Questão de Medicina — Epidemiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Epidemiologia
Código
qg728146
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Adolescente de 14 anos é internado com diagnóstico confirmado de doença meningocócica invasiva. O serviço de vigilância epidemiológica é acionado para avaliação dos contatos domiciliares e escolares. Considerando as recomendações atuais para a quimioprofilaxia da doença meningocócica, qual é a conduta mais adequada?
AA profilaxia é indicada apenas para contatos não vacinados e deve ser iniciada após a alta hospitalar do caso índice.
BApenas familiares que apresentem sintomas respiratórios devem receber a profilaxia.
CA rifampicina deve ser administrada em dose única, 10 mg/kg, por via oral, com repetição em 7 dias.
DTodos os contatos íntimos do caso índice, independentemente do estado vacinal, devem receber profilaxia preferencialmente até 24 horas após a exposição, sendo a rifampicina a droga de escolha por 2 dias.
EA profilaxia é recomendada apenas se o contato ocorreu em ambiente hospitalar antes do isolamento do paciente.
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GabaritoD — Todos os contatos íntimos do caso índice, independentemente do estado vacinal, devem receber profilaxia preferencialmente até 24 horas após a exposição, sendo a rifampicina a droga de escolha por 2 dias.
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Quimioprofilaxia da doença meningocócica invasiva
Gabarito: letra D. Na doença meningocócica invasiva, a quimioprofilaxia é indicada para todos os contatos íntimos do caso índice, independentemente do estado vacinal, devendo ser iniciada preferencialmente nas primeiras 24 horas após a exposição, sendo a rifampicina a droga de escolha, administrada por 2 dias — exatamente o que a alternativa D descreve. Essa conduta segue as recomendações do Ministério da Saúde e do CDC, que priorizam a proteção dos comunicantes de alto risco, pois a vacinação não elimina a necessidade de profilaxia medicamentosa.
A doença meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, é uma infecção grave e de alta transmissibilidade por gotículas respiratórias. A quimioprofilaxia tem como objetivo erradicar o estado de portador do meningococo na nasofaringe dos contatos íntimos, interrompendo a cadeia de transmissão e prevenindo casos secundários. O conceito-chave é que a profilaxia não é uma medida de proteção individual baseada no estado vacinal, mas sim uma intervenção de saúde pública dirigida a quem teve exposição íntima e prolongada com o caso índice — como moradores da mesma casa, colegas de quarto, parceiros de beijo e pessoas que compartilharam o mesmo ambiente fechado por tempo prolongado.
A janela de oportunidade é curta: a profilaxia deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 24 horas após a identificação do caso, e não é benéfica após 14 dias da exposição. Isso porque o risco de doença secundária é maior nos primeiros dias após o contato. A rifampicina é a droga de primeira escolha, com esquema de 10 mg/kg/dose, via oral, a cada 12 horas, por 2 dias (para maiores de 1 mês), com dose máxima de 600 mg/dia. Alternativas incluem ceftriaxona em dose única (125 mg IM para < 12 anos; 250 mg IM para ≥ 12 anos) e ciprofloxacino 500 mg VO em dose única (apenas para maiores de 18 anos).
Um ponto que costuma gerar confusão é a indicação para profissionais de saúde: rotineiramente, a profilaxia não é recomendada para médicos e enfermeiros que atenderam o paciente, a menos que tenha havido exposição direta a secreções respiratórias sem uso de EPI (como em respiração boca a boca ou intubação). Outro detalhe importante: o próprio paciente, se não foi tratado com ceftriaxona, também deve receber rifampicina na alta hospitalar, para eliminar o estado de portador. A vacinação de bloqueio é uma medida complementar, indicada em surtos, mas não substitui a quimioprofilaxia — daí a alternativa D estar correta ao afirmar que a profilaxia independe do estado vacinal.
A pegadinha central desta questão é a inversão de critérios: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a profilaxia depende de vacinação, de sintomas ou de ambiente hospitalar, quando na verdade o critério decisivo é a intimidade do contato e a precocidade da intervenção. Guarde a tríade: quem (contatos íntimos), quando (até 24h, idealmente), como (rifampicina 10 mg/kg 12/12h por 2 dias). É exatamente essa tríade que separa a alternativa correta das demais.
Critério
Conduta correta (Gabarito D)
Conduta incorreta (pegadinhas)
Indicação
Todos os contatos íntimos, independentemente do estado vacinal
Restrita a não vacinados (A), sintomáticos (B) ou contato hospitalar (E)
Momento de início
Preferencialmente até 24h após a exposição
Após alta hospitalar (A)
Esquema da rifampicina
10 mg/kg/dose, 12/12h, por 2 dias
Dose única com repetição em 7 dias (C)
Papel da vacinação
Não substitui a quimioprofilaxia
Usada como critério para indicar/excluir a profilaxia (A)
Quimioprofilaxia meningocócica: Quem recebe (Contatos íntimos, Independente da vacinação, Independente de sintomas); Quando iniciar (Até 24h (ideal), Após 14 dias (inútil)); Esquema rifampicina (10 mg/kg/dose, 12/12h por 2 dias); Profissionais de saúde (Rotina (sem exposição), Exposição sem EPI)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a profilaxia é indicada apenas para contatos não vacinados e que deve ser iniciada após a alta hospitalar do caso índice. Há dois erros: (1) a profilaxia independe do estado vacinal — mesmo contatos vacinados devem recebê-la, pois a vacina não elimina o estado de portador; (2) o início deve ser preferencialmente nas primeiras 24 horas após a exposição, e não após a alta hospitalar, o que atrasaria perigosamente a intervenção. A vacinação é medida complementar de bloqueio em surtos, não critério para indicar ou excluir a quimioprofilaxia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Limita a profilaxia a familiares com sintomas respiratórios. O critério correto é a exposição íntima e prolongada, independentemente de o contato estar sintomático. Contatos assintomáticos podem ser portadores do meningococo e transmitir a doença; por isso, todos os contatos íntimos devem receber profilaxia, estejam ou não com sintomas. A presença de sintomas respiratórios não é requisito para a indicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra o esquema da rifampicina: afirma dose única de 10 mg/kg com repetição em 7 dias. O esquema correto é 10 mg/kg/dose, a cada 12 horas, por 2 dias (para maiores de 1 mês), com dose máxima de 600 mg/dia. A dose única é característica da ceftriaxona (IM) e do ciprofloxacino (VO), não da rifampicina. A banca troca o esquema da rifampicina pelo de outras drogas, uma armadilha clássica de memorização de posologia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Espelha exatamente a recomendação vigente: todos os contatos íntimos, independentemente do estado vacinal, devem receber profilaxia preferencialmente até 24 horas após a exposição, com rifampicina como droga de escolha por 2 dias. O termo "contatos íntimos" abrange moradores da mesma casa, colegas de quarto, parceiros de beijo e expostos a secreções respiratórias. A precocidade (até 24h) é o ponto crítico, pois a profilaxia não é benéfica após 14 dias. A alternativa está correta em todos os seus elementos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Restringe a profilaxia ao contato em ambiente hospitalar antes do isolamento. Na verdade, a profilaxia é indicada principalmente para contatos domiciliares e escolares íntimos, que são os de maior risco de transmissão. Para profissionais de saúde, a recomendação é rotineiramente não realizar profilaxia, exceto em situações de exposição direta a secreções sem EPI (boca a boca, intubação). A alternativa inverte a lógica: o ambiente hospitalar é justamente onde a profilaxia menos se aplica, salvo exceções específicas.
Gabarito: letra D — todos os contatos íntimos, independentemente do estado vacinal, com rifampicina por 2 dias, iniciada preferencialmente nas primeiras 24 horas.