Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg728148
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área Infectologia Pediátrica
Sobre a Febre Reumática (FR), assinale a alternativa correta.
AA FR é uma infecção bacteriana aguda por estreptococo beta-hemolítico do grupo A com bacteremia recorrente.
BA FR é uma doença inflamatória tardia pósfaringotonsilite por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, na qual a cardite pode causar lesões valvares irreversíveis.
CA FR acomete principalmente lactentes menores de 5 anos e é rara em escolares.
DO risco de FR independe do sorotipo do estreptococo e não há relação com cepas reumatogênicas.
EO principal mecanismo etiopatogênico é a ação direta citotóxica do estreptococo sobre as valvas cardíacas, sem participação autoimune.
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GabaritoB — A FR é uma doença inflamatória tardia pósfaringotonsilite por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, na qual a cardite pode causar lesões valvares irreversíveis.
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Febre Reumática: conceito, etiopatogenia e epidemiologia
Gabarito: letra B. A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória, sistêmica e não supurativa, que surge como resposta tardia a uma faringoamigdalite causada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBHGA), em indivíduos geneticamente predispostos. A cardite, uma das manifestações maiores, pode causar lesões valvares irreversíveis, evoluindo para a cardiopatia reumática crônica (CRC). As demais alternativas distorcem o agente etiológico, a faixa etária, a relação com cepas reumatogênicas e o mecanismo fisiopatológico.
A febre reumática é uma complicação tardia e não supurativa de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A de Lancefield). Não se trata de uma infecção bacteriana aguda com bacteremia, mas sim de uma resposta imune anormal que ocorre, tipicamente, de 10 dias a 3 semanas após a faringite estreptocócica não tratada. O mecanismo central é o mimetismo molecular: anticorpos e linfócitos T produzidos contra antígenos do estreptococo passam a reconhecer e atacar tecidos do próprio hospedeiro, desencadeando um processo autoimune. Essa reação cruzada afeta principalmente articulações, coração, tecido subcutâneo e sistema nervoso central.
A doença acomete sobretudo crianças e adolescentes entre 5 e 18 anos, sendo incomum antes dos 3 anos e após os 23 anos. A faixa etária é um ponto-chave: a FR é rara em lactentes e mais comum em escolares. A predisposição genética, associada a fatores socioeconômicos (aglomeração, má alimentação, difícil acesso à saúde), explica por que a doença é mais prevalente em países em desenvolvimento. No Brasil, estimam-se cerca de 10 milhões de faringoamigdalites estreptocócicas e 30 mil novos casos de FR por ano.
A cardite reumática é a manifestação mais grave e a única que deixa sequelas permanentes. A inflamação das valvas cardíacas, mediada principalmente por linfócitos T, leva a espessamento, fusão comissural e deformidade valvar, culminando em lesões irreversíveis — a cardiopatia reumática crônica, que permanece como a principal causa de doença cardiovascular adquirida em crianças e adultos jovens no mundo. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones (dois critérios maiores, ou um maior e dois menores, mais evidência de infecção estreptocócica prévia).
A banca explora, nesta questão, os conceitos fundamentais da FR: o que ela é (doença inflamatória tardia, não infecção aguda), quem a causa (EBHGA, com cepas reumatogênicas), quem ela acomete (escolares, não lactentes) e como ela lesa o coração (autoimunidade por mimetismo molecular, não ação direta da bactéria). Guarde esses quatro pilares: eles separam a alternativa correta das incorretas.
Febre Reumática: Conceito (Doença inflamatória tardia, Não supurativa, Pós-faringotonsilite); Agente (Estreptococo beta-hemolítico grupo A, Cepas reumatogênicas); Mecanismo (Mimetismo molecular, Autoimunidade); Faixa etária (5 a 18 anos, Rara em lactentes); Cardite (Lesões valvares irreversíveis, Cardiopatia reumática crônica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a FR é uma infecção bacteriana aguda com bacteremia recorrente. Erro duplo: a FR não é uma infecção aguda, mas uma doença inflamatória tardia e não supurativa; e o estreptococo não causa bacteremia na FR — a infecção é localizada na orofaringe, e a doença é consequência da resposta imune cruzada, não da disseminação bacteriana.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão a FR: doença inflamatória tardia pós-faringotonsilite por EBHGA, na qual a cardite pode causar lesões valvares irreversíveis. Cada termo está correto: "tardia" (10 dias a 3 semanas após a infecção), "pós-faringotonsilite" (a infecção de orofaringe é o gatilho), "estreptococo beta-hemolítico do grupo A" (agente etiológico) e "lesões valvares irreversíveis" (sequela da cardite, que evolui para CRC).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inverte a epidemiologia. A FR acomete principalmente crianças e adolescentes entre 5 e 18 anos (escolares), sendo incomum antes dos 3 anos — ou seja, é rara em lactentes, não o contrário. A banca troca a faixa etária clássica pela extremidade oposta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Nega a relação com cepas reumatogênicas. O risco de FR depende do sorotipo do estreptococo: apenas determinadas cepas do EBHGA, consideradas reumatogênicas, são capazes de desencadear a resposta autoimune. A proteína M, em especial, está associada à virulência e à capacidade de induzir a doença.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve um mecanismo que não existe. A FR não é causada por ação citotóxica direta do estreptococo sobre as valvas. O mecanismo é autoimune, por mimetismo molecular: anticorpos e linfócitos T dirigidos contra antígenos estreptocócicos reagem de forma cruzada com proteínas humanas, lesando o tecido valvar. A participação autoimune é central, não ausente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre infecção aguda e doença pós-infecciosa. Na FR, o estreptococo não invade o coração nem causa bacteremia — ele dispara uma resposta imune que ataca o próprio organismo. Se a alternativa falar em "ação direta", "citotóxica" ou "bacteremia", está errada. Lembre-se: FR é autoimune, tardia e não supurativa.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte o mapa mental da FR: gatilho (faringoamigdalite por EBHGA) → mecanismo (mimetismo molecular, autoimunidade) → manifestações (cardite, artrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) → sequela (cardiopatia reumática crônica). Na prova, desconfie de alternativas que troquem a faixa etária (5–18 anos), o agente (EBHGA) ou o mecanismo (autoimune).