O candidato tende a marcar a afirmativa II como verdadeira, pois a difusão é um mecanismo de hipoxemia — mas ela não é causa frequente e raramente é clinicamente relevante em repouso. A pegadinha está em trocar "frequente" por "possível": a difusão pode causar hipoxemia, mas não é um mecanismo comum.
Mecanismos de hipoxemia: Baixa FiO₂ (altitude) (Gradiente A-a normal); Hipoventilação (Gradiente A-a normal); Desequilíbrio V/Q (Causa mais comum, Gradiente A-a elevado, Shunt (SDRA, pneumonia)); Distúrbio de difusão (Não é causa frequente, Gradiente A-a elevado, Só com esforço/débito alto); Shunt (Gradiente A-a elevado, Refratário ao O₂)
Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira
O desequilíbrio V/Q é o principal mecanismo da insuficiência respiratória hipoxêmica. Na SDRA e na pneumonia, há alvéolos perfundidos, mas não ventilados (efeito shunt), o que gera hipoxemia refratária ao oxigênio suplementar. O texto de apoio confirma: "A causa mais comum de hipoxemia em estados patológicos é a incompatibilidade ventilação-perfusão" e "a SDRA é o protótipo do shunt intrapulmonar direita-esquerda".
Afirmativa 2 — ❌ Falsa
O distúrbio de difusão não é causa frequente de hipoxemia. O texto de apoio afirma: "O comprometimento da difusão geralmente não é clinicamente muito importante porque o transporte de oxigênio através da interface alveolocapilar não se limita à difusão, mesmo em indivíduos com doença intersticial preexistente". A hipoxemia por difusão só se manifesta com esforço ou alto débito cardíaco, quando o tempo de trânsito do sangue no capilar é insuficiente para o equilíbrio.
Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira
A redução da FiO₂, como em grandes altitudes, causa hipoxemia por diminuição da pressão parcial de oxigênio alveolar. O texto de apoio confirma: "Baixa pressão inspirada de oxigênio (PiO₂): ocorre em altas altitudes em condições fisiológicas. Vale ressaltar que em elevadas altitudes a fração de O₂ no ar atmosférico continua em 21%. Porém, uma vez que o ar é rarefeito, a pressão parcial de O₂ se reduz". O gradiente A-a permanece normal nesse mecanismo.
Afirmativa 4 — ✅ Verdadeira
A insuficiência cardíaca grave contribui para a hipoxemia por congestão pulmonar e edema, que alteram a relação V/Q e reduzem a oxigenação do sangue venoso misto. O texto de apoio lista o "edema pulmonar cardiogênico" como causa de insuficiência respiratória e menciona que a redução da perfusão ou o colabamento pulmonar (presentes na IC) alteram a oxigenação.
Conclusão: Corretas as afirmativas 1, 3 e 4; incorreta apenas a 2. Portanto, a sequência é V – F – V – V, correspondente à letra D.